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Cálculo II

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3.4 Integrais triplas

Definimos a integral tripla de uma função f⁢(x,y,z) sobre um sólido finito G no espaço tridimensional x−y−z como o limite da soma de Riemann

∭Gf⁢(x,y,z)⁢𝑑V=limn→∞∑i=1nf⁢(xi∗,yi∗,zi∗)⁢Δ⁢Vi, (3.123)

onde Δ⁢Vi é o volume de cada sub-sólido Gi, (xi,yi,zi) é um ponto arbitrário em Gi e n é o número de sub-sólidos da partição de G. Consultemos a Figura 3.11 para a ilustração da partição de um sólido G.

Refer to caption
Figura 3.11: Partição de um sólido G em sub-sólidos Gi.

As integrais triplas têm propriedades análogas às integrais duplas.

  1. a)

    Multiplicação por uma constante

    ∭Gk⁢f⁢(x,y,z)⁢𝑑V=k⁢∭Gf⁢(x,y,z)⁢𝑑V (3.124)
  2. b)

    Adição/subtração de funções

    ∭G(f⁢(x,y,z)±g⁢(x,y,z))⁢𝑑V=∭Gf⁢(x,y,z)⁢𝑑V±∭Gg⁢(x,y,z)⁢𝑑V (3.125)
  3. c)

    Partição do sólido de integração

    ∭Gf⁢(x,y,z)⁢𝑑V=∭G1f⁢(x,y,z)⁢𝑑V+∭G2f⁢(x,y,z)⁢𝑑V (3.126)

    para G=G1∪G2 e G1∩G2=∅.

O cálculo de integrais triplas pode ser feito de forma iterada análoga ao cálculo de integrais duplas. Para isso, é necessário determinar os limites de integração para cada variável. A determinação dos limites de integração depende do sólido G e da ordem de integração escolhida.

3.4.1 Integração sobre uma caixa retangular

Seja G uma caixa retangular definida pelas desigualdades

a≤x≤b, (3.127)
c≤y≤d, (3.128)
e≤z≤f. (3.129)

Para uma função contínua f⁢(x,y,z), a integral tripla sobre a caixa retangular G é dada por

∭Gf⁢(x,y,z)⁢𝑑V=∫ab∫cd∫eff⁢(x,y,z)⁢𝑑z⁢𝑑y⁢𝑑x (3.130)

ou por qualquer outra ordem de integração.

Exemplo 3.4.1.

Vamos calcular a integral da função f⁢(x,y,z)=x2⁢y⁢z sobre a caixa retangular G definida por 0≤x≤1, −1≤y≤1 e −2≤z≤−1. A integral tripla sobre a caixa retangular G é dada por

∭Gf⁢(x,y,z)⁢𝑑V=∫01∫−11∫−2−1x2⁢y⁢z⁢𝑑z⁢𝑑y⁢𝑑x (3.131)
=∫01∫−11[x2⁢y⁢z22]z=−2−1dydx (3.132)
=∫01∫−11(x2⁢y⁢(−1)22−x2⁢y⁢(−2)22)dydx (3.133)
=∫01∫−11(x2⁢y2−2x2y)dydx (3.134)
=∫01∫−11(−3⁢x2⁢y2)dydx (3.135)
=∫01[−3⁢x2⁢y24]y=−11dx (3.136)
=∫01(−3⁢x2⁢(1)24+3⁢x2⁢(−1)24)dx (3.137)
=∫010dx=0 (3.138)

Calcule esta integral considerando outra ordem de integração. Verifique que o resultado é o mesmo!

3.4.2 Integração em regiões mais gerais

Vamos estudar como integrar uma função f⁢(x,y,z) sobre um sólido G limitado por superfícies. Quando G é limitado abaixo pela superfície z=g1⁢(x,y), limitado acima pela superfície z=g2⁢(x,y) e R é a projeção de G no plano x−y, temos que a integral tripla sobre o sólido G é dada por

∭Gf⁢(x,y,z)⁢𝑑V=∬R∫g1⁢(x,y)g2⁢(x,y)f⁢(x,y,z)⁢𝑑z⁢𝑑A. (3.139)
Exemplo 3.4.2.

Vamos calcular a integral tripla

∭Gz⁢𝑑V, (3.140)

sobre o sólido G limitado pelo cilindro x2+y2=1 e pelos planos z=1 e z=2. A projeção do sólido G no plano x−y é a região R limitada pelo círculo x2+y2=1. Logo, a integral tripla sobre o sólido G é dada por

∭Gz⁢𝑑V=∬R∫12z⁢𝑑z⁢𝑑A (3.141)
=∬R[z22]z=12dA (3.142)
=∬R(42−12)dA (3.143)
=∬R32dA=32∬RdA (3.144)

A integral ∬R𝑑A corresponde à área da região R, que é a área do círculo de raio 1. Logo, temos que

∬R𝑑A=π⁢(1)2=π (3.145)

Assim, concluímos que

∭Gz⁢𝑑V=32⁢π (3.146)

O volume de um sólido G pode ser calculado como a integral tripla da função f⁢(x,y,z)=1 sobre o sólido G. Ou seja, temos que

V=∭G1⁢𝑑V. (3.147)
Exemplo 3.4.3.

Vamos calcular o volume do sólido limitado pelo cilindro x2+y2=1 e pelos planos z=0 e z=3−y. A projeção do sólido G no plano x−y é a região R limitada pelo círculo x2+y2=1. Logo, o volume do sólido G é dado por

V=∭G1⁢𝑑V=∬R∫03−y1⁢𝑑z⁢𝑑A (3.148)
=∬R[z]z=03−ydA (3.149)
=∬R(3−y)dA (3.150)

A integral ∬R(3−y)⁢𝑑A pode ser calculada considerando a região R como uma região do tipo II. Logo, temos que

V=∬R(3−y)⁢𝑑A=∫−11∫−1−x21−x2(3−y)⁢𝑑y⁢𝑑x (3.151)

Calculando a integral acima, obtemos

V=∫−11[3⁢y−y22]y=−1−x21−x2⁢𝑑x (3.152)
=6∫−111−x2dx (3.153)

A integral acima pode ser calculada usando a substituição trigonométrica x=sin⁡(θ), d⁢x=cos⁡(θ)⁢d⁢θ, com θ∈[−π2,π2]. Assim, concluímos que

V=∭G𝑑V=3⁢π. (3.154)

Pode ocorrer de um sólido G ser limitado por superfícies à esquerda e à direita, ou à frente e atrás. Nestes casos, a integral tripla sobre o sólido G pode ser calculada como

∭Gf⁢(x,y,z)⁢𝑑V=∬R∫g1⁢(y,z)g2⁢(y,z)f⁢(x,y,z)⁢𝑑x⁢𝑑A, (3.155)

ou

∭Gf⁢(x,y,z)⁢𝑑V=∬R∫g1⁢(x,z)g2⁢(x,z)f⁢(x,y,z)⁢𝑑y⁢𝑑A, (3.156)

onde R é a projeção do sólido G no plano y−z ou no plano x−z, respectivamente.

Exemplo 3.4.4.

Vamos calcular o volume do sólido delimitado pelos paraboloides

x=5⁢y2+5⁢z2, (3.157)
x=6−7⁢y2−z2. (3.158)

A projeção do sólido G no plano y−z é obtida para x=0, ou seja, temos que

5⁢y2+5⁢z2=6−7⁢y2−z2 (3.159)
12⁢y2+6⁢z2=6 (3.160)
2⁢y2+z2=1 (3.161)

Logo, a projeção do sólido G no plano y−z é a região R delimitada pela elipse 2⁢y2+z2=1. A integral tripla sobre o sólido G é dada por

V=∭G1⁢𝑑V=∬R∫5⁢y2+5⁢z26−7⁢y2−z21⁢𝑑x⁢𝑑A (3.162)
=∬R[x]x=5⁢y2+5⁢z26−7⁢y2−z2dA (3.163)
=∬R(6−7y2−z2−5y2−5z2)dA (3.164)
=∬R(6−12y2−6z2)dA (3.165)

A integral ∬R(6−12⁢y2−6⁢z2)⁢𝑑A pode ser calculada considerando a região R como uma região do tipo II. Logo, temos que

V=∬R(6−12⁢y2−6⁢z2)⁢𝑑A (3.166)
=∫−11∫−1−2⁢y21−2⁢y2(6−12y2−6z2)dzdy (3.167)

Calculando a integral acima, obtemos

V=∫−11[6⁢z−12⁢y2⁢z−2⁢z3]z=−1−2⁢y21−2⁢y2⁢𝑑y (3.168)
=2∫−11(61−2⁢y2−12y21−2⁢y2−2(1−2y2)32)dy (3.169)
=2∫−11(41−2⁢y2−8y21−2⁢y2)dy (3.170)
=8∫−11(1−2y2)1−2⁢y2dy (3.171)

A integral acima pode ser calculada usando a substituição trigonométrica y=12⁢sen⁡(θ), d⁢y=12⁢cos⁡(θ)⁢d⁢θ, com θ∈[−π2,π2]. Assim, concluímos que

V=∭G1⁢𝑑V=3⁢π2⁢2. (3.172)

3.4.3 Exercícios

E. 3.4.1.

Calcule a integral tripla

∭Gx2⁢y⁢z⁢𝑑V, (3.173)

sobre a caixa retangular G=[0,1]×[−1,2]×[1,3].


2.

E. 3.4.2.

Calcule a integral tripla

∭Gz⁢𝑑V, (3.174)

onde G é o sólido limitado pelo cilindro x2+y2=1 e pelos planos z=0 e z=2.


2⁢π.

E. 3.4.3.

Encontre o volume do sólido G limitado pelo cilindro x2+y2=1, pelo plano z=0 e pela superfície z=2+x.


2⁢π.

E. 3.4.4.

Encontre o volume do sólido limitado pelas superfícies

z=x2+y2, (3.175)
z=4−x2−y2. (3.176)

4⁢π.

E. 3.4.5.

Seja G=[0,2]×[0,1]×[0,1], particionado nos sólidos disjuntos G1=[0,1]×[0,1]×[0,1] e G2=[1,2]×[0,1]×[0,1]. Calcule:

  1. a)

    ∭G(x+y+z)⁢𝑑V;

  2. b)

    ∭G1(x+y+z)⁢𝑑V+∭G2(x+y+z)⁢𝑑V.

Os resultados são iguais? Justifique.


a) 4; b) 4. Os resultados são iguais pela propriedade de partição do sólido de integração.


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Pedro H A Konzen
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