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Cálculo II

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3.3 Integrais duplas em coordenadas polares

No sistema de coordenadas polares, uma região R é chamada de região polar simples quando ela é limitada por dois raios θ=α e θ=β e por curvas polares contínuas r=r1⁢(θ) e r=r2⁢(θ) que não se interceptam para α≤θ≤β. Consultemos a Figura 3.8 para a ilustração de uma região polar simples.

Refer to caption
Figura 3.8: Região polar simples limitada por dois raios θ=α e θ=β e por curvas polares contínuas r=r1⁢(θ) e r=r2⁢(θ).

Na Figura 3.8, a região polar está particionada em sub-regiões. Assumindo uma partição infinitesimal de largura d⁢θ e comprimento d⁢r, temos que a área de cada sub-região é dada por

d⁢A=r⁢d⁢r⁢d⁢θ. (3.94)

Com isso, dada uma função f⁢(r,θ) em coordenadas polares, sua integral dupla sobre a região polar simples R é dada por

∬Rf⁢(r,θ)⁢𝑑A=∫αβ∫r1⁢(θ)r2⁢(θ)f⁢(r,θ)⁢r⁢𝑑r⁢𝑑θ. (3.95)

Para uma superfície z=f⁢(r,θ) não negativa, a integral dupla acima corresponde ao volume do sólido limitado pela superfície z=f⁢(r,θ) e pela região polar simples R.

Exemplo 3.3.1.

Vamos calcular

∬Rsen⁡(θ)⁢𝑑A, (3.96)

sobre a região polar R limitada pelos raios θ=0 e θ=π2 e pelas circunferências r=1 e r=2. Esta integral corresponde ao volume do sólido limitado pela superfície z=sen⁡(θ) e pela região polar R. Consultemos a Figura 3.9 para a ilustração do volume.

Refer to caption
Figura 3.9: Volume do sólido limitado pela superfície z=sen⁡(θ) e pela região polar R.

A integral dupla sobre a região polar R é dada por

∬Rsen⁡(θ)⁢𝑑A=∫0π2∫12sen⁡(θ)⁢r⁢𝑑r⁢𝑑θ (3.97)
=∫0π2[r22sen(θ)]r=12dθ (3.98)
=∫0π2(2sen(θ)−12sen(θ))dθ (3.99)
=32∫0π2sen(θ)dθ (3.100)
=32[−cos(θ)]0π2 (3.101)
=32(−cos(π2)+cos(0)) (3.102)
=32(0+1)=32 (3.103)

3.3.1 Cálculo de áreas em coordenadas polares

Notemos que a área de uma região plana R pode ser calculada pela integral dupla

A=∬R1⁢𝑑A. (3.104)

Logo, se R for uma região polar simples delimitada pelos raios θ=α, θ=β e pelas curvas polares r=r1⁢(θ) e r=r2⁢(θ), temos que sua área pode ser calculada pela integral dupla

A=∫αβ∫r1⁢(θ)r2⁢(θ)r⁢𝑑r⁢𝑑θ. (3.105)
Exemplo 3.3.2.

Vamos calcular a área delimitada pela rosácea r=sen⁡(2⁢θ). Consultemos a Figura 3.10 para a ilustração da rosácea.

Refer to caption
Figura 3.10: Rosácea r=sen⁡(2⁢θ).

Notemos que as quatro pétalas da rosácea são simétricas. Logo, podemos calcular a área de uma pétala e multiplicar o resultado por quatro. A integral dupla sobre a região polar R correspondente a uma pétala da rosácea é dada por

A=∫0π2∫0sen⁡(2⁢θ)r⁢𝑑r⁢𝑑θ (3.106)
=∫0π2[r22]r=0sen⁡(2⁢θ)dθ (3.107)
=12∫0π2sen2(2θ)dθ (3.108)
=12∫0π21−cos⁡(4⁢θ)2dθ (3.109)
=14[θ−sen⁡(4⁢θ)4]0π2 (3.110)
=14(π2−0−(0−0))=π8 (3.111)

Como a rosácea possui quatro pétalas, concluímos que a área total delimitada pela rosácea é dada por

A=4⋅π8=π2. (3.112)

3.3.2 Integrais de coordenadas cartesianas para polares

Em alguns casos, é conveniente calcular integrais duplas em coordenadas polares, mesmo que a função f⁢(x,y) esteja expressa em coordenadas cartesianas. Para isso, usamos o fato de que

∬Rf⁢(x,y)⁢𝑑A=∬Rf⁢(r⁢cos⁡(θ),r⁢sen⁡(θ))⁢r⁢𝑑r⁢𝑑θ. (3.113)
Exemplo 3.3.3.

Vamos calcular

∫02∫04−x2(x2+y2)⁢𝑑y⁢𝑑x. (3.114)

A região de integração consiste na região do primeiro quadrante limitada pela circunferência x2+y2=4 e pelos eixos coordenados. Em coordenadas polares, a região de integração é limitada pelos raios θ=0 e θ=π2 e pelas circunferências r=0 e r=2. Observamos, ainda, que a função f⁢(x,y)=x2+y2 pode ser expressa em coordenadas polares como

f⁢(r⁢cos⁡(θ),r⁢sen⁡(θ))=r2. (3.115)

Logo, a integral dupla sobre a região polar R é dada por

∬Rf⁢(x,y)⁢𝑑A=∫0π2∫02r2⁢r⁢𝑑r⁢𝑑θ (3.116)
=∫0π2∫02r3drdθ (3.117)
=∫0π2[r44]r=02dθ (3.118)
=∫0π24dθ (3.119)
=[4θ]0π2=4⋅π2−0=2π (3.120)

3.3.3 Exercícios

E. 3.3.1.

Calcule a integral dupla

∬R(x2+y2)⁢𝑑A, (3.121)

onde R é a região do primeiro quadrante limitada pela circunferência x2+y2=9 e pelos eixos coordenados.


81⁢π8.

E. 3.3.2.

Calcule a área da região polar limitada pelos raios θ=−π6 e θ=π3 e pelas curvas polares r=2 e r=2+2⁢cos⁡(θ).


2+5⁢32+π2.

E. 3.3.3.

Transforme para coordenadas polares e calcule a integral

∫01∫01−x2sen⁡(x2+y2)⁢𝑑y⁢𝑑x. (3.122)

π4⁢(1−cos⁡(1)).

E. 3.3.4.

Encontre o volume do sólido limitado abaixo pela região polar 0≤r≤2, 0≤θ≤π2 e acima pela superfície z=r⁢cos⁡(θ).


83.

E. 3.3.5.

Calcule o volume da função gaussiana z=e−(x2+y2) sobre a região limitada pela circunferência x2+y2=1.


π⁢(1−e−1).


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Pedro H A Konzen
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