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Na Subseção 4.3.2 definimos que um campo vetorial é conservativo se for o campo gradiente de uma função real , i.e. se existir uma função tal que
| (4.141) |
Se , então
| (4.142) |
Seja, agora, uma curva lisa parametrizada555 deve estar totalmente contida no domínio do campo conservativo. por
| (4.143) |
de a . A integral de linha de ao longo de é
| (4.144) | |||
| (4.145) | |||
| (4.146) |
Portanto, a integral de linha de um campo conservativo ao longo de uma curva depende apenas dos pontos inicial e final da curva e não do caminho percorrido, sendo que
| (4.147) |
ou, equivalentemente,
| (4.148) |
Seja . Primeiramente, vamos verificar se é conservativo. Buscamos uma função tal que
| (4.149) | |||
| (4.150) |
Integrando a primeira equação em relação a , obtemos
| (4.151) |
onde é uma função de apenas. Derivando em relação a , temos
| (4.152) |
Portanto, , o que implica que é uma constante. Assim, podemos escolher e temos que
| (4.153) |
Vamos agora calcular a integral de linha de ao longo de curvas diferentes que partem de e chegam em .
: o segmento de reta que parte de e chega em .
A curva pode ser parametrizada por
| (4.154) |
Assim, a integral de linha é
| (4.155) | |||
| (4.156) | |||
| (4.157) |
: o segmento de reta que parte de e chega em e depois o segmento de reta que parte de e chega em .
A curva pode ser particionada em duas sub-curvas e , onde é o segmento de reta que parte de e chega em e é o segmento de reta que parte de e chega em . Assim, temos que
| (4.158) |
A curva pode ser parametrizada por
| (4.159) |
Assim, a integral de linha ao longo de é
| (4.160) |
A curva pode ser parametrizada por
| (4.161) |
Assim, a integral de linha ao longo de é
| (4.162) | |||
| (4.163) |
Portanto, temos que
| (4.164) |
Os resultados obtidos para as integrais de linha ao longo das curvas e são iguais, o que era esperado, pois é conservativo. De (4.147), temos que
| (4.165) |
para qualquer curva lisa que parta de e chegue em .
Acima, mostramos que, se é conservativo, então a integral de linha de ao longo de uma curva depende apenas dos pontos inicial e final da curva. A recíproca também é verdadeira: se a integral de linha de ao longo de qualquer curva depende apenas dos pontos inicial e final da curva, então é conservativo. De fato, fixemos um ponto e definimos a função como
| (4.166) |
onde é qualquer curva lisa que parta de e chegue em , sempre com no domínio de . A função é bem definida, pois a integral de linha depende apenas dos pontos inicial e final da curva. Agora, esta integral de linha também é igual a
| (4.167) |
em que é uma curva , , e é uma curva , . Assim, temos que
| (4.168) | |||
| (4.169) | |||
| (4.170) |
Como é um ponto arbitrário, temos que
| (4.171) |
De forma, análoga, temos que
| (4.172) |
Portanto, , o que mostra que é conservativo.
Outro resultado importante é que, se é conservativo, então a integral de linha de ao longo de qualquer curva fechada é nula. De fato, seja uma curva fechada parametrizada por
| (4.173) |
com . Assim, temos que
| (4.174) |
A integral de linha do campo vetorial ao longo da circunferência do círculo é nula, pois é conservativo. De fato, a curva pode ser parametrizada por
| (4.175) |
Assim, a integral de linha é
| (4.176) | |||
| (4.177) | |||
| (4.178) | |||
| (4.179) | |||
| (4.180) |
Em resumo, temos que são equivalentes as seguintes afirmações:
é conservativo.
A integral de linha de ao longo de qualquer curva depende apenas dos pontos inicial e final da curva.
A integral de linha de ao longo de qualquer curva fechada é nula.
Seja um campo vetorial definido em um domínio aberto simplesmente conexo666De forma coloquial, uma região é dita ser simplesmente conexa quando é conexa e não contém buracos.. Assumimos, ainda, que e têm derivadas parciais contínuas em . Então, é conservativo se, e somente se,
| (4.181) |
para todo . De fato, a implicação é direta. Se é conservativo, então para alguma função . Assim, temos que
| (4.182) |
A recíproca também é verdadeira, mas a demonstração foge aos objetivos aqui.
Vamos verificar se o campo vetorial é conservativo. Temos que
| (4.183) | |||
| (4.184) |
Portanto, , o que mostra que é conservativo.
Os resultados apresentados acima podem ser estendidos para campos vetoriais no espaço. Seja um campo vetorial
| (4.185) |
conservativo com . Então, temos que
| (4.186) |
onde é uma curva lisa qualquer que parte de e chega em .
Também, assumindo as suavidades necessárias, temos que é conservativo se, e somente se,
| (4.187) | |||
| (4.188) | |||
| (4.189) |
ou, equivalentemente, quando o rotacional de é nulo, i.e.
| (4.190) |
O campo vetorial é conservativo. De fato, temos que
| (4.191) | |||
| (4.192) | |||
| (4.193) |
A função potencial , , pode ser obtida integrando em relação a , o que nos dá
| (4.194) |
onde é uma função de e . Derivando em relação a , temos
| (4.195) |
o que implica que , ou seja, é uma função de apenas. Derivando em relação a , temos
| (4.196) |
o que implica que , ou seja, é uma constante. Assim, podemos escolher e temos que
| (4.197) |
Com isso, podemos calcular a integral de linha de ao longo de qualquer curva que parta de um ponto e chegue em um ponto como
| (4.198) |
Por exemplo, se é a curva que parte de e chega em , então
| (4.199) |
Verifique!
Determine uma função potencial para o campo vetorial
| (4.200) |
Considere os campos vetoriais
| (4.201) | |||
| (4.202) |
Determine qual deles é conservativo. Para o campo conservativo, determine uma função potencial.
a) conservativo, ; b) não é conservativo.
Seja . Calcule para qualquer curva lisa que parte de e chega a .
Considere o campo vetorial e a circunferência unitária , percorrida no sentido anti-horário. Calcule e conclua se é conservativo.
, não é conservativo.
Verifique se o campo vetorial
| (4.203) |
é conservativo. Em caso afirmativo, determine uma função potencial e calcule a integral de linha ao longo de qualquer curva lisa que parte de e chega a .
Conservativo, com função potencial .
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