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Cálculo II

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2.3 Regra da cadeia

Sejam z=f⁢(x,y) função de duas variáveis, x=x⁢(t) e y=y⁢(t) funções de uma variável. Vamos calcular

d⁢zd⁢t=limΔ⁢t→0Δ⁢zΔ⁢t. (2.148)

Da teoria de diferenciais e aproximações lineares (Seção 2.2), temos que

Δ⁢z≈fx⁢(x,y)⁢Δ⁢x+fy⁢(x,y)⁢Δ⁢y, (2.149)

sendo que podemos escrever

Δ⁢zΔ⁢t≈fx⁢(x,y)⁢Δ⁢xΔ⁢t+fy⁢(x,y)⁢Δ⁢yΔ⁢t. (2.150)

E, tomando o limite quando Δ⁢t→0, temos a seguinte regra da cadeia

d⁢zd⁢t=fx⁢(x,y)⁢d⁢xd⁢t+fy⁢(x,y)⁢d⁢yd⁢t (2.151)

ou, equivalentemente,

d⁢zd⁢t=∂z∂x⁢d⁢xd⁢t+∂z∂y⁢d⁢yd⁢t. (2.152)
Exemplo 2.3.1.

Sejam z=x2⁢y−e−x⁢y, x=t2 e y=sen⁡(t). Vamos calcular d⁢zd⁢t usando:

  1. a)

    regra da cadeia

    d⁢zd⁢t=∂z∂x⁢d⁢xd⁢t+∂z∂y⁢d⁢yd⁢t (2.153)
    =(2xy+ye−x⁢y)(2t)+(x2+xe−x⁢y)cos(t) (2.154)
    =(2t2sen(t)+sen(t)e−t2⁢sen⁡(t))(2t)
    +(t4+t2⁢e−t2⁢sen⁡(t))⁢cos⁡(t) (2.155)
    =4t3sen(t)+t4cos(t)+(2tsen(t)+t2cos(t))e−t2⁢sen⁡(t). (2.156)
  2. b)

    substituição e derivação direta

    Substituindo x=t2 e y=sen⁡(t) em z=x2⁢y−e−x⁢y, temos

    z=t4⁢sen⁡(t)−e−t2⁢sen⁡(t). (2.157)

    Derivando em relação a t, temos

    d⁢zd⁢t=4⁢t3⁢sen⁡(t)+t4⁢cos⁡(t)+(2⁢t⁢sen⁡(t)+t2⁢cos⁡(t))⁢e−t2⁢sen⁡(t). (2.158)

Por raciocínio análogo, a regra da cadeia para uma função w=f⁢(x,y,z), com x=x⁢(t), y=y⁢(t) e z=z⁢(t), é

d⁢wd⁢t=∂w∂x⁢d⁢xd⁢t+∂w∂y⁢d⁢yd⁢t+∂w∂z⁢d⁢zd⁢t. (2.159)
Exemplo 2.3.2.

Sejam w=x2⁢y+ey⁢z+z3, x=t2, y=sen⁡(t) e z=cos⁡(t). Vamos calcular a derivada de w em relação a t usando a regra da cadeia.

d⁢wd⁢t=∂w∂x⁢d⁢xd⁢t+∂w∂y⁢d⁢yd⁢t+∂w∂z⁢d⁢zd⁢t (2.160)
=(2xy)(2t)+(x2+zey⁢z)cos(t)+(yey⁢z+3z2)(−sen(t)) (2.161)
=(2t2sen(t))(2t)+(t4+cos(t)esen⁡(t)⁢cos⁡(t))cos(t)
+(sen⁡(t)⁢esen⁡(t)⁢cos⁡(t)+3⁢cos2⁡(t))⁢(−sen⁡(t)) (2.162)
=4t3sen(t)+t4cos(t)−3cos2(t)sen(t)
+(cos2⁡(t)−sen2⁡(t))⁢esen⁡(t)⁢cos⁡(t). (2.163)

Verifique o resultado substituindo x=t2, y=sen⁡(t) e z=cos⁡(t) em w=x2⁢y+ey⁢z+z3 e derivando diretamente em relação a t.

Observação 2.3.1.(Variações de notação)

Há uma variedade de notações que podemos usar para expressar a regra da cadeia. Por exemplo, para z=f⁢(x,y), x=x⁢(t) e y=y⁢(t), podemos escrever

d⁢zd⁢t=∂z∂x⁢d⁢xd⁢t+∂z∂y⁢d⁢yd⁢t (2.164)
d⁢fd⁢t=∂f∂x⁢d⁢xd⁢t+∂f∂y⁢d⁢yd⁢t (2.165)
d⁢fd⁢t=fx⁢x′⁢(t)+fy⁢y′⁢(t) (2.166)

ou combinações dessas notações.

2.3.1 Regra da cadeia para derivadas parciais

Sejam z=f⁢(x,y), x=x⁢(u,v) e y=y⁢(u,v) funções de duas variáveis. A regra da cadeia para derivadas parciais é

∂z∂u=∂z∂x⁢∂x∂u+∂z∂y⁢∂y∂u, (2.168)
∂z∂v=∂z∂x⁢∂x∂v+∂z∂y⁢∂y∂v. (2.169)
Exemplo 2.3.3.

Sejam z=x2⁢y, x=u2+v2 e y=u−v. Aplicando a regra da cadeia para calcular a derivada parcial de z em relação a u, obtemos

∂z∂u=∂z∂x⁢∂x∂u+∂z∂y⁢∂y∂u (2.170)
=(2xy)(2u)+(x2)(1) (2.171)
=(2(u2+v2)(u−v))(2u)+(u2+v2)2 (2.172)
=4u(u2+v2)(u−v)+(u2+v2)2. (2.173)

Verifique o resultado substituindo x=u2+v2 e y=u−v em z=x2⁢y e derivando diretamente em relação a u.

Ainda, podemos usar a regra da cadeia para calcular a derivada parcial de z em relação a v, obtendo

∂z∂v=∂z∂x⁢∂x∂v+∂z∂y⁢∂y∂v (2.174)
=(2xy)(2v)+(x2)(−1) (2.175)
=(2(u2+v2)(u−v))(2v)+(u2+v2)2(−1) (2.176)
=4v(u2+v2)(u−v)−(u2+v2)2. (2.177)

Verifique o resultado substituindo x=u2+v2 e y=u−v em z=x2⁢y e derivando diretamente em relação a v.

Por raciocínio análogo, a regra da cadeia para derivadas parciais de uma função w=f⁢(x,y,z), com x=x⁢(u,v), y=y⁢(u,v) e z=z⁢(u,v), é

∂w∂u=∂w∂x⁢∂x∂u+∂w∂y⁢∂y∂u+∂w∂z⁢∂z∂u, (2.178)
∂w∂v=∂w∂x⁢∂x∂v+∂w∂y⁢∂y∂v+∂w∂z⁢∂z∂v. (2.179)
Exemplo 2.3.4.

Sejam w=ex⁢y⁢z, x=u+2⁢v, y=u−v e z=2⁢u+v. Aplicando a regra da cadeia para calcular a derivada parcial de w em relação a u, obtemos

∂w∂u=∂w∂x⁢∂x∂u+∂w∂y⁢∂y∂u+∂w∂z⁢∂z∂u (2.180)
=(yzex⁢y⁢z)(1)+(xzex⁢y⁢z)(1)+(xyex⁢y⁢z)(2) (2.181)
=[(u−v)(2u+v)+(u+2v)(2u+v)
+2(u+2v)(u−v)]e(u+2⁢v)⁢(u−v)⁢(2⁢u+v). (2.182)

Verifique o resultado substituindo x=u+2⁢v, y=u−v e z=2⁢u+v em w=ex⁢y⁢z e derivando diretamente em relação a u.

De forma análoga, podemos usar a regra da cadeia para calcular a derivada parcial de w em relação a v. Verifique!

Não é necessário que as funções x, y e z dependam das mesmas variáveis. Por exemplo, podemos ter x variável independente, y=y⁢(x) função de x. Neste caso, a regra da cadeia para a derivada parcial de z=f⁢(x,y) em relação a x é

d⁢zd⁢x=∂z∂x⁢d⁢xd⁢x+∂z∂y⁢d⁢yd⁢x (2.183)
=∂z∂x+∂z∂yd⁢yd⁢x. (2.184)
Exemplo 2.3.5.

Sejam z=x2⁢y+ex⁢y e y=sen⁡(x). Aplicando a regra da cadeia para calcular a derivada parcial de z em relação a x, obtemos

d⁢zd⁢x=∂z∂x+∂z∂y⁢d⁢yd⁢x (2.185)
=(2xy+yex⁢y)+(x2+xex⁢y)cos(x) (2.186)
=(2xsen(x)+sen(x)ex⁢sen⁡(x))+(x2+xex⁢sen⁡(x))cos(x). (2.187)

2.3.2 Derivação implícita

Uma aplicação da regra da cadeia é a derivação de funções definidas implicitamente. Por exemplo, suponha que a equação

f⁢(x,y)=0 (2.188)

defina y como uma função de x. Então, derivando ambos os lados da equação em relação a x, temos

dd⁢x⁢f⁢(x,y)=0 (2.189)
∂f∂x+∂f∂y⁢d⁢yd⁢x=0. (2.190)

E, quando ∂f/∂y≠0, podemos isolar d⁢y/d⁢x, obtendo

d⁢yd⁢x=−∂f∂x∂f∂y. (2.191)
Exemplo 2.3.6.

Vamos determinar o ângulo de inclinação da reta tangente à circunferência x2+y2=1 no ponto (12,32). A equação da circunferência pode ser escrita como

f⁢(x,y)=x2+y2−1=0, (2.192)

e define implicitamente y como uma função de x. Derivando ambos os lados da equação em relação a x, temos

dd⁢x⁢f⁢(x,y)=0 (2.193)
∂f∂x+∂f∂y⁢d⁢yd⁢x=0 (2.194)
2⁢x+2⁢y⁢d⁢yd⁢x=0 (2.195)
d⁢yd⁢x=−xy. (2.196)

Avaliando a derivada no ponto (12,32), temos

d⁢yd⁢x|(12,32)=−1232 (2.197)
=−33. (2.198)

O ângulo de inclinação da reta tangente à circunferência no ponto (12,32) é

θ=arctan⁡(−33)=−π6. (2.199)

Assumimos, agora, que a equação

f⁢(x,y,z)=0 (2.200)

define z como uma função de x e y. Então, a derivada parcial de z em relação a x pode ser calculada como segue

∂∂x⁢f⁢(x,y,z)=0 (2.201)
∂f∂x+∂f∂z⁢∂z∂x=0 (2.202)
∂z∂x=−∂f∂x∂f∂z, (2.203)

quando ∂f/∂z≠0. De forma análoga, a derivada parcial de z em relação a y é

∂z∂y=−∂f∂y∂f∂z, (2.204)

quando ∂f/∂z≠0. Verifique!

Exemplo 2.3.7.

Seja a equação da elipsoide 4⁢x2+9⁢y2+36⁢z2=36. A derivada parcial de z em relação a x é

∂∂x⁢(4⁢x2+9⁢y2+36⁢z2−36)=0 (2.205)
8⁢x+72⁢z⁢∂z∂x=0 (2.206)
∂z∂x=−8⁢x72⁢z=−x9⁢z. (2.207)

A derivada parcial de z em relação a y é

∂z∂y=−18⁢y72⁢z=−y4⁢z. (2.208)

Verifique!

2.3.3 Exercícios

E. 2.3.1.

Sejam z=x⁢y2, x=t3 e y=t2. Calcule d⁢zd⁢t usando a regra da cadeia.


d⁢zd⁢t=7⁢t6

E. 2.3.2.

Sejam

w=x2+y2+z2, (2.209)

com x=cos⁡(θ), y=sen⁡(θ) e z=tg⁡(θ). Use a regra da cadeia para calcular d⁢w/d⁢θ no ponto θ=π/6.


d⁢wd⁢θ|θ=π/6=43

E. 2.3.3.

Sejam z=x⁢e−x⁢y, x=u−2⁢v e y=3⁢u⁢v. Use a regra da cadeia para calcular ∂z∂u e ∂z∂v.


∂z∂u=(−6⁢v⁢(u−2⁢v)⁢(u−v)+1)⁢e−3⁢u⁢v⁢(u−2⁢v)

∂z∂v=(3⁢u⁢(4⁢v−u)⁢(u−2⁢v)−2)⁢e−3⁢u⁢v⁢(u−2⁢v)

E. 2.3.4.

Sejam w=x2⁢y+y⁢z, x=u+v, y=u−2⁢v e z=u/v. Use a regra da cadeia para calcular ∂w∂u e ∂w∂v.


∂w∂u=2⁢u2+2⁢uv−3⁢v2−2, ∂w∂v=−u2v2−6⁢u⁢v−6⁢v2

E. 2.3.5.

Sejam w=x2−y2+z2, com x=ρ⁢sen⁡(ϕ)⁢cos⁡(θ), y=ρ⁢sen⁡(ϕ)⁢sen⁡(θ) e z=ρ⁢cos⁡(ϕ). Use a regra da cadeia para calcular ∂w∂ρ, ∂w∂ϕ e ∂w∂θ.


∂z∂ρ=−4⁢ρ⁢sen2⁡(ϕ)⁢sen2⁡(θ)+2⁢ρ, ∂z∂ϕ=2⁢ρ2⁢(cos⁡(2⁢θ)−1)⁢sen⁡(ϕ)⁢cos⁡(ϕ), ∂z∂θ=−4⁢ρ2⁢sen2⁡(ϕ)⁢sen⁡(θ)⁢cos⁡(θ)

E. 2.3.6.

Sejam w=x⁢z+x⁢y⁢z, y=cos⁡(x), z=e−x. Use a regra da cadeia para calcular d⁢wd⁢x.


d⁢wd⁢x=−x⁢e−x⁢sen⁡(x)−x⁢e−x⁢cos⁡(x)−x⁢e−x+e−x⁢cos⁡(x)+e−x

E. 2.3.7.

Dada a equação

x2+y⁢x3−3=0, (2.211)

calcule d⁢yd⁢x usando derivação implícita.


d⁢yd⁢x=−2⁢x+3⁢x2⁢yx3

E. 2.3.8.

Dada a equação

x2−y2=1−z2, (2.212)

calcule ∂z∂x e ∂z∂y usando derivação implícita.


∂z∂x=−xz, ∂z∂y=yz


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Pedro H A Konzen
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