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As derivadas parciais de uma função nos dão a taxa de variação da função em relação a cada uma das variáveis independentes. Aqui, vamos generalizar o conceito de derivada para uma direção arbitrária. Consultemos a Figura 2.4.
Sejam uma função de duas variáveis e um vetor unitário. A derivada direcional de na direção e sentido de é definida por
| (2.213) | |||
| (2.214) |
Geometricamente, a derivada direcional de na direção de e no ponto é a inclinação da reta tangente à curva de interseção da superfície com o plano que contém o ponto e é paralelo ao vetor . Consultemos novamente a Figura 2.4. Conceitualmente, é a taxa de variação instantânea da função na direção e sentido do vetor .
Sejam e o vetor unitário . Vamos calcular a derivada direcional de na direção de no ponto . Temos
| (2.215) | |||
| (2.216) | |||
| (2.217) | |||
| (2.218) | |||
| (2.219) |
Se for diferenciável no ponto , podemos calcular a derivada direcional de na direção de usando a regra da cadeia. De fato, temos , com e . Aplicando a regra da cadeia, temos
| (2.220) | |||
| (2.221) | |||
| (2.222) |
Para um ponto arbitrário, concluímos que
| (2.223) |
Voltando ao exemplo anterior, vamos calcular a derivada direcional de na direção de no ponto usando (2.223). Temos
| (2.224) | |||
| (2.225) | |||
| (2.226) |
Avaliando no ponto , temos
| (2.227) |
que é o resultado esperado.
Para uma função , definimos a derivada direcional de na direção e sentido de um vetor unitário como
| (2.228) |
A generalização para funções de mais variáveis segue o mesmo raciocínio.
Vamos calcular a derivada direcional de na direção e sentido de . Primeiro, vamos normalizar o vetor , obtendo
| (2.229) | |||
| (2.230) | |||
| (2.231) |
Por fim, calculamos a derivada direcional de na direção e sentido de , obtendo
| (2.232) | |||
| (2.233) | |||
| (2.234) | |||
| (2.235) |
Definimos o gradiente de uma função como o vetor
| (2.237) |
Seja . O gradiente de é
| (2.238) | |||
| (2.239) | |||
| (2.240) |
Observemos que a derivada direcional de na direção e sentido de um vetor unitário pode ser escrita como o produto escalar do gradiente de com o vetor , i.e.,
| (2.241) |
Vamos calcular a derivada direcional de na direção e sentido de . Temos que o gradiente de é
| (2.242) |
Então, a derivada direcional de na direção e sentido de é
| (2.243) | |||
| (2.244) | |||
| (2.245) | |||
| (2.246) |
Para funções de mais variáveis, definimos o gradiente de forma análoga. Por exemplo, para uma função , definimos o gradiente de como
| (2.247) |
O gradiente de é
| (2.248) | |||
| (2.249) |
O gradiente de uma função no ponto é um vetor que aponta na direção e sentido de maior crescimento da função neste ponto. Consultemos a Figura 2.5.
De fato, temos que a derivada direcional de na direção e sentido de um vetor unitário é
| (2.250) | |||
| (2.251) | |||
| (2.252) |
onde é o ângulo entre o vetor e o vetor . A derivada direcional de é máxima quando , i.e., quando tem a mesma direção e sentido do vetor . Neste caso, a derivada direcional de é
| (2.253) |
Por argumentação análoga, temos as seguintes propriedades do gradiente de uma função :
Se em , então todas as derivadas direcionais de são nulas neste ponto.
Se em , então, neste ponto, a derivada direcional de é máxima na direção e sentido do vetor .
Se em , então, neste ponto, a derivada direcional de é mínima na direção e sentido opostos ao vetor .
Seja . Vamos determinar a direção e sentido de maior crescimento da função no ponto e calcularemos a inclinação da superfície nesta direção e sentido.
A direção e sentido de maior crescimento da função no ponto é dada pelo vetor gradiente de neste ponto. Calculamos o gradiente de
| (2.254) | |||
| (2.255) |
Avaliando o gradiente no ponto , temos
| (2.256) |
A inclinação da superfície na direção e sentido do gradiente é a norma do vetor gradiente neste ponto, i.e.,
| (2.257) |
Outra propriedade importante é que os gradientes são normais às curvas de nível de uma função. Consultemos a Figura 2.6.
De fato, seja uma função diferenciável e a curva de nível de definida por
| (2.258) |
com constante. Derivando ambos os lados da equação em relação a , temos
| (2.259) | |||
| (2.260) | |||
| (2.261) |
O vetor tangente à curva de nível no ponto é dado por
| (2.262) | |||
| (2.263) |
O vetor gradiente de no ponto é
| (2.264) |
Calculando o produto escalar entre o vetor tangente à curva de nível e o vetor gradiente de no ponto , temos
| (2.265) |
Calcule a derivada direcional de na direção e sentido de no ponto .
Seja .
Calcule o gradiente de no ponto .
Calcule a derivada direcional de na direção e sentido de no ponto .
a) . b) .
Calcule o gradiente de e a derivada direcional de na direção e sentido de no ponto .
. .
Seja .
Determine a direção e sentido de maior crescimento de no ponto .
Calcule a taxa máxima de crescimento de neste ponto.
Determine a direção e sentido de menor crescimento de no ponto .
a) . b) .
Seja . Considere a curva de nível de que passa pelo ponto .
Determine a curva de nível.
Calcule o gradiente de no ponto .
Determine o vetor tangente à curva de nível no ponto e verifique que ele é ortogonal ao gradiente.
a) . b) . c) . De fato, .
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