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Cálculo II

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2.4 Derivada direcional e gradiente

2.4.1 Derivadas direcionais

As derivadas parciais de uma função f(x,y) nos dão a taxa de variação da função em relação a cada uma das variáveis independentes. Aqui, vamos generalizar o conceito de derivada para uma direção arbitrária. Consultemos a Figura 2.4.

Refer to caption
Figura 2.4: Derivada direcional de f na direção de 𝒖.

Sejam f(x,y) uma função de duas variáveis e 𝒖=u1𝒊+u2𝒋 um vetor unitário. A derivada direcional de f na direção e sentido de 𝒖 é definida por

D𝒖f(x,y)=lims0f(x+su1,y+su2)f(x,y)s (2.213)
=ddsf(x+su1,y+su2)|s=0. (2.214)

Geometricamente, a derivada direcional de f na direção de 𝒖 e no ponto (x0,y0) é a inclinação da reta tangente à curva de interseção da superfície z=f(x,y) com o plano que contém o ponto (x0,y0,f(x0,y0)) e é paralelo ao vetor 𝒖. Consultemos novamente a Figura 2.4. Conceitualmente, é a taxa de variação instantânea da função f na direção e sentido do vetor 𝒖.

Exemplo 2.4.1.

Sejam f(x,y)=2x2y2 e o vetor unitário 𝒖=22𝒊+22𝒋. Vamos calcular a derivada direcional de f na direção de 𝒖 no ponto (1,1). Temos

D𝒖f(1,1)=dds[f(1+s22,1+s22)]|s=0 (2.215)
=dds[2(1+s22)2(1+s22)2]|s=0 (2.216)
=dds[22(1+s22)2]|s=0 (2.217)
=22(1+s22)|s=0 (2.218)
=22. (2.219)

Se f for diferenciável no ponto (x0,y0), podemos calcular a derivada direcional de f na direção de 𝒖 usando a regra da cadeia. De fato, temos f(x,y)=f(x(s),y(s)), com x(s)=x0+su1 e y(s)=y0+su2. Aplicando a regra da cadeia, temos

D𝒖f(x0,y0)=dfds|s=0 (2.220)
=fxdxds+fydyds|s=0 (2.221)
=fxu1+fyu2|(x0,y0). (2.222)

Para um ponto arbitrário, concluímos que

D𝒖f(x,y)=fxu1+fyu2. (2.223)
Exemplo 2.4.2.

Voltando ao exemplo anterior, vamos calcular a derivada direcional de f(x,y)=2x2y2 na direção de 𝒖=22𝒊+22𝒋 no ponto (1,1) usando (2.223). Temos

D𝒖f(x,y)=fx(x,y)u1+fy(x,y)u2 (2.224)
=(2x)22+(2y)22 (2.225)
=2(x+y). (2.226)

Avaliando no ponto (1,1), temos

D𝒖f(1,1)=2(1+1)=22, (2.227)

que é o resultado esperado.

Para uma função f(x,y,z), definimos a derivada direcional de f na direção e sentido de um vetor unitário 𝒖=u1𝒊+u2𝒋+u3𝒌 como

D𝒖f(x,y,z)=fx(x,y,z)u1+fy(x,y,z)u2+fz(x,y,z)u3. (2.228)

A generalização para funções de mais variáveis segue o mesmo raciocínio.

Exemplo 2.4.3.

Vamos calcular a derivada direcional de f(x,y,z)=x2yexy+z2 na direção e sentido de 𝒗=𝒊2𝒋+2𝒌. Primeiro, vamos normalizar o vetor 𝒗, obtendo

𝒖=𝒗𝒗 (2.229)
=𝒊2𝒋+2𝒌12+(2)2+22 (2.230)
=13𝒊23𝒋+23𝒌. (2.231)

Por fim, calculamos a derivada direcional de f na direção e sentido de 𝒖, obtendo

D𝒖f(x,y,z)=fx(x,y,z)u1+fy(x,y,z)u2+fz(x,y,z)u3 (2.232)
=(2xy+yexy)13+(x2+xexy)(23)+2z(23) (2.233)
=13(2xy+yexy)23(x2+xexy)+43z (2.234)
=23xy+13yexy23x223xexy+43z (2.235)

2.4.2 Gradiente

Definimos o gradiente de uma função f(x,y) como o vetor

f(x,y)=fx(x,y)𝒊+fy(x,y)𝒋. (2.237)
Exemplo 2.4.4.

Seja f(x,y)=2x2y2. O gradiente de f é

f(x,y)=fx(x,y)𝒊+fy(x,y)𝒋 (2.238)
=(2x)𝒊+(2y)𝒋 (2.239)
=2x𝒊2y𝒋. (2.240)

Observemos que a derivada direcional de f na direção e sentido de um vetor unitário 𝒖 pode ser escrita como o produto escalar do gradiente de f com o vetor 𝒖, i.e.,

D𝒖f(x,y)=f(x,y)𝒖. (2.241)
Exemplo 2.4.5.

Vamos calcular a derivada direcional de f(x,y)=2x2y2 na direção e sentido de 𝒖=22𝒊+22𝒋. Temos que o gradiente de f é

f(x,y)=2x𝒊2y𝒋. (2.242)

Então, a derivada direcional de f na direção e sentido de 𝒖 é

D𝒖f(x,y)=f(x,y)𝒖 (2.243)
=(2x𝒊2y𝒋)(22𝒊+22𝒋) (2.244)
=2x2y (2.245)
=2(x+y). (2.246)

Para funções de mais variáveis, definimos o gradiente de forma análoga. Por exemplo, para uma função f(x,y,z), definimos o gradiente de f como

f(x,y,z)=fx(x,y,z)𝒊+fy(x,y,z)𝒋+fz(x,y,z)𝒌. (2.247)
Exemplo 2.4.6.

O gradiente de f(x,y,z)=x2yexy+z2 é

f(x,y,z)=fx(x,y,z)𝒊+fy(x,y,z)𝒋+fz(x,y,z)𝒌 (2.248)
=(2xy+yexy)𝒊+(x2+xexy)𝒋+(2z)𝒌. (2.249)

2.4.3 Propriedades do gradiente

O gradiente de uma função f(x,y) no ponto (x0,y0) é um vetor que aponta na direção e sentido de maior crescimento da função f neste ponto. Consultemos a Figura 2.5.

Refer to caption
Figura 2.5: O gradiente de f no ponto (x0,y0) aponta na direção e sentido de maior crescimento da função f.

De fato, temos que a derivada direcional de f na direção e sentido de um vetor unitário 𝒖 é

D𝒖f(x0,y0)=f(x0,y0)𝒖 (2.250)
=f(x0,y0)𝒖cos(θ) (2.251)
=f(x0,y0)cos(θ), (2.252)

onde θ é o ângulo entre o vetor f(x0,y0) e o vetor 𝒖. A derivada direcional de f é máxima quando θ=0, i.e., quando 𝒖 tem a mesma direção e sentido do vetor f(x0,y0). Neste caso, a derivada direcional de f é

D𝒖f(x0,y0)=f(x0,y0). (2.253)

Por argumentação análoga, temos as seguintes propriedades do gradiente de uma função f:

  1. a)

    Se f=𝟎 em P(x,y), então todas as derivadas direcionais de f são nulas neste ponto.

  2. b)

    Se f𝟎 em P(x,y), então, neste ponto, a derivada direcional de f é máxima na direção e sentido do vetor f.

  3. c)

    Se f𝟎 em P(x,y), então, neste ponto, a derivada direcional de f é mínima na direção e sentido opostos ao vetor f.

Exemplo 2.4.7.

Seja f(x,y)=xyexy. Vamos determinar a direção e sentido de maior crescimento da função f no ponto (1,0) e calcularemos a inclinação da superfície z=f(x,y) nesta direção e sentido.

A direção e sentido de maior crescimento da função f no ponto (1,0) é dada pelo vetor gradiente de f neste ponto. Calculamos o gradiente de f

f(x,y)=fx(x,y)𝒊+fy(x,y)𝒋 (2.254)
=(y+yexy)𝒊+(x+xexy)𝒋. (2.255)

Avaliando o gradiente no ponto (1,0), temos

f(1,0)=0𝒊+2𝒋=2𝒋. (2.256)

A inclinação da superfície z=f(x,y) na direção e sentido do gradiente é a norma do vetor gradiente neste ponto, i.e.,

f(1,0)=2𝒋=2. (2.257)
Refer to caption
Figura 2.6: O gradiente de f no ponto (x0,y0) é normal à curva de nível de f que passa por este ponto.

Outra propriedade importante é que os gradientes são normais às curvas de nível de uma função. Consultemos a Figura 2.6.

De fato, seja f(x,y) uma função diferenciável e C a curva de nível de f definida por

f(x,y)=k, (2.258)

com k constante. Derivando ambos os lados da equação em relação a x, temos

ddxf(x,y)=0 (2.259)
fx+fydydx=0 (2.260)
dydx=fxfy. (2.261)

O vetor tangente à curva de nível C no ponto (x0,y0) é dado por

𝒕=𝒊+dydx|(x0,y0)𝒋 (2.262)
=𝒊fxfy|(x0,y0)𝒋. (2.263)

O vetor gradiente de f no ponto (x0,y0) é

f(x0,y0)=fx|(x0,y0)𝒊+fy|(x0,y0)𝒋. (2.264)

Calculando o produto escalar entre o vetor tangente à curva de nível C e o vetor gradiente de f no ponto (x0,y0), temos

f(x0,y0)𝒕=fx|(x0,y0)fx|(x0,y0)=0. (2.265)

2.4.4 Exercícios

E. 2.4.1.

Calcule a derivada direcional de f(x,y)=x2+2xyy2 na direção e sentido de 𝒗=3𝒊+4𝒋 no ponto (1,1).


D𝒖f(1,1)=165

E. 2.4.2.

Seja f(x,y)=ln(x2+y2).

  1. a)

    Calcule o gradiente de f no ponto (1,2).

  2. b)

    Calcule a derivada direcional de f na direção e sentido de 𝒗=𝒊𝒋 no ponto (1,2).


a) f(1,2)=25𝒊+45𝒋. b) D𝒖f(1,2)=25.

E. 2.4.3.

Calcule o gradiente de f(x,y,z)=x2yz e a derivada direcional de f na direção e sentido de 𝒗=𝒊2𝒋+2𝒌 no ponto (2,1,1).


f(2,1,1)=4𝒊4𝒋+4𝒌. D𝒖f(2,1,1)=4.

E. 2.4.4.

Seja f(x,y)=x2y+y3.

  1. a)

    Determine a direção e sentido de maior crescimento de f no ponto (1,2).

  2. b)

    Calcule a taxa máxima de crescimento de f neste ponto.

  3. c)

    Determine a direção e sentido de menor crescimento de f no ponto (1,2).


a) f(1,2)=4𝒊+13𝒋. b) f(1,2)=4𝒊13𝒋.

E. 2.4.5.

Seja f(x,y)=x2xy+y2. Considere a curva de nível de f que passa pelo ponto (1,1).

  1. a)

    Determine a curva de nível.

  2. b)

    Calcule o gradiente de f no ponto (1,1).

  3. c)

    Determine o vetor tangente à curva de nível no ponto (1,1) e verifique que ele é ortogonal ao gradiente.


a) x2xy+y2=1. b) f(1,1)=𝒊+𝒋. c) 𝒕=𝒊𝒋. De fato, f(1,1)𝒕=0.


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Pedro H A Konzen
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