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Seja . Definimos o plano tangente à superfície no ponto como
| (2.108) |
A Figura 2.3 ilustra o plano tangente à superfície no ponto .
O plano tangente é o plano determinado pelas retas tangentes à superfície na direção do eixo e na direção do eixo no ponto . De fato, a reta tangente à superfície na direção do eixo no ponto tem equação
| (2.109) |
e a reta tangente à superfície na direção do eixo neste mesmo ponto tem equação
| (2.110) |
Lembremos que um plano fica determinado por seus vetores diretores e por um ponto de ancoragem. Com isso, escolhendo
| (2.111) | |||
| (2.112) |
e como um ponto de ancoragem do plano, temos a equação do plano fica determinada por
| (2.113) |
onde é um ponto qualquer do plano e é o produto misto de vetores. Calculamos
| (2.114) | |||
| (2.115) | |||
| (2.116) |
donde concluímos que a equação do plano tangente é dada por (2.108).
Seja . A derivada parcial de em relação a é e a derivada parcial de em relação a é . No ponto , temos
| (2.117) | |||
| (2.118) | |||
| (2.119) |
Portanto, o plano tangente à superfície no ponto é
| (2.120) |
Assim, temos que o plano tangente a superfície no ponto é
| (2.121) |
Verifique!
A linearização de uma função no ponto é a função linear
| (2.122) |
i.e., a função que representa o plano tangente à superfície no ponto . Voltando a Figura 2.3, temos lá que o plano tangente à superfície é a representação gráfica da linearização de no ponto . Vamos denotar o erro em se aproximar por por .
Seja . A linearização de no ponto é
| (2.123) | |||
| (2.124) |
Donde concluímos que . A Tabela 2.1 apresenta um estudo do comportamento do erro em se aproximar por sua linearização .
| 2.00 | 2.00 | 2.12 | -6.00 | -1.50 | 4.50 |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.00 | 1.00 | 0.71 | 0.00 | 0.50 | 0.50 |
| 0.75 | 0.75 | 0.35 | 0.87 | 1.00 | 0.13 |
| 0.60 | 0.60 | 0.14 | 1.28 | 1.30 | 0.02 |
| 0.50 | 0.50 | 0.00 | 1.50 | 1.50 | 0.00 |
Dizemos que uma função é diferenciável no ponto quando existem as derivadas parciais e e
| (2.125) |
com , e .
Vamos verificar se é diferenciável no ponto . Temos que
| (2.126) | |||
| (2.127) | |||
| (2.128) |
Agora, calculando o limite
| (2.129) | |||
| (2.130) | |||
| (2.131) | |||
| (2.132) | |||
| (2.133) | |||
| (2.134) |
Portanto, é diferenciável no ponto .
A definição de diferenciabilidade de uma função de várias variáveis é uma generalização da definição acima (2.125). Por exemplo, uma função é diferenciável no ponto quando existem as derivadas parciais , e e
| (2.135) |
com , , e .
Uma função é dita ser diferenciável em toda parte (de seu domínio) quando ela é diferenciável em todos os pontos de seu domínio. Por exemplo, a função é diferenciável em toda parte. Verifique!
Se uma função é diferenciável em um ponto , então ela é contínua nesse ponto.
Consultemos o E.2.2.6. ∎
A recíproca do Teorema 2.2.1 não é verdadeira. Por exemplo, a função é contínua no ponto (verifique!), mas não é diferenciável nesse ponto. De fato, temos que
| (2.136) | |||
| (2.137) |
sendo que e não existem. Portanto, não é diferenciável no ponto .
Se todas as derivadas parciais de primeira ordem de uma função são contínuas em um ponto , então é diferenciável nesse ponto.
A demonstração deste teorema foge do escopo destas notas de aula. Para a demonstração, consulte [2]. ∎
A função
| (2.138) |
é diferenciável em toda parte, pois suas derivadas parciais de primeira ordem são
| (2.139) | |||
| (2.140) | |||
| (2.141) |
que são funções contínuas em toda parte (verifique!).
Motivadas/os pelo que vimos até aqui nesta seção, definimos a diferencial total de uma função por
| (2.142) |
onde e são incrementos infinitesimais de e , respectivamente.
Uma aplicação da diferencial total é a estimativa de variação de uma função, i.e., .
Seja o volume de um paralelepípedo de base quadrada de lado e altura . A diferencial total de é
| (2.143) |
Suponha que e . Se aumenta e aumenta , então a variação estimada do volume é
| (2.144) |
Observemos que o valor real da variação do volume é
| (2.145) | |||
| (2.146) |
O que é muito próximo do valor estimado pelo diferencial total .
Para funções de várias variáveis, a diferencial total é definida de maneira análoga. Por exemplo, a diferencial total de uma função é
| (2.147) |
onde , e são incrementos infinitesimais de , e , respectivamente.
Para cada uma das funções abaixo, determine o plano tangente à superfície no ponto .
,
,
,
,
a) . b) . c) . e) .
Para cada uma das funções abaixo, determine a linearização de no ponto .
,
,
,
a) . b) . c) .
Em cada item abaixo, use uma linearização apropriada para estimar o valor da função no ponto indicado.
, ?
, ?
a) . b) .
Calcule a diferencial total de cada uma das funções abaixo.
a) . b) . c) .
Em cada item abaixo, use da diferencial total para estimar a variação da função quando e variam de acordo com os valores indicados.
, aumenta de para e diminui de para .
, aumenta de para e aumenta de para .
a) . b) .
Mostre que se é diferenciável no ponto , então ela é contínua nesse ponto.
Dica: basta mostrar que .
Aproveito para agradecer a todas/os que de forma assídua ou esporádica contribuem enviando correções, sugestões e críticas!

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