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Cálculo II

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2.5 Máximos e mínimos

Um ponto (x0,y0) é um mínimo local de uma função f⁢(x,y) se f⁢(x0,y0)≤f⁢(x,y) para todos os pontos (x,y) em uma vizinhança aberta de (x0,y0). Analogamente, um ponto (x0,y0) é um máximo local de uma função f⁢(x,y) se f⁢(x0,y0)≥f⁢(x,y) para todos os pontos (x,y) em uma vizinhança aberta de (x0,y0). Os máximos e mínimos locais de uma função f⁢(x,y) são chamados de extremos locais111Extremos locais também são chamados de extremos relativos. de f. Consultemos a Figura 2.7.

Refer to caption
Figura 2.7: O ponto (xm,ym) é um mínimo local de f⁢(x,y) e o ponto (xM,yM) é um máximo local de f⁢(x,y).

Um ponto de máximo global de uma função f⁢(x,y) é um ponto (x0,y0) tal que f⁢(x0,y0)≥f⁢(x,y) para todos os pontos do domínio de f. Analogamente, um ponto de mínimo global da função é um ponto (x0,y0) tal que f⁢(x0,y0)≤f⁢(x,y) para todos os pontos do domínio de f. Pontos de máximo e mínimo global são chamados de extremos globais222Extremos globais também são chamados de extremos absolutos. de f.

Teorema 2.5.1.(Teorema do valor extremo)

Se f⁢(x,y) é contínua em uma região fechada e limitada R, então f possui um máximo global e um mínimo global em R.

Demonstração.

A demonstração foge aos objetivos destas notas de aula. Consulte, por exemplo, [2]. ∎

Notemos que é esperado que as retas tangentes à uma superfície suave z=f⁢(x,y) em um ponto extremo local sejam horizontais em qualquer direção. Consultemos a Figura 2.8. Tendo em vista que a derivada direcional de f na direção e sentido de um vetor unitário 𝒖 é dada por

D𝒖⁢f⁢(x,y)=∇f⁢(x,y)⋅𝒖, (2.266)

temos que para que as retas tangentes à superfície sejam horizontais, basta que o vetor gradiente de f seja nulo no ponto extremo local.

Refer to caption
Figura 2.8: As retas tangentes à superfície z=f⁢(x,y) em um ponto extremo local são horizontais em qualquer direção.
Teorema 2.5.2.

Se f⁢(x,y) possui um extremo local em (x0,y0) e se as derivadas parciais de f existem neste ponto, então

fx⁢(x0,y0)=0, (2.267)
fy⁢(x0,y0)=0. (2.268)
Demonstração.

A demonstração foge aos objetivos destas notas de aula. Consulte, por exemplo, [2]. ∎

Exemplo 2.5.1.(Recíproca não é verdadeira)

Considere a função f⁢(x,y)=x2−y2. Temos que

fx⁢(x,y)=2⁢x, (2.269)
fy⁢(x,y)=−2⁢y. (2.270)

O ponto (0,0) satisfaz fx⁢(0,0)=0 e fy⁢(0,0)=0, mas não é um ponto extremo local de f. Trata-se de um ponto de sela, como podemos verificar na Figura 2.9.

Refer to caption
Figura 2.9: O ponto (0,0) é um ponto de sela da superfície z=f⁢(x,y)=x2−y2.

Temos, portanto, que a condição fx⁢(x0,y0)=0 e fy⁢(x0,y0)=0 é necessária, mas não suficiente, para que (x0,y0) seja um ponto extremo local de f. Ainda, se uma ou ambas as derivadas parciais de f não existem em (x0,y0), então (x0,y0) também pode ser um ponto extremo local de f.

Exemplo 2.5.2.

A função f⁢(x,y)=x2+y2 possui um mínimo local em (0,0), mas as derivadas parciais de f não existem neste ponto. Consultemos a Figura 2.10.

Refer to caption
Figura 2.10: A função f⁢(x,y)=x2+y2 representa um cone com vértice em (0,0), que possui um mínimo local em (0,0), mas as derivadas parciais de f não existem neste ponto.

Com base nas observações acima, definimos um ponto crítico de uma função f⁢(x,y) como um ponto (x0,y0) tal que fx⁢(x0,y0)=0 e fy⁢(x0,y0)=0 ou tal que uma ou ambas as derivadas parciais de f não existem em (x0,y0).

Teorema 2.5.3.

Se uma função f⁢(x,y) tiver um extremo global em um ponto interior de seu domínio, então este ponto é um ponto crítico de f.

2.5.1 Teste da segunda derivada

O seguinte teorema fornece um teste para classificar os pontos críticos de uma função f⁢(x,y).

Teorema 2.5.4.(Teste da segunda derivada)

Seja f⁢(x,y) uma função com derivadas parciais de segunda ordem contínuas em uma vizinhança de um ponto crítico (x0,y0). Definimos

D=fx⁢x⁢(x0,y0)⁢fy⁢y⁢(x0,y0)−fx⁢y2⁢(x0,y0). (2.271)

Então, temos:

  1. a)

    Se D>0 e fx⁢x⁢(x0,y0)>0, então f possui um mínimo local em (x0,y0).

  2. b)

    Se D>0 e fx⁢x⁢(x0,y0)<0, então f possui um máximo local em (x0,y0).

  3. c)

    Se D<0, então (x0,y0) é um ponto de sela de f.

  4. d)

    Se D=0, o teste é inconclusivo.

Demonstração.

A demonstração foge aos objetivos destas notas de aula. Consulte, por exemplo, [2]. ∎

Exemplo 2.5.3.

Vamos localizar e classificar todos os pontos críticos da função

f⁢(x,y)=x2+x⁢y−3⁢x+y2+3. (2.272)

Consultemos o gráfico da superfície z=f⁢(x,y) é apresentado na Figura 2.11.

Refer to caption
Figura 2.11: Gráfico da superfície z=f⁢(x,y)=x2+x⁢y−3⁢x+y2+3. O ponto crítico (2,−1) é um mínimo local de f.

Calculamos as derivadas parciais de primeira ordem de f

fx⁢(x,y)=2⁢x+y−3, (2.273)
fy⁢(x,y)=x+2⁢y. (2.274)

Como ambas são contínuas, os pontos críticos são obtidos igualando as derivadas parciais a zero, obtendo o sistema

2⁢x+y−3=0, (2.275)
x+2⁢y=0. (2.276)

Resolvendo o sistema, obtemos x=2 e y=−1 (verifique). Portanto, (2,−1) é o único ponto crítico de f. Para classificá-lo, calculamos as derivadas parciais de segunda ordem de f

fx⁢x⁢(x,y)=2, (2.277)
fy⁢y⁢(x,y)=2, (2.278)
fx⁢y⁢(x,y)=1. (2.279)

Avaliando no ponto crítico (2,−1), temos

D=fx⁢x⁢(2,−1)⁢fy⁢y⁢(2,−1)−fx⁢y2⁢(2,−1) (2.280)
=2⋅2−12=3>0. (2.281)

Como D>0 e fx⁢x⁢(2,−1)=2>0, concluímos que f possui um mínimo local em (2,−1).

Exemplo 2.5.4.

Vamos localizar e classificar todos os pontos críticos da função

f⁢(x,y)=x3+y3−3⁢x−3⁢y. (2.282)

Consultemos o gráfico das linhas de nível dessa função na Figura 2.12.

Refer to caption
Figura 2.12: Curvas de nível da função f⁢(x,y)=x3+y3−3⁢x−3⁢y e seus pontos críticos.

Começamos calculando as derivadas parciais de primeira ordem de f

fx⁢(x,y)=3⁢x2−3, (2.283)
fy⁢(x,y)=3⁢y2−3. (2.284)

Como ambas são contínuas, os pontos críticos são obtidos igualando as derivadas parciais a zero, obtendo o sistema

3⁢x2−3=0, (2.285)
3⁢y2−3=0. (2.286)

Resolvendo o sistema, obtemos x=1 e x=−1 e y=1 e y=−1 (verifique). Portanto, os pontos críticos de f são (1,1), (1,−1), (−1,1) e (−1,−1). Para classificá-los, calculamos as derivadas parciais de segunda ordem de f

fx⁢x⁢(x,y)=6⁢x, (2.287)
fy⁢y⁢(x,y)=6⁢y, (2.288)
fx⁢y⁢(x,y)=0. (2.289)

Avaliando os pontos críticos, podemos organizar a Tabela 2.2 contendo a classificação dos pontos críticos de f.

Tabela 2.2: Classificação dos pontos críticos da função f⁢(x,y)=x3+y3−3⁢x−3⁢y.
Ponto crítico fx⁢x fy⁢y D Classificação
(1,1) 6 6 36 Mínimo local
(1,−1) 6 -6 -36 Ponto de sela
(−1,1) -6 6 -36 Ponto de sela
(−1,−1) -6 -6 36 Máximo local
Exemplo 2.5.5.(Região fechada e limitada)

Vamos determinar valor máximo da função

f⁢(x,y)=x3−3⁢x⁢y2 (2.290)

restrita à região fechada e limitada R=[−1,1]×[−1,1]. Consultemos o gráfico da superfície z=f⁢(x,y) é apresentado na Figura 2.13.

Refer to caption
Figura 2.13: Gráfico da superfície z=f⁢(x,y)=x3−3⁢x⁢y2. O ponto crítico (0,0) é um ponto de sela de f.

Primeiramente, vamos determinar os pontos críticos de f nos pontos interiores da região R. Calculamos as derivadas parciais de primeira ordem de f

fx⁢(x,y)=3⁢x2−3⁢y2, (2.291)
fy⁢(x,y)=−6⁢x⁢y. (2.292)

Como ambas são contínuas, os pontos críticos são obtidos igualando as derivadas parciais a zero, obtendo o sistema

3⁢x2−3⁢y2=0, (2.293)
−6⁢x⁢y=0. (2.294)

Resolvendo o sistema, obtemos x=0 e y=0 (verifique). Portanto, (0,0) é o único ponto crítico de f nos pontos interiores da região R. Para classificá-lo, calculamos as derivadas parciais de segunda ordem de f

fx⁢x⁢(x,y)=6⁢x, (2.295)
fy⁢y⁢(x,y)=−6⁢x, (2.296)
fx⁢y⁢(x,y)=−6⁢y. (2.297)

Avaliando no ponto crítico (0,0), temos

D=fx⁢x⁢(0,0)⁢fy⁢y⁢(0,0)−fx⁢y2⁢(0,0) (2.298)
=6⋅0⋅(−6⋅0)−(−6⋅0)2=0. (2.299)

Como D=0, o teste da segunda derivada é inconclusivo. Por outro lado, podemos observar na Figura 2.13 que (0,0) é um ponto de sela de f. Isto pode ser confirmado estudando o sinal de fx e de fy em uma vizinhança de (0,0) (verifique).

Até aqui, podemos concluir que a função f não possui extremos locais em pontos interiores da região R. Como a região R é fechada e limitada, o teorema do valor extremo (Teorema 2.5.1) garante que f possui extremos globais em R. Portanto, devemos estudar o comportamento de f na fronteira da região R. A fronteira de R é composta por quatro segmentos de reta e vamos estudar o comportamento de f em cada um deles:

  1. a)

    y=−1, com −1≤x≤1

    A função f restrita a este segmento de reta é

    g⁢(x)=f⁢(x,−1)=x3−3⁢x⁢(−1)2=x3−3⁢x. (2.300)

    Os pontos extremos globais de g neste segmento de reta são:

    x=−1:g⁢(−1)=f⁢(−1,−1)=2, (2.301)
    x=1:g⁢(1)=f⁢(1,−1)=−2, (2.302)

    Verifique!

  2. b)

    x=1, com −1≤y≤1

    A função f restrita a este segmento de reta é

    g⁢(y)=f⁢(1,y)=13−3⁢(1)⁢y2=1−3⁢y2. (2.304)

    Os pontos extremos globais de g neste segmento de reta são:

    y=−1⁢e⁢y=1:g⁢(−1)=g⁢(1)=−2, (2.305)
    y=0:g⁢(0)=1, (2.306)

    Verifique!

  3. c)

    y=1, com −1≤x≤1;

    A função f restrita a este segmento de reta é

    g⁢(x)=f⁢(x⁢,1)=x3−3⁢x⁢(1)2=x3−3⁢x. (2.308)

    Os pontos extremos globais de g neste segmento de reta são:

    x=−1:g⁢(−1)=f⁢(−1,1)=2, (2.309)
    x=1:g⁢(1)=f⁢(1,1)=−2, (2.310)

    Verifique!

  4. d)

    x=−1, com −1≤y≤1.

    A função f restrita a este segmento de reta é

    g⁢(y)=f⁢(−1,y)=(−1)3−3⁢(−1)⁢y2=−1+3⁢y2. (2.312)

    Os pontos extremos globais de g neste segmento de reta são:

    y=−1⁢e⁢y=1:g⁢(−1)=g⁢(1)=2, (2.313)
    y=0:g⁢(0)=−1, (2.314)

    Verifique!

Na Tabela 2.3, organizamos os resultados obtidos acima. A partir desta tabela, podemos concluir que o valor máximo global de f na região R é 2, que ocorre nos pontos de fronteira (−1,−1), (−1,1), e que o valor mínimo global de f na região R é −2, que ocorre nos pontos (1,−1) e (1,1).

Tabela 2.3: Valores de f⁢(x,y)=x3−3⁢x⁢y2 nos pontos extremos da fronteira da região R=[−1,1]×[−1,1].
(x,y) f⁢(x,y) Classificação
(−1,−1) 2 Valor máximo global
(1,−1) −2 Valor mínimo global
(1,0) 1 -x-
(1,1) −2 Valor mínimo global
(−1,1) 2 Valor máximo global
(−1,0) −1 -x-
(0,−1) 0 -x-
(0,1) 0 -x-
(0,0) 0 -x-
Exemplo 2.5.6.(Aplicação)

Uma fabricante de caixas retangulares sem tampa deseja construir uma caixa com volume de 12 centímetros cúbicos. O custo do material para a base da caixa é de R⁢$ 0.50 por centímetro quadrado. O custo do material para os dois lados de dimensões x por z é de R⁢$ 0.375 por centímetro quadrado e o custo do material para os dois lados de dimensões y por z é de R⁢$ 0.25 por centímetro quadrado. Determine as dimensões da caixa que minimizam o custo do material.

Seja x a largura da caixa, y o comprimento da caixa e z a altura da caixa. O volume da caixa é dado por

V=x⁢y⁢z=12. (2.316)

O custo do material para a base da caixa é dado por

Cb=0.50⁢x⁢y, (2.317)

e o custo do material para os lados da caixa é dado por

Cl=0.375⁢(2⁢x⁢z)+0.25⁢(2⁢y⁢z)=0.75⁢x⁢z+0.5⁢y⁢z. (2.318)

Portanto, o custo total do material é dado por

C⁢(x,y,z)=Cb+Cl=0.50⁢x⁢y+0.75⁢x⁢z+0.5⁢y⁢z. (2.319)

Substituindo z=12x⁢y na equação acima, temos

C⁢(x,y)=0.50⁢x⁢y+0.75⁢(12x⁢y)⁢x+0.5⁢(12x⁢y)⁢y (2.320)
=0.50xy+9y+6x. (2.321)

Para minimizar o custo total do material, devemos encontrar os pontos críticos de C⁢(x,y). Calculamos as derivadas parciais de primeira ordem de C

Cx⁢(x,y)=0.50⁢y−6x2, (2.322)
Cy⁢(x,y)=0.50⁢x−9y2. (2.323)

Igualando as derivadas parciais a zero, obtemos o sistema

0.50⁢y−6x2=0, (2.324)
0.50⁢x−9y2=0. (2.325)

Resolvendo o sistema, obtemos x=2 e y=3 (verifique). Para aplicar o teste da segunda derivada, calculamos

Cx⁢x⁢(x,y)=12x3, (2.326)
Cy⁢y⁢(x,y)=18y3, (2.327)
Cx⁢y⁢(x,y)=0.50. (2.328)

No ponto crítico (2,3), temos

D=Cx⁢x⁢(2,3)⁢Cy⁢y⁢(2,3)−Cx⁢y2⁢(2,3) (2.329)
=32⋅23−0.502=34>0. (2.330)

Como D>0 e Cx⁢x⁢(2,3)=32>0, o custo possui um mínimo local em (2,3). Portanto, as dimensões da caixa que minimizam o custo do material são x=2 centímetros, y=3 centímetros e z=2 centímetros.

2.5.2 Exercícios

E. 2.5.1.

Calcule e classifique os pontos críticos da função

f⁢(x,y)=x2+2⁢x⁢y+3⁢y2. (2.331)

O único ponto crítico de f é (0,0), que é um mínimo local.

E. 2.5.2.

Calcule e classifique os pontos críticos da função

f⁢(x,y)=2⁢x2+2⁢x⁢y−y2+4⁢x+3⁢y+5. (2.332)

O único ponto crítico de f é (−7/8,5/8), que é um ponto de sela.

E. 2.5.3.

Calcule e classifique os pontos críticos da função

f⁢(x,y)=x3+2⁢x⁢y−y2. (2.333)

(−2/3,−2/3): ponto de máximo local; (0,0): ponto de sela.

E. 2.5.4.

Calcule e classifique os pontos críticos da função

f⁢(x,y)=x3+y3−4⁢x−3⁢y (2.334)

(−2⁢3/3,−1): ponto de máximo local; (−2⁢3/3,1): ponto de sela; (2⁢3/3,−1): ponto de sela; (2⁢3/3,1): ponto de mínimo local.

E. 2.5.5.

Determine os pontos e os valores máximo e mínimo globais da função

f⁢(x,y)=x3+y3−4⁢x−3⁢x (2.335)

limitada à região R=[−1,3]×[0,3].


(2⁢3/3,1): valor mínimo global −3−2; (3,3): valor máximo global 33.

E. 2.5.6.

Determine as dimensões da caixa retangular sem tampa de volume 4 centímetros cúbicos e cuja construção requeira uma quantidade mínima de material.


Largura x=2⁢cm; comprimento y=2⁢cm; altura z=1⁢cm.


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Pedro H A Konzen
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