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Sejam uma função de duas variáveis reais e um ponto do domínio de . Se fixarmos , a função se reduz a uma função de uma variável, , com derivada
| (2.1) | |||
| (2.2) | |||
| (2.3) |
Analogamente, se fixarmos , a função também se reduz a uma função de uma variável, , esta com derivada
| (2.4) | |||
| (2.5) | |||
| (2.6) |
Das observações acima, definimos a derivada parcial de em relação a no ponto como
| (2.7) | |||
| (2.8) |
Analogamente, definimos a derivada parcial de em relação a no ponto como
| (2.9) | |||
| (2.10) |
Seja
| (2.11) |
Vamos calcular as seguintes derivadas parciais:
| (2.12) | |||
| (2.13) | |||
| (2.14) | |||
| (2.15) |
| (2.16) | |||
| (2.17) | |||
| (2.18) | |||
| (2.19) |
Definições análogas podem ser feitas para funções de mais de duas variáveis reais. Por exemplo, a derivada parcial de uma função em relação a no ponto é definida por
| (2.20) | |||
| (2.21) |
| (2.22) | |||
| (2.23) | |||
| (2.24) | |||
| (2.25) | |||
| (2.26) |
Ao contrário do que ocorre com funções de uma variável, a existência das derivadas parciais de uma função em um ponto não garante que seja contínua nesse ponto. Por exemplo, considere a função
| (2.27) |
A derivada parcial de em relação a no ponto é
| (2.28) | |||
| (2.29) | |||
| (2.30) | |||
| (2.31) |
A derivada parcial de em relação a no ponto é
| (2.32) | |||
| (2.33) | |||
| (2.34) | |||
| (2.35) |
Portanto, e existem, mas não é contínua no ponto , pois vimos no Exemplo 1.2.4 que o limite de quando não existe.
Definimos a função derivada parcial de em relação a como
| (2.36) | |||
| (2.37) |
Em outras palavras, é a derivada de em relação a quando é mantido constante.
Analogamente, definimos e a função derivada parcial de em relação a como
| (2.38) | |||
| (2.39) |
Em linguagem simples, é a derivada de em relação a quando é mantido constante.
Seja
| (2.40) |
A derivada parcial de em relação a é
| (2.41) | |||
| (2.42) | |||
| (2.43) | |||
| (2.44) |
A derivada parcial de em relação a é
| (2.45) | |||
| (2.46) | |||
| (2.47) |
A derivada parcial de uma função em relação a no ponto , denotada por , é a taxa de variação instantânea de em relação a quando é mantido constante. Analogamente, a derivada parcial de em relação a no ponto , denotada por , é a taxa de variação instantânea de em relação a quando é mantido constante.
Seja () o volume de um cilindro de raio (m) e altura (m), i.e.,
| (2.48) |
A derivada parcial de em relação a é
| (2.49) | |||
| (2.50) |
e tem unidade . No ponto , temos
| (2.51) |
Isso significa que, quando o raio do cilindro é e a altura é , a taxa de variação instantânea do volume em relação ao raio é . Em outras palavras, se aumentarmos o raio em uma pequena quantidade de metros, o volume aumentará aproximadamente vezes essa quantidade.
Uma análise semelhante pode ser feita para a derivada parcial de em relação a :
| (2.52) | |||
| (2.53) |
que também tem unidade . Isso nos mostra que a taxa de variação instantânea do volume em relação à altura é proporcional ao quadrado do raio e não depende da altura. Um cilindro de altura ou um de altura terá a mesma taxa de variação instantânea do volume em relação à altura, desde que o raio seja o mesmo. Verifique!
Da lei dos gases ideais, temos que a pressão (Pa) de um gás ideal é dada por
| (2.54) |
onde () é o volume do gás, (K) é a temperatura do gás, é o número de mols do gás e é a constante universal dos gases ideais. A derivada parcial de em relação a é
| (2.55) | |||
| (2.56) |
e tem unidade . Isso significa que, para um gás ideal com número de mols e temperatura fixos, a taxa de variação instantânea da pressão em relação ao volume é inversamente proporcional ao quadrado do volume. Em outras palavras, se aumentarmos o volume em uma pequena quantidade de metros cúbicos, a pressão diminuirá aproximadamente vezes essa quantidade.
A derivada parcial de uma função em relação a no ponto é a inclinação da superfície na direção do eixo . Consultemos a Figura 2.1. Nela temos a superfície , a curva de interseção da superfície com o plano (linha contínua) e a reta tangente à curva no ponto (linha tracejada). A inclinação da reta tangente é , e sua equação é
| (2.57) |
Seja . A derivada parcial de em relação a é . No ponto , temos
| (2.58) |
Isso significa que a inclinação da superfície na direção do eixo no ponto é . A reta tangente à curva de interseção da superfície com o plano no ponto tem equação
| (2.59) | |||
| (2.60) |
Este é o caso ilustrado na Figura 2.1 com . Verifique!
Analogamente, a derivada parcial de em relação a no ponto é a inclinação da superfície na direção do eixo . Consultemos a Figura 2.2. Nela temos a superfície , a curva de interseção da superfície com o plano (linha contínua) e a reta tangente à curva no ponto (linha tracejada). A inclinação da reta tangente é , e sua equação é
| (2.61) |
Seja . A derivada parcial de em relação a é . No ponto , temos
| (2.62) |
Isso significa que a inclinação da superfície na direção do eixo no ponto é . A reta tangente à curva de interseção da superfície com o plano no ponto tem equação
| (2.63) | |||
| (2.64) |
Este é o caso ilustrado na Figura 2.2 com . Verifique!
Uma vez que as derivadas parciais de uma função são funções, podemos calcular suas derivadas parciais. Com isso, podemos definir as derivadas parciais de segunda ordem de como
| (2.65) | |||
| (2.66) |
bem como as derivadas parciais mistas de segunda ordem de como
| (2.67) | |||
| (2.68) |
Seja
| (2.69) |
A derivada parcial de segunda ordem de em relação a é
| (2.70) | |||
| (2.71) | |||
| (2.72) |
A derivada parcial de segunda ordem de em relação a é
| (2.73) | |||
| (2.74) | |||
| (2.75) |
A derivada parcial mista de segunda ordem de em relação a e é
| (2.76) | |||
| (2.77) | |||
| (2.78) |
A derivada parcial mista de segunda ordem de em relação a e é
| (2.79) | |||
| (2.80) | |||
| (2.81) |
Neste exemplo, é notável que as derivadas parciais mistas de segunda ordem são iguais, i.e., . Isto ocorre quando as derivadas parciais mistas de segunda ordem são contínuas. O seguinte exemplo mostra que, quando as derivadas parciais mistas de segunda ordem não são contínuas, elas podem ser diferentes.
Seja
| (2.82) |
Antes de mais nada, vamos calcular as seguintes derivadas parciais de primeira ordem
| (2.83) | |||
| (2.84) |
Verifique! Agora, vamos calcular as derivadas mistas de no ponto :
| (2.85) | |||
| (2.86) | |||
| (2.87) | |||
| (2.88) |
Obtemos que , pois as derivadas mistas de segunda ordem não são contínuas no ponto . Consultemos o E.2.1.7
Derivadas parciais de ordem superior a dois podem ser definidas de maneira análoga. Por exemplo, a derivada parcial mista de terceira ordem de em relação a , e é
| (2.89) | |||
| (2.90) |
Outro exemplo, é a derivada parcial de terceira ordem de em relação a , e é
| (2.91) | |||
| (2.92) |
Bem como, a derivada parcial de terceira ordem de em relação a é
| (2.93) | |||
| (2.94) |
Derivadas de quarta, quinta e ordem superior são definidas de maneira análoga.
Seja . A derivada parcial mista de terceira ordem de em relação a , e é
| (2.95) | |||
| (2.96) | |||
| (2.97) |
Já, a derivada parcial de terceira ordem de em relação a , e é
| (2.98) | |||
| (2.99) | |||
| (2.100) |
Ainda, a derivada parcial de terceira ordem de em relação a é
| (2.101) | |||
| (2.102) | |||
| (2.103) | |||
| (2.104) |
Seja . Calcule:
a) . b) .
Seja . Calcule:
a) . b) . c) .
Seja
| (2.105) |
Calcule:
a) . b) . c) . d) . e) . f) .
Seja . Calcule:
a) . b) . c) . d) . e) .
Seja o volume de um paralelepípedo de base quadrada de lado e altura , i.e.,
| (2.106) |
Calcule:
A taxa de variação do volume em relação ao lado da base para e .
A taxa de variação do volume em relação à altura para e .
a) . b) .
Seja . Calcule:
A inclinação da superfície na direção do eixo no ponto .
A inclinação da superfície na direção do eixo no ponto .
a) . b) .
Determine se a afirmação é verdadeira ou falsa. Justifique sua resposta.
Se a reta é uma curva de nível da função , então .
Se a parábola é uma curva de nível da função , então .
Se a parábola é uma curva de nível da função , então .
a) Verdadeira. b) Falsa. c) Falsa.
Seja
| (2.107) |
Calcule as derivadas mistas de e verifique que elas não são contínuas no ponto .
para . . .
Aproveito para agradecer a todas/os que de forma assídua ou esporádica contribuem enviando correções, sugestões e críticas!

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