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Cálculo II

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4.2 Cálculo de funções vetoriais

Nesta seção, estudaremos o cálculo de funções vetoriais de uma variável real, incluindo limites, derivadas e integrais.

4.2.1 Limites de funções vetoriais

Seja 𝒇⁢(t)=f1⁢(t)⁢𝒊+f2⁢(t)⁢𝒋+f3⁢(t)⁢𝒌 uma função vetorial de uma variável real. O limite de 𝒇⁢(t) quando t tende a t0 é

limt→t0𝒇⁢(t)=[limt→t0f1⁢(t)]⁢𝒊+[limt→t0f2⁢(t)]⁢𝒋+[limt→t0f3⁢(t)]⁢𝒌, (4.17)

desde que os limites das componentes f1, f2 e f3 existam. Em outras palavras, o limite de uma função vetorial é o vetor formado pelos limites de suas componentes, quando existem.

De forma análoga a funções reais de uma variável real, dizemos que a função vetorial 𝒇 é contínua em t0 quando

limt→t0𝒇⁢(t)=𝒇⁢(t0), (4.18)

i.e. existe o limite de 𝒇⁢(t) quando t tende a t0, existe 𝒇⁢(t0) e os dois são iguais.

Exemplo 4.2.1.

Seja 𝒇⁢(t)=sen⁡(π⁢t)⁢𝒊+ln⁡(t+1)⁢𝒋+1t−2⁢𝒌. Vamos calcular o limite de 𝒇⁢(t) quando t tende a 12.

limt→12𝒇⁢(t)=[limt→12sen⁡(π⁢t)]⁢𝒊+[limt→12ln⁡(t+1)]⁢𝒋+[limt→121t−2]⁢𝒌 (4.19)
=sen(π2)𝒊+ln(32)𝒋+112−2𝒌 (4.20)
=𝒊+ln(32)𝒋−23𝒌. (4.21)

Esta função vetorial é contínua em t=12, pois o limite de 𝒇⁢(t) quando t tende a 12 existe e é igual a 𝒇⁢(12). Esta função é contínua nos pontos t=−1 e t=2? Verifique!

4.2.2 Derivadas de funções vetoriais

Seja 𝒇⁢(t)=f1⁢(t)⁢𝒊+f2⁢(t)⁢𝒋+f3⁢(t)⁢𝒌 uma função vetorial de uma variável real. A derivada de 𝒇 em relação a t é a função vetorial 𝒇′⁢(t) definida por

𝒇′⁢(t)=d⁢𝒇d⁢t=limh→0𝒇⁢(t+h)−𝒇⁢(t)h. (4.22)

Como consequência direta da definição, temos que a derivada de uma função vetorial é o vetor formado pelas derivadas de suas componentes, quando existem:

𝒇′⁢(t)=f1′⁢(t)⁢𝒊+f2′⁢(t)⁢𝒋+f3′⁢(t)⁢𝒌. (4.23)

Geometricamente, quando 𝒇′⁢(t0)≠𝟎, a derivada de uma função vetorial 𝒇 no ponto t0 é um vetor tangente à curva representada por 𝒇 no ponto 𝒇⁢(t0).

Exemplo 4.2.2.(Derivada, vetor e reta tangente)

A função 𝒇⁢(t)=sen⁡(π⁢t)⁢𝒊+(2⁢t−e−t)⁢𝒋+ln⁡(t)⁢𝒌 tem como derivada

𝒇′⁢(t)=π⁢cos⁡(π⁢t)⁢𝒊+(2+e−t)⁢𝒋+1t⁢𝒌. (4.24)
Refer to caption
Figura 4.4: Gráfico da função vetorial de uma variável real 𝒇⁢(t)=(sen⁡(π⁢t),(2⁢t−e−t),ln⁡(t)), o ponto 𝒇⁢(1), o vetor e a reta tangente por este ponto.

O vetor tangente à curva representada por 𝒇 no ponto t=1 é

𝒇′⁢(1)=−π⁢𝒊+(2+e−1)⁢𝒋+𝒌. (4.25)

Com o ponto 𝒇⁢(1)=(0,2−e−1⁢,0) e o vetor tangente 𝒇′⁢(1)=(−π⁢,2+e−1⁢,1), a equação vetorial da reta tangente à curva representada por 𝒇 no ponto t=1 é

𝒓⁢(t)=𝒇⁢(1)+t⁢𝒇′⁢(1) (4.26)
=(0,2−e−1,0)+t(−π,2+e−1,1). (4.27)

A Figura 4.4 mostra o gráfico da função vetorial 𝒇, o ponto 𝒇⁢(1), o vetor e a reta tangente neste ponto.

As seguintes regras de derivação são válidas111As regras são válidas quando todas as derivadas envolvidas existirem. para funções vetoriais de uma variável real:

  1. a)

    Função constante

    dd⁢t⁢[𝒄]=𝟎. (4.28)
  2. b)

    Multiplicação por escalar

    dd⁢t⁢[c⁢𝒇⁢(t)]=c⁢d⁢𝒇d⁢t. (4.29)
  3. c)

    Soma/diferença de funções vetoriais

    dd⁢t⁢[𝒇⁢(t)±𝒈⁢(t)]=d⁢𝒇d⁢t±d⁢𝒈d⁢t. (4.30)
  4. d)

    Produto por função escalar

    dd⁢t⁢[u⁢(t)⁢𝒇⁢(t)]=u′⁢(t)⁢𝒇⁢(t)+u⁢(t)⁢d⁢𝒇d⁢t. (4.31)
Exemplo 4.2.3.(Derivada do produto por função escalar)

Seja 𝒇⁢(t)=sen⁡(t)⁢𝒊+ln⁡(t)⁢𝒋+t2⁢𝒌 e u⁢(t)=t2. A derivada do produto u⁢(t)⁢𝒇⁢(t) é

dd⁢t⁢[u⁢(t)⁢𝒇⁢(t)]=u′⁢(t)⁢𝒇⁢(t)+u⁢(t)⁢d⁢𝒇d⁢t (4.32)
=2t(sen(t)𝒊+ln(t)𝒋+t2𝒌)+t2(cos(t)𝒊+1t𝒋+2t𝒌) (4.33)
=(2tsen(t)+t2cos(t))𝒊+(2tln(t)+t)𝒋+4t3𝒌. (4.34)

4.2.3 Derivadas dos produtos escalares e vetoriais

Sejam 𝒖⁢(t) e 𝒗⁢(t) funções vetoriais de uma variável real. A regra de derivação do produto escalar é

dd⁢t⁢[𝒖⁢(t)⋅𝒗⁢(t)]=d⁢𝒖d⁢t⋅𝒗⁢(t)+𝒖⁢(t)⋅d⁢𝒗d⁢t. (4.35)
Exemplo 4.2.4.

Sejam 𝒖⁢(t)=sen⁡(t)⁢𝒊+ln⁡(t)⁢𝒋+t2⁢𝒌 e 𝒗⁢(t)=t⁢𝒊+et⁢𝒋+1t⁢𝒌. A derivada do produto escalar 𝒖⁢(t)⋅𝒗⁢(t) é

dd⁢t⁢[𝒖⁢(t)⋅𝒗⁢(t)]=d⁢𝒖d⁢t⋅𝒗⁢(t)+𝒖⁢(t)⋅d⁢𝒗d⁢t (4.36)
=(cos(t)𝒊+1t𝒋+2t𝒌)⋅(t𝒊+et𝒋+1t𝒌)
+(sen⁡(t)⁢𝒊+ln⁡(t)⁢𝒋+t2⁢𝒌)⋅(𝒊+et⁢𝒋−1t2⁢𝒌) (4.37)
=tcos(t)+ett+2+sen(t)+etln(t)−1 (4.38)
=tcos(t)+sen(t)+et(1t+ln(t))+1. (4.39)
Observação 4.2.1.(Função de norma constante)

Uma função vetorial 𝒇⁢(t) de norma constante, i.e. ‖𝒇⁢(t)‖=c, tem derivada ortogonal a 𝒇⁢(t), i.e.

𝒇⁢(t)⋅𝒇′⁢(t)=0. (4.40)

De fato, temos que

0=dd⁢t⁢[‖𝒇⁢(t)‖2]=dd⁢t⁢[𝒇⁢(t)⋅𝒇⁢(t)]=2⁢𝒇⁢(t)⋅𝒇′⁢(t). (4.41)

A regra de derivação do produto vetorial é

dd⁢t⁢[𝒖⁢(t)×𝒗⁢(t)]=d⁢𝒖d⁢t×𝒗⁢(t)+𝒖⁢(t)×d⁢𝒗d⁢t. (4.42)
Exemplo 4.2.5.

Para as mesmas funções vetoriais do Exemplo 4.2.4, a derivada do produto vetorial 𝒖⁢(t)×𝒗⁢(t) é

dd⁢t⁢[𝒖⁢(t)×𝒗⁢(t)]=d⁢𝒖d⁢t×𝒗⁢(t)+𝒖⁢(t)×d⁢𝒗d⁢t (4.43)
=(cos(t)𝒊+1t𝒋+2t𝒌)×(t𝒊+et𝒋+1t𝒌)
+(sen⁡(t)⁢𝒊+ln⁡(t)⁢𝒋+t2⁢𝒌)×(𝒊+et⁢𝒋−1t2⁢𝒌) (4.44)
=(1−ln⁡(t)t2−2tet−t2et)𝒊+(3t2−cos⁡(t)t+sen⁡(t)t2)𝒋
+(et⁢sen⁡(t)+et⁢cos⁡(t)−ln⁡(t)−1)⁢𝒌. (4.45)

4.2.4 Integração de funções vetoriais

A integral definida de uma função vetorial 𝒇⁢(t)=f1⁢(t)⁢𝒊+f2⁢(t)⁢𝒋+f3⁢(t)⁢𝒌 pode ser definida como o limite da soma de Riemann, i.e.

∫ab𝒇⁢(t)⁢𝑑t=limmaxi⁡Δ⁢ti→0∑i=1n𝒇⁢(ti∗)⁢Δ⁢ti, (4.46)

onde Δ⁢ti é o tamanho do i-ésimo subintervalo, com ti∗∈[ti−1,ti] para i=1,2,…,n. Como consequência, quando existem, a integral pode ser calculada como a integral de cada componente da função vetorial, i.e.

∫ab𝒇⁢(t)⁢𝑑t=[∫abf1⁢(t)⁢𝑑t]⁢𝒊+[∫abf2⁢(t)⁢𝑑t]⁢𝒋+[∫abf3⁢(t)⁢𝑑t]⁢𝒌. (4.47)
Exemplo 4.2.6.

Seja 𝒇⁢(t)=sen⁡(π⁢t)⁢𝒊+(2⁢t−e−t)⁢𝒋+1t⁢𝒌. A integral definida de 𝒇 no intervalo [1,2] é

∫12𝒇⁢(t)⁢𝑑t=[∫12sen⁡(π⁢t)⁢𝑑t]⁢𝒊+[∫12(2⁢t−e−t)⁢𝑑t]⁢𝒋+[∫121t⁢𝑑t]⁢𝒌 (4.48)
=[−1πcos(πt)]12𝒊+[t2+e−t]12𝒋+[ln(t)]12𝒌 (4.49)
=(−1πcos(2π)+1πcos(π))𝒊+(4+e−2−1−e−1)𝒋
+(ln⁡(2)−ln⁡(1))⁢𝒌 (4.50)
=−2π𝒊+(3+e−2−e−1)𝒋+ln(2)𝒌. (4.51)

Quando todas as integrais envolvidas existem, valem as seguintes regras de integração para funções vetoriais de uma variável real:

  1. a)

    Multiplicação por escalar

    ∫abc⁢𝒇⁢(t)⁢𝑑t=c⁢∫ab𝒇⁢(t)⁢𝑑t. (4.52)
  2. b)

    Soma/diferença de funções vetoriais

    ∫ab[𝒇⁢(t)±𝒈⁢(t)]⁢𝑑t=∫ab𝒇⁢(t)⁢𝑑t±∫ab𝒈⁢(t)⁢𝑑t. (4.53)

A antiderivada de uma função vetorial 𝒇⁢(t) é a função vetorial 𝑭⁢(t) tal que

𝑭′⁢(t)=𝒇⁢(t). (4.54)

Com isso, a integral indefinida de 𝒇⁢(t) fica definida como

∫𝒇⁢(t)⁢𝑑t=𝑭⁢(t)+𝒄, (4.55)

onde 𝒄 é um vetor constante.

Exemplo 4.2.7.

∫(sen⁡(t)⁢𝒊+2⁢t⁢𝒋+1t⁢𝒌)⁢𝑑t=[∫sen⁡(t)⁢𝑑t]⁢𝒊+[∫2⁢t⁢𝑑t]⁢𝒋+[∫1t⁢𝑑t]⁢𝒌 (4.56)
=(−cos(t)+c1)𝒊+(t2+c2)𝒋+(ln|t|+c3)𝒌, (4.57)
=−cos(t)𝒊+t2𝒋+ln|t|𝒌+𝒄. (4.58)

4.2.5 Exercícios

E. 4.2.1.

Calcule o limite da função vetorial

𝒇⁢(t)=t2−1t−1⁢𝒊+t+3⁢𝒋+et⁢𝒌

quando t tende a 1.


limt→1𝒇⁢(t)=2⁢𝒊+2⁢𝒋+e⁢𝒌.

E. 4.2.2.

Considere a função vetorial

𝒈⁢(t)=t2−1t−1⁢𝒊+ln⁡(t)⁢𝒋+(t+1)⁢𝒌,t>0,t≠1.

Determine limt→1𝒈⁢(t) e o valor que deve ser atribuído a 𝒈⁢(1) para que a função estendida seja contínua em t=1.


limt→1𝒈⁢(t)=2⁢𝒊+2⁢𝒌. Deve-se definir 𝒈⁢(1)=2⁢𝒊+2⁢𝒌.

E. 4.2.3.

Seja 𝒇⁢(t)=cos⁡(t)⁢𝒊+t2⁢𝒋+ln⁡(t)⁢𝒌. Determine 𝒇′⁢(t), o vetor tangente em t=1 e uma equação vetorial da reta tangente nesse ponto.


𝒇′⁢(t)=−sen⁡(t)⁢𝒊+2⁢t⁢𝒋+1t⁢𝒌 e 𝒇′⁢(1)=−sen⁡(1)⁢𝒊+2⁢𝒋+𝒌. Como 𝒇⁢(1)=cos⁡(1)⁢𝒊+𝒋, uma equação da reta tangente é 𝒓⁢(t)=(cos⁡(1)⁢,1,0)+t⁢(−sen⁡(1)⁢,2,1).

E. 4.2.4.

Sejam p⁢(t)=t2, 𝒖⁢(t)=t⁢𝒊+t2⁢𝒋+𝒌 e 𝒗⁢(t)=𝒊+t⁢𝒋+t2⁢𝒌. Calcule as derivadas de p⁢(t)⁢𝒖⁢(t), 𝒖⁢(t)⋅𝒗⁢(t) e 𝒖⁢(t)×𝒗⁢(t).


dd⁢t⁢[p⁢(t)⁢𝒖⁢(t)]=3⁢t2⁢𝒊+4⁢t3⁢𝒋+2⁢t⁢𝒌, dd⁢t⁢[𝒖⁢(t)⋅𝒗⁢(t)]=1+2⁢t+3⁢t2 e dd⁢t⁢[𝒖⁢(t)×𝒗⁢(t)]=(4⁢t3−1)⁢𝒊−3⁢t2⁢𝒋.

E. 4.2.5.

Seja 𝒇⁢(t)=cos⁡(t)⁢𝒊+2⁢t⁢𝒋+et⁢𝒌. Calcule ∫𝒇⁢(t)⁢𝑑t e ∫01𝒇⁢(t)⁢𝑑t.


∫𝒇⁢(t)⁢𝑑t=sen⁡(t)⁢𝒊+t2⁢𝒋+et⁢𝒌+𝒄 e ∫01𝒇⁢(t)⁢𝑑t=sen⁡(1)⁢𝒊+𝒋+(e−1)⁢𝒌.


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Pedro H A Konzen
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