| | | |

Cálculo I

Material disponível para compra: apostila. Consulte outras formas de colaboração aqui!

2.5 Limites infinitos

O limite de uma função nem sempre existe. Entretanto, em muitos destes casos, podemos concluir mais sobre a tendência da função. Por exemplo, dizemos que o limite de uma dada função f⁢(x) é infinito quando x tende a um número x0, se f⁢(x) é arbitrariamente grande para todos os valores de x≠x0 suficientemente próximos de x0. Neste caso, escrevemos

limx→x0f⁢(x)=∞. (2.226)

A Figura 2.19, é uma ilustração de f⁢(x)→∞ quando x→x0.

Refer to caption
Figura 2.19: f⁢(x)→∞ quando x→x0.
Exemplo 2.5.1.

Estudemos o caso de

limx→01x2. (2.227)

Ao tomarmos x próximo de x0=0, obtemos os seguintes valores de f⁢(x):

x f⁢(x)
−10−1 102
−10−2 104
−10−3 106
↓ ↓
0 ∞
↑ ↑
10−3 106
10−2 104
10−1 102

Consultemos o gráfico de f⁢(x) na Figura 2.20.

Refer to caption
Figura 2.20: Gráfico de f⁢(x)=1/x2.

Podemos concluir que os valores de f⁢(x) podem ser tomados arbitrariamente grandes ao escolhermos qualquer x suficientemente próximo de 0, com x≠0. I.e.,

limx→01x2=∞. (2.228)
Código 25: Python
1from sympy import x, Symbol, limit
2x = Symbol("x")
3limit(1/x**2, x, 0)
oo

Definimos os limites laterais infinitos

limx→x0−f⁢(x)=∞ (2.229)

e

limx→x0+f⁢(x)=∞. (2.230)

No primeiro caso, os valores de f⁢(x) são arbitrariamente grandes conforme os valores de x→x0 e x<x0. No segundo caso, os valores de f⁢(x) são arbitrariamente grandes conforme os valores de x→x0 e x>x0.

Exemplo 2.5.2.
limx→1+1x−1=∞. (2.231)

De fato, conforme tomamos valores de x próximos de 1, com x>1, os valores de f⁢(x)=1/(x−1) tornam-se cada vez maiores. Consultemos o gráfico de f⁢(x) na Figura 2.21.

Refer to caption
Figura 2.21: Gráfico de f⁢(x)=1/(x−1).
1from sympy import Symbol, limit
2x = Symbol("x")
3limit(1/(x-1), x, 1, '+')
oo

Analogamente à definição de limite infinito, dizemos que o limite de uma dada função f⁢(x) é menos infinito quando x tende a x0, quando f⁢(x) torna-se arbitrariamente pequeno para valores de x≠x0 suficientemente próximos de x0. Neste caso, escrevemos

limx→x0f⁢(x)=−∞. (2.232)

De forma similar, definimos os limites laterais f⁢(x)→−∞ quando x→x0±.

Exemplo 2.5.3.

Observemos que

∄⁢limx→01x (2.233)

e que não podemos concluir que este limite é ∞ ou −∞. Isto ocorre, pois

limx→0−1x=−∞ (2.234)

e

limx→0+1x=+∞. (2.235)
Exemplo 2.5.4.
limx→−1−1(x+1)2=−∞. (2.236)

De fato, podemos inferir este limite a partir do gráfico da função f⁢(x)=1/(x+1)2. Esta é uma translação de uma unidade à esquerda do gráfico de y=1/x2, seguida de uma reflexão em torno de eixo x. Consultemos a Figura 2.22.

Refer to caption
Figura 2.22: Gráfico de f⁢(x)=−1/(x+1)2.
Código 26: Python
1from sympy import Symbol, limit
2x = Symbol("x")
3limit(-1/(x+1)**2, x, -1)
-oo

2.5.1 Assíntotas verticais

Uma reta x=x0 é uma assíntota vertical do gráfico de uma função y=f⁢(x), se

limx→x0−f⁢(x)=±∞ (2.237)

ou

limx→x0+f⁢(x)=±∞. (2.238)
Exemplo 2.5.5.

O gráfico da função f⁢(x)=−1/|x| tem uma assíntota vertical em x=0, pois

limx→0−1|x|=−∞. (2.239)

Consultemos seu gráfico na Figura 2.23.

Refer to caption
Figura 2.23: Gráfico de f⁢(x)=−1/|x|.
Exemplo 2.5.6.

A função f⁢(x)=x3+2⁢x2−4⁢x−8x2−1 não está definida para valores de x tais que seu denominador se anule, i.e.

x2−1=0 (2.240)
x0=−1oux1=1 (2.241)

Nestes pontos o gráfico de f pode ter assíntotas verticais. De fato, temos

limx→−1+x3+2⁢x2−4⁢x−8−3x2−10− (2.242)
=+∞, (2.243)
limx→−1−x3+2⁢x2−4⁢x−8−3x2−10+ (2.244)
=−∞, (2.245)

e, também, temos

limx→1+x3+2⁢x2−4⁢x−8−9x2−10+ (2.246)
=−∞, (2.247)
limx→1−x3+2⁢x2−4⁢x−8−9x2−10− (2.248)
=+∞. (2.249)

Com isso, temos que as retas x=−1 e x=1 são assíntotas verticais ao gráfico da função f. Consultemos a Figura 2.24 para o esboço do gráfico desta função.

Refer to caption
Figura 2.24: Função f⁢(x)=x3+2⁢x2−4⁢x−8x2−1.
Exemplo 2.5.7.(Função logarítmica)

A função logarítmica natural y=ln⁡x é tal que

limx→0+ln⁡x=−∞ (2.250)

i.e., x=0 é uma assíntota vertical ao gráfico de ln⁡x. Isto decorre do fato de y=ln⁡x ser a função inversa de y=ex e, esta, ter uma assíntota horizontal y=0. A Figura 2.25 é um esboço do gráfico da função ln⁡x.

Refer to caption
Figura 2.25: Gráfico da função logaritmo natural.
Exemplo 2.5.8.

As funções trigonométricas y=tg⁡x e y=sec⁡x têm assíntotas verticais x=(2⁢k+1)⁢π2 para k inteiro. Já, as funções trigonométricas y=cotg⁡x e y=cossec⁡x têm assíntotas verticais x=k⁢π para k inteiro. Consulte mais em Notas de aula: Pré-cálculo: Funções Trigonométricas.

2.5.2 Assíntotas oblíquas

Além de assíntotas horizontais e verticais, gráficos de funções podem ter assintota oblíquas. Isto ocorre, particularmente, para funções racionais cujo grau do numerador é maior que o do denominador.

Refer to caption
Figura 2.26: Gráfico da função f⁢(x)=x2−15⁢x−4.
Exemplo 2.5.9.

Consideremos a função racional

f⁢(x)=x2−15⁢x−4. (2.251)

Para buscarmos determinar a assíntota oblíqua desta função, dividimos o numerador pelo denominador, de forma a obtermos

f⁢(x)=(x5+425)⏟quociente+−9255⁢x−4⏟resto. (2.252)

Observamos, agora, que o resto tende a zero quando x→±∞, i.e. f⁢(x)→x5+425 quando x→±∞. Com isso, concluímos que y=x5+425 é uma assíntota oblíqua ao gráfico de f⁢(x). Consultemos a Figura 2.26.

Observação 2.5.1.

Analogamente à assintotas oblíquas, podemos ter outros tipos de assíntotas determinadas por funções de diversos tipos, por exemplo, assíntotas quadráticas.

2.5.3 Limites infinitos no infinito

Escrevemos

limx→∞f⁢(x)=∞, (2.253)

quando os valores da função f são arbitrariamente grandes para todos os valores de x suficientemente grandes. De forma análoga, definimos

limx→−∞f⁢(x)=∞, (2.254)
limx→∞f⁢(x)=−∞ (2.255)

e

limx→−∞f⁢(x)=−∞. (2.256)
Exemplo 2.5.10.

Estudemos os seguintes casos:

  1. a)

    limx→∞x2=∞

  2. b)

    limx→−∞x2=∞

  3. c)

    limx→−∞x3=−∞

  4. d)

    limx→∞ex=∞

  5. e)

    limx→∞ln⁡x=∞

  6. f)

    limx→−∞e−x=∞

Exemplo 2.5.11.
limx→∞x3−10⁢x2+300=limx→∞(x3−10⁢x2+300)⋅x3x3 (2.257)
=limx→∞(1−10x0++300x30+)x3=∞. (2.258)
Proposição 2.5.1.(Limites no infinito de polinômios)

Dado um polinômio

p⁢(x)=an⁢xn+an−1⁢xn−1+⋯+a0, (2.259)

com an≠0, temos

limx→±∞p⁢(x)=limx→±an⁢xn. (2.260)
Demonstração.

De fato, temos

limx→±∞p⁢(x)=limx→±∞(an⁢xn+an−1⁢xn−1+⋯+a0)⁢xnxn (2.261)
=limx→±∞(an+an−1x0+⋯+a0xn0)xn (2.262)
=limx→±∞anxn. (2.263)

∎

Exemplo 2.5.12.

Retornando ao exemplo anterior (Exemplo 2.5.11, temos

limx→∞x3−10⁢x2+300=limx→∞x3 (2.264)
=∞. (2.265)

2.5.4 Exercícios resolvidos

ER 2.5.1.

Calcule

limx→1−x−21−x. (2.266)
Resolução.

Temos

limx→1−x−2−11−x0+=−∞. (2.267)

Outra forma de calcular este limite é observar que y=1−x→0+ quando x→1−. Assim, fazendo a mudança de variável y=x−1, temos

limx→1−x−21−x=limy→0+y+1−2y (2.268)
=limy→0+y−1y (2.269)
=−∞. (2.270)
Código 27: Python
1from sympy import Symbol, limit
2x = Symbol("x")
3limit((x-2)/(1-x), x, 1, '-')
-oo
ER 2.5.2.

Calcule

limx→1ln⁡|x−1|. (2.271)
Resolução.

Começamos observando que

ln⁡|x−1|={ln⁡(1−x),x<1,ln⁡(x−1),x>1. (2.272)

Então, calculando o limite lateral à esquerda, temos

limx→1−ln⁡|x−1|=limx→1−ln⁡(1−x) (2.273)
=limy→0+lny=−∞. (2.274)

Por outro lado, temos

limx→1+ln⁡|x−1|=limx→1+ln⁡(x−1) (2.275)
=limy→0+lny=−∞. (2.276)

Portanto, concluímos que

limx→1ln⁡|x−1|=−∞. (2.277)
1from sympy import Symbol, limit, log, abs
2x = Symbol("x")
3limit(log(abs(x-1)), x, 1, '-')
-oo
Código 28: Python
1limit(log(abs(x-1)), x, 1, '+')
-oo
ER 2.5.3.

Calcule

limx→∞x3+2⁢x2−4⁢x−8x2−1. (2.278)
Resolução.

Tratando-se de uma função racional, temos

limx→∞x3+2⁢x2−4⁢x−8x2−1=limx→∞x3x2 (2.279)
=limx→∞x (2.280)
=∞. (2.281)
ER 2.5.4.

Calcule

limx→∞e1−x2. (2.282)
Resolução.

Observamos que 1−x2→−∞ quando x→∞. Desta forma, fazendo a mudança de variáveis y=1−x2, temos

limx→∞e1−x2=limy→−∞ey=0. (2.283)
ER 2.5.5.

Calcule

limx→∞1+x22⁢x. (2.284)
Resolução.

Podemos verificar que trata-se de uma indeterminação do tipo ∞/∞. Neste caso, podemos calcular o limite pela multiplicação (em cima e em baixo) pelo inverso do fator dominante no radical, i.e. 1/x2. Ou seja, calculamos

limx→∞1+x22⁢x=limx→∞1+x2x⋅1x21x2 (2.285)
=limx→∞1x2+x2x22⁢xx2. (2.286)

Lembramos que x2=|x|. Como x→∞, temos x2=|x|=x. Logo,

limx→∞1x2+x2x22⁢xx2=limx→∞1x2+x2x22⁢x|x| (2.287)
=limx→∞1x2+12⁢xx (2.288)
=limx→∞121x2+1 (2.289)
=12limx→∞1x2+1 (2.290)
=12. (2.291)

2.5.5 Exercícios

E. 2.5.1.

Calcule

  1. a)

    limx→0+x−1

  2. b)

    limx→0−−x−3

  3. c)

    limx→0+x−5

  4. d)

    limx→0±x−n,n>0⁢ímpar


a) ∞; b) ∞; c) ∞; d) ±∞

E. 2.5.2.

Calcule

  1. a)

    limx→0+x−2

  2. b)

    limx→0−x−4

  3. c)

    limx→0+−x−6

  4. d)

    limx→0±x−n,n>0⁢par


a) ∞; b) ∞; c) −∞; d) ∞

E. 2.5.3.

Calcule

  1. a)

    limx→1+1x−1

  2. b)

    limx→1−−2x−1

  3. c)

    limx→−1−−21+x

  4. d)

    limx→−1−2(x+1)2

  5. e)

    limx→−1x2−3⁢x+2x2+2⁢x+1


a) ∞; b) ∞; c) ∞; d) −∞; e) ∞

E. 2.5.4.

Determine as assíntotas verticais ao gráfico da função

f⁢(x)=8x2−4. (2.292)

x=2; x=−2

E. 2.5.5.

Determine as assíntotas verticais ao gráfico da função

f⁢(x)=x+1x2−1. (2.293)

x=1

E. 2.5.6.

Calcule

limx→−∞ex2−1. (2.294)

∞

E. 2.5.7.

Calcule

limx→−∞x3+10⁢x2−300. (2.295)

−∞

E. 2.5.8.

Mostre que y=x2 é assíntota ao gráfico de

f⁢(x)=x3+1x. (2.296)

Dica: Observe que f⁢(x)=x2+1x e analise o limite de f⁢(x) quando x→±∞.

E. 2.5.9.

(Aplicação) Na física química, a equação de Arrhenius333Svante August Arrhenius, 1859 - 1927, químico sueco. Fonte: Wikipédia: Svante Arrhenius. fornece a taxa de reação k (entre espécies químicas) em função da temperatura T [K]

k=A⁢e−EaR⁢T, (2.297)

onde A>0 é o fator constante pré-exponencial, Ea>0 é a energia de ativação e R>0 é a constante universal dos gases. Para temperatura constante, a equação acima define a função k=k⁢(Ea). Qual é a tendência da taxa de reação k quando T→0+.


k→0 quando T→0+

E. 2.5.10.

(Aplicação.) A função logística tem aplicações em várias áreas do conhecimento como, por exemplo, na inteligência artificial e na modelagem de crescimento populacional. Ela tem a forma

φ⁢(x)=11+e−x (2.298)

Encontre a(s) assíntota(s) horizontal(ais) dessa função logística.


y=0 e y=1

E. 2.5.11.
E. 2.5.12.

O fenômeno de desintegração espontânea do núcleo de um átomo com a emissão de algumas radiações é chamado de radioatividade. A lei fundamental do decaimento radiativo estabelece que a taxa de decaimento é proporcional ao número de átomos que ainda não decaíram. Isto nos fornece a equação da lei básica da radioatividade

N=N0⁢e−λ⁢t (2.299)

onde, N=N⁢(t) é o número de átomos no tempo t, N0≥0 é o número de átomos presentes no tempo inicial t=0 e λ>0 é a constante de decaimento. Qual a tendência de N quando t→∞.


N⁢(t)→0 quando t→∞


Envie seu comentário

Aproveito para agradecer a todas/os que de forma assídua ou esporádica contribuem enviando correções, sugestões e críticas!

Opcional. Preencha seu nome para que eu possa lhe contatar.
Opcional. Preencha seu e-mail para que eu possa lhe contatar.
As informações preenchidas são enviadas por e-mail para o desenvolvedor do site e tratadas de forma privada. Consulte a política de uso de dados para mais informações.

Licença Creative Commons
Este texto é disponibilizado nos termos da Licença Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional. Ícones e elementos gráficos podem estar sujeitos a condições adicionais.

Pedro H A Konzen
| | | |