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Cálculo I

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3.7 Linearização e diferenciais

Uma função diferenciável em um ponto x0 pode ser aproximada pela reta tangente ao seu gráfico neste ponto. Esta aproximação é chamada de linearização da função em x0. Este fato, também pode ser usado para aproximar o valor da função em pontos próximos a x0, através do conceito de diferencial.

3.7.1 Linearização

Se f é diferenciável em x0, então a linearização de f em x0 é a função

l⁢(x)=f′⁢(x0)⁢(x−x0)+f⁢(x0). (3.392)

Trata-se de uma aproximação linear de f em torno de x0, i.e. f⁢(x)≈l⁢(x) para x próximo de x0. Consultemos a Figura 3.10.

Refer to caption
Figura 3.10: Gráficos de f e sua linearização l em x0.

Observemos que o gráfico de l é a reta tangente ao gráfico de f no ponto (x0,f⁢(x0)). Podemos usar a linearização para aproximar o valor de f em pontos próximos a x0, temos

f⁢(x)=l⁢(x)+ε, (3.393)

onde ε=ε⁢(|x−x0|) é um erro que tende a zero quando x tende a x0.

Exemplo 3.7.1.

Temos que x2≈2⁢x−1 para x próximo de 1. Isto é consequência da linearização de f⁢(x)=x2 em x0=1, pois

f′⁢(x)=2⁢x (3.394)
f′⁢(1)=2 (3.395)
f⁢(1)=1. (3.396)

Logo, a linearização de f em x0=1 é

l⁢(x)=f′⁢(x0)⁢(x−x0)+f⁢(x0) (3.397)
=2⋅(x−1)+1=2x−1. (3.398)

A seguinte tabela contém o erro desta aproximação, i.e. ε=|l⁢(x)−f⁢(x)| para alguns valores de x próximos de 1.

x x2 l⁢(x) ε
2.0 4.00 3.00 1.00
1.5 2.25 2.00 0.25
1.1 1.21 1.20 0.01
Código 65: Python
1from sympy import Symbol, ln, diff, Lambda
2x = Symbol('x')
3f = Lambda(x, x**2)
4print(f'f(x) = {f(x)}')
5fl = Lambda(x, diff(f(x), x))
6x0 = 1
7l = Lambda(x, fl(x0)*(x-x0) + f(x0))
8print(f'l(x) = {l(x)}')
f(x) = x**2
l(x) = 2*x - 1

3.7.2 Diferenciais

Se y=f⁢(x) é uma função diferenciável em x, então definimos a diferencial de y como sendo

d⁢y=f′⁢(x)⁢d⁢x, (3.399)

onde d⁢x é a diferencial de x, i.e. uma variação infenitesimal de x. A diferencial d⁢y é uma aproximação da variação de y quando x varia de x para x+d⁢x. Esta é uma consequência da linearização de f em x, pois

f⁢(x+d⁢x)≈l⁢(x+d⁢x) (3.400)
=f′(x)(x−dx−x)+f(x) (3.401)
=f′(x)dx+f(x), (3.402)

onde segue que

f⁢(x+d⁢x)−f⁢(x)≈f′⁢(x)⁢d⁢x, (3.404)

i.e. a variação de y é aproximadamente igual a diferencial d⁢y. A relação entre as diferenciais motiva a notação de Leibniz888Gottfried Wilhelm Leibniz, 1646 - 1716, matemático e filósofo alemão. Fonte: Wikipédia: Gottfried Wilhelm Leibniz., onde

d⁢yd⁢x=f′⁢(x). (3.405)
Exemplo 3.7.2.

Seja C o comprimento de uma círcunferência de raio r. Sabemos que C=2⁢π⁢r. Usando de diferenciais, podemos estimar a variação de A quando r varia de 5m para 5.5m. Calculamos

d⁢C=(2⁢π⁢r)′⁢d⁢r (3.406)
=2πdr. (3.407)

Assim sendo, para d⁢r=0.5m, temos

d⁢C=2⁢π⋅0.5=π⁢m≈3.14⁢m. (3.408)

Ou seja, quando o raio varia de 5m para 5.5m, o comprimento da circunferência varia aproximadamente 3.14m.

Notemos que a variação exata do comprimento é

Δ⁢C=C⁢(5.5)−C⁢(5) (3.409)
=2π⋅5.5−2π⋅5 (3.410)
=2π⋅0.5=πm≈3.14m. (3.411)

Ou seja, neste caso, a aproximação pela diferencial é exata.

Exemplo 3.7.3.

Seja V=x3 o volume de um cubo de aresta x. Usando de diferenciais, podemos estimar a variação de V quando x varia de 2m para 2.1m. Calculamos

d⁢V=(x3)′⁢d⁢x (3.412)
=3x2dx. (3.413)

Assim sendo, para x=2m e d⁢x=0.1m, temos

d⁢V=3⋅22⋅0.1=1.2⁢m3. (3.414)

Ou seja, quando a aresta varia de 2m para 2.1m, o volume do cubo varia aproximadamente 1.2⁢m3. Qual é o erro desta aproximação? Verifique!

Erro na aproximação diferencial

Seja f uma função diferenciável em x. A aproximação da variação de f pela diferencial é dada por

Δ⁢y=f⁢(x+Δ⁢x)−f⁢(x) (3.415)
≈dy=f′(x)Δx, (3.416)

onde Δ⁢x é uma variação finita de x e d⁢x é uma variação infinitesimal de x. O erro desta aproximação é

Δ⁢y−d⁢y=f⁢(x+Δ⁢x)−f⁢(x)−f′⁢(x)⁢Δ⁢x. (3.417)
=(f⁢(x+Δ⁢x)−f⁢(x)Δ⁢x−f′⁢(x))⏟εΔx. (3.418)

Com isso, podemos escrever

Δ⁢y=f′⁢(x)⁢Δ⁢x+ε⁢Δ⁢x, (3.419)

em que ε→0 quando Δ⁢x→0.

3.7.3 Exercícios resolvidos

ER 3.7.1.

Use a linearização para aproximar o valor de 4.1.

Resolução.

Seja f⁢(x)=x. Podemos aproximá-la por sua linearização l⁢(x) em x0=4. Para tanto, calculamos

f′⁢(x)=(x12)′ (3.420)
=12x−12=12⁢x (3.421)
f′⁢(4)=12⁢4=14 (3.422)
f⁢(4)=4=2. (3.423)

Logo, a linearização de f em x0=4 é

l⁢(x)=f′⁢(x0)⁢(x−x0)+f⁢(x0) (3.424)
=14(x−4)+2 (3.425)
=x4+1. (3.426)

Assim sendo, para x=4.1, temos

4.1=f⁢(4.1)≈l⁢(4.1) (3.427)
=4.14+1=2.025. (3.428)

O valor exato é 4.1≈2.02485, i.e. o erro da aproximação é aproximadamente 0.00015.

ER 3.7.2.

Use de diferenciais para estimar a variação da área de um círculo quando seu raio varia de 5cm para 5.1cm. Então, verifique o erro desta aproximação.

Resolução.

Seja A=π⁢r2 a área de um círculo de raio r. Usando de diferenciais, podemos estimar a variação de A quando r varia de 5cm para 5.1cm. Calculamos

d⁢A=(π⁢r2)′⁢d⁢r (3.429)
=2πrdr. (3.430)

Assim sendo, para r=5cm e d⁢r=0.1cm, temos

d⁢A=2⁢π⋅5⋅0.1 (3.431)
=πcm2≈3.14cm2. (3.432)

Ou seja, quando o raio varia de 5cm para 5.1cm, a área do círculo varia aproximadamente 3.14⁢cm2.

O erro desta aproximação é

ε=|Δ⁢A−d⁢A| (3.433)
=|π(5.1)2−π(5)2−π| (3.434)
=|π(26.01−25−1)| (3.435)
=|π(0.01)| (3.436)
=0.01πcm2≈0.0314cm2. (3.437)

3.7.4 Exercícios

E. 3.7.1.

Calcule a linearização de f⁢(x)=x3 em x0=1. Então, use-a para aproximar o valor de 1.13 e verifique o erro desta aproximação.


l⁢(x)=3⁢x−2, l⁢(1.1)=1.3, f⁢(1.1)=1.331, |f⁢(1.1)−l⁢(1.1)|=0.031.

E. 3.7.2.

Calcule a linearização de f⁢(x)=x em x0=1. Então, use-a para aproximar o valor de 1.1.


l⁢(x)=x2+12, l⁢(1.1)=1.05.

E. 3.7.3.

Qual é a linearização de y=sen⁡(x) em x=0. Então, use-a para aproximar o valor de sen⁡(0.1).


l⁢(x)=x, l⁢(0.1)=0.1.

E. 3.7.4.

Mostre que valem as seguintes aproximações para x próximo de 0:

  1. a)

    cos⁡x≈1

  2. b)

    tg⁡x≈x

  3. c)

    ex≈1+x


Basta calcular as linearizações de cada função em x0=0: a) l⁢(x)=1; b) l⁢(x)=x; c) l⁢(x)=1+x.

E. 3.7.5.

Mostre que valem as seguintes aproximações para x≈1 e calcule o valor aproximado de cada função para x=1.1:

  1. a)

    x≈12⁢x+12, 1.1≈?

  2. b)

    ln⁡(x)≈x−1, ln⁡(1.1)≈?

  3. c)

    ex≈e⁢x,e1.1≈?


a) 1.1≈1.05; b) ln⁡(1.1)≈0.1; c) e1.1≈≈2.98.

E. 3.7.6.

Calcule a linearização de f⁢(θ)=cos⁡(θ) em θ0=−π/2. Então, use-a para aproximar o valor de −3⁢π/8.


l⁢(x)=θ+π/2, l⁢(−3⁢π/8)=π/8.

E. 3.7.7.

Lembrando-se que o volume de uma esfera de raio r é V=43⁢π⁢r3, use de diferenciais para estimar a variação do volume quando o raio varia de 10cm para 10.1cm. Então, verifique o erro desta aproximação.


A variação aproximada do volume é 40⁢π⁢cm3. O erro desta aproximação é aproximadamente 0.4⁢cm3.

E. 3.7.8.

Lembrando-se que a área da superfície de uma esfera de raio r é A=4⁢π⁢r2, use de diferenciais para estimar a variação da área quando o raio varia de 10cm para 10.1cm.


A variação aproximada da área é 8⁢π⁢cm2.

E. 3.7.9.

Use de diferenciais para estimar a variação da área de superfície de um cubo quando sua aresta varia de 2m para 2.05m. Então, verifique o erro desta aproximação.


A variação aproximada da área é 1.2⁢m2. O erro desta aproximação é aproximadamente 0.2025⁢m2.

E. 3.7.10.

Considere um triângulo retângulo de ângulo θ, cateto oposto de comprimento a e hipotenusa de comprimento 1. Use de diferenciais para estimar a variação do cateto oposto quando θ varia de π/4 para π/3. Então, verifique o erro desta aproximação.


A variação aproximada do cateto oposto é 0.185. O erro desta aproximação é aproximadamente 0.026.


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Pedro H A Konzen
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