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Cálculo I

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3.8 Regra da cadeia

Regra da cadeia é nome dado a técnica de derivação de uma função composta. Sejam f e g, com g derivável em x e f derivável em g⁢(x), então (f∘g) é derivável em x e vale a seguinte regra de derivação

(f∘g)′⁢(x)=[f⁢(g⁢(x))]′=f′⁢(g⁢(x))⋅g′⁢(x), (3.438)

Antes de mostrarmos a validade desta regra, estudemos um exemplo de sua aplicação.

Exemplo 3.8.1.

A derivada em relação a x de h⁢(x)=(x+1)2 pode ser calculada das seguintes formas:

  1. a)

    pela regra da cadeia.

    A função h é a composição da função f⁢(x)=x2 com a função g⁢(x)=x+1, i.e. h⁢(x)=f⁢(g⁢(x)). Temos f′⁢(x)=2⁢x e g′⁢(x)=1. Então, segue pela regra da cadeia

    h′⁢(x)=[f⁢(g⁢(x))]′ (3.439)
    =f′(g(x))⋅g′(x) (3.440)
    =2(x+1)⋅1 (3.441)
    =2x+2. (3.442)
  2. b)

    por cálculo direto.

    Observando que h⁢(x)=(x+1)2=x2+2⁢x+1, temos

    h′⁢(x)=(x2+2⁢x+1)′ (3.443)
    =(x2)′+(2x)′+(1)′ (3.444)
    =2x+2. (3.445)
Código 66: Python
1from sympy import Symbol, diff
2x = Symbol('x')
3h = (x + 1)**2
4print(f'h(x) = {h}')
5print(f'h\’(x) = {diff(h, x)}')
h(x) = (x + 1)**2
h'(x) = 2*x + 2

A validade da regra da cadeia pode ser mostrada como segue. Sejam diferenciáveis as funções y=f⁢(u), com u=g⁢(x). Queremos calcular

(f∘g)′⁢(x)=limΔ⁢x→0Δ⁢yΔ⁢x, (3.446)

onde Δ⁢y=f⁢(g⁢(x+Δ⁢x))−f⁢(g⁢(x)). Da equação (3.419), temos

Δ⁢y=f′⁢(u)⁢Δ⁢u+εf⁢Δ⁢u, (3.447)

em que εf→0 quando Δ⁢u→0. Por outro lado, como g é diferenciável em x, segue que

Δ⁢u=g⁢(x+Δ⁢x)−g⁢(x) (3.448)
=g′(x)Δx+εgΔx, (3.449)

em que εg→0 quando Δ⁢x→0. Substituindo a segunda equação na primeira, obtemos

Δ⁢y=f′⁢(u)⁢(g′⁢(x)⁢Δ⁢x+εg⁢Δ⁢x)+εf⁢(g′⁢(x)⁢Δ⁢x+εg⁢Δ⁢x) (3.450)
=f′(u)g′(x)Δx+f′(u)εgΔx+εfg′(x)Δx+εfεgΔx (3.451)
=[f′(u)g′(x)+f′(u)εg+εfg′(x)+εfεg]Δx. (3.452)

Logo, segue que

(f∘g)′⁢(x)=limΔ⁢x→0Δ⁢yΔ⁢x (3.453)
=limΔ⁢x→0[f′(u)g′(x)+f′(u)εg+εfg′(x)+εfεg] (3.454)
=f′(u)g′(x)+f′(u)⋅0+0⋅g′(x)+0⋅0 (3.455)
=f′(u)g′(x). (3.456)
Teorema 3.8.1.(Regra da cadeia)

Sejam f e g, com g derivável em x e f derivável em u=g⁢(x). Então, (f∘g) é derivável em x e vale a seguinte regra de derivação

dd⁢x⁢f⁢(u)=f′⁢(u)⁢d⁢ud⁢x. (3.457)
Observação 3.8.1.(Derivada de função potência)

Em seções anteriores, já vimos que

dd⁢x⁢xn=n⁢xn−1, (3.458)

para qualquer n inteiro999Mais precisamente, para n≠0 e n≠1.. Agora, se r≠0 e r≠1 é um número real, temos

y=xr (3.459)
ln⁡y=ln⁡xr=r⁢ln⁡x. (3.460)

Daí, derivando ambos os lados desta última equação e observando que y=y⁢(x), obtemos

dd⁢x⁢ln⁡y=dd⁢x⁢r⁢ln⁡x (3.461)
1y⁢d⁢yd⁢x=rx (3.462)
d⁢yd⁢x=rx⁢y (3.463)
d⁢yd⁢x=r⁢xr−1. (3.464)

Ou seja, a regra da potência

dd⁢x⁢xr=r⁢xr−1, (3.465)

vale para todo r real, com r≠0 e r≠1.

Exemplo 3.8.2.

Estudemos os seguintes casos:

  1. a)

    dd⁢x⁢x=(x12)′ (3.466)
    =12x12−1 (3.467)
    =12⁢x. (3.468)
  2. b)

    (x2)′=2⁢x2−1. (3.469)
Observação 3.8.2.(Regra da cadeia para função potência)

A regra da cadeia aplicada a derivada de função potência é

dd⁢x⁢ur=r⁢ur−1⁢d⁢ud⁢x. (3.470)
Exemplo 3.8.3.

Vamos calcular a derivada em relação a x de

f⁢(x)=x2+1 (3.471)

Vamos usar (3.470), com

u=x2+1 (3.472)

e r=1/2. Segue que

f′⁢(x)=12⁢u⋅d⁢ud⁢x (3.473)
=12⁢x2+1⋅2x (3.474)
=2⁢xx2+1 (3.475)
Código 67: Python
1from sympy import sqrt, diff
2from sympy.abc import x
3diff(sqrt(x**2 + 1), x)
x/sqrt(x**2 + 1)

A regra da cadeia pode ser estendida para calcular a derivada de uma composição encadeada de três ou mais funções. Por exemplo,

[f⁢(g⁢(h⁢(x)))]′=f′⁢(g⁢(h⁢(x)))⋅[g⁢(h⁢(x))]′ (3.476)
=f′(g(h(x)))⋅g′(h(x))⋅h′(x). (3.477)

Neste caso, a regra é válida para todo ponto tal que h é derivável em x com g derivável em h⁢(x) e f derivável em f⁢(g⁢(h⁢(x))).

Exemplo 3.8.4.

Vamos calcular a derivada em relação a x de f⁢(x)=sen⁡(cos⁡(x2)). Pela regra da cadeia, temos

[sen⁡(cos⁡(x2))]=cos⁡(cos⁡(x2))⋅[cos⁡(x2)]′ (3.478)
=cos(cos(x2))⋅[−sen(x2)⋅(x2)′] (3.479)
=−cos(cos(x2))⋅sen(x2)⋅2x. (3.480)

3.8.1 Lista de derivadas

(k⁢u)′=k⁢u′ (3.481)
(u±v)′=u′±v′ (3.482)
(u⁢v)′=u′⁢v+u⁢v′ (3.483)
(uv)′=u′⁢v−u⁢v′v2 (3.484)
(k)′=0 (3.485)
(x)′=1 (3.486)
d⁢und⁢x=n⁢un−1⁢d⁢ud⁢x (3.487)
d⁢aud⁢x=au⁢ln⁡a⁢d⁢ud⁢x (3.488)
d⁢eud⁢x=eu⁢d⁢ud⁢x (3.489)
dd⁢x⁢loga⁡u=1u⁢d⁢ud⁢x (3.490)
dd⁢x⁢sen⁡u=cos⁡(u)⁢d⁢ud⁢x (3.491)
dd⁢x⁢cos⁡u=−sen⁡(u)⁢d⁢ud⁢x (3.492)
dd⁢x⁢tg⁡u=sec2⁡(u)⁢d⁢ud⁢x (3.493)
dd⁢x⁢cotg⁡u=−cossec2⁡(u)⁢d⁢ud⁢x (3.494)
dd⁢x⁢sec⁡u=sec⁡(u)⁢tg⁡(u)⁢d⁢ud⁢x (3.495)
dd⁢x⁢cossec⁡u=−cossec⁡(u)⁢cotg⁡(u)⁢d⁢ud⁢x (3.496)

3.8.2 Exercícios resolvidos

ER 3.8.1.

Calcule a derivada em relação a x de

f⁢(x)=ex+1. (3.497)
Resolução.

Da regra da cadeia aplicada à função exponencial, temos

dd⁢x⁢eu=eu⁢d⁢ud⁢x. (3.498)

Então, com u=x+1, segue

f′⁢(x)=dd⁢x⁢ex+1 (3.499)
=ex+1dd⁢x(x+1). (3.500)

Agora, aplicamos a regra da cadeia para a função raiz quadrada, i.e.

dd⁢x⁢u=12⁢u⁢d⁢ud⁢x, (3.501)

com u=x+1. Segue, então

dd⁢x⁢x+1=12⁢(x+1)12−1⁢dd⁢x⁢(x+1) (3.502)
=12⁢x+1. (3.503)

Portanto, concluímos que

f′⁢(x)=12⁢x+1⁢ex+1. (3.504)
Código 68: Python
1from sympy import exp, sqrt, diff
2from sympy.abc import x
3diff(exp(sqrt(x + 1)), x)
exp(sqrt(x + 1))/(2*sqrt(x + 1))
ER 3.8.2.(Função logística)

Mostre que a função logística

f⁢(x)=11+e−x (3.505)

satisfaz a equação diferencial

dd⁢x⁢f⁢(x)=f⁢(x)⁢(1−f⁢(x)). (3.506)
Resolução.

Vamos calcular a derivada em relação a x da função logística, i.e.

dd⁢x⁢f⁢(x)=dd⁢x⁢(11+e−x) (3.507)
=dd⁢x[(1+e−x)−1] (3.508)
=−1⋅(1+e−x)−2⋅(1+e−x)′⏟=−e−x (3.509)
=e−x(1+e−x)2. (3.510)

Por outro lado, temos

f⁢(x)⁢(1−f⁢(x))=11+e−x⋅(1−11+e−x) (3.511)
=11+e−x⋅(1+e−x−11+e−x) (3.512)
=e−x(1+e−x)2. (3.513)

Ou seja, de fato temos

dd⁢x⁢f⁢(x)=f⁢(x)⁢(1−f⁢(x)). (3.514)
Código 69: Python
1from sympy import exp, diff, Eq, simplify
2from sympy.abc import x
3f = 1/(1 + exp(-x))
4dfdx = diff(f, x)
5rhs = f * (1 - f)
6eq = Eq(dfdx, rhs)
7simplify(eq)
True
ER 3.8.3.

Assuma que o custo de produção de uma unidade empresarial seja modelada pela função

c⁢(x)=x−1+ex−7, (3.515)

onde c é o custo em função da produção x. Determine o custo marginal quando x=3.

Resolução.

O custo marginal é a função derivada do custo em relação à produção. Calculando, temos

c′⁢(x)=(x−1+ex−7) (3.516)
=(x−1)′⏟(un)′=n⁢un−1⁢u′+(ex−7)′⏟(eu)′=eu⁢u′ (3.517)
=12⁢x−1+ex−7. (3.518)

Logo, o custo marginal quando x=3 é

c′⁢(3)=12⁢3−1+e3−7 (3.519)
=2+e−4. (3.520)
Código 70: Python
1from sympy import sqrt, exp, diff
2from sympy.abc import x
3c = sqrt(x - 1) + exp(x - 7)
4dc_dx = diff(c, x)
5dc_dx_at_3 = dc_dx.subs(x, 3)
6dc_dx_at_3
exp(-4) + sqrt(2)/4
ER 3.8.4.

Mostre que ln⁡(1+x)≈x para x próximo de 0.

Resolução.

Basta calcular a linearização de f⁢(x)=ln⁡(1+x) em x0=0, i.e.

ln⁡(1+x)≈l⁢(x)=f′⁢(x0)⁢(x−x0)+f⁢(x0). (3.521)

Para calcular a derivada f′⁢(x), usamos a regra da cadeia, i.e.

dd⁢x⁢ln⁡u=1u⁢d⁢ud⁢x, (3.522)

com u=1+x. Segue que

f′⁢(x)=11+x⋅1 (3.523)
=11+x. (3.524)

Logo, f′⁢(0)=1. Por outro lado, f⁢(0)=ln⁡(1)=0. Portanto, a linearização de f em x0=0 é

l⁢(x)=1⋅(x−0)+0=x. (3.525)

Ou seja, ln⁡(1+x)≈x para x próximo de 0.

3.8.3 Exercícios

E. 3.8.1.

Calcule a derivada em relação a x das seguintes funções

  1. a)

    f⁢(x)=(2⁢x−3)9

  2. b)

    g⁢(x)=1(2⁢x−3)51

  3. c)

    h⁢(x)=x2+1


a) f′⁢(x)=18⁢(2⁢x−3)8; b) g′⁢(x)=−102(2⁢x−3)52; c) h′⁢(x)=xx2+1

E. 3.8.2.

Calcule a derivada em relação a x das seguintes funções

  1. a)

    f⁢(x)=23⁢x−1

  2. b)

    g⁢(x)=e−x2


a) f′⁢(x)=3⋅23⁢x−1⁢ln⁡2; b) g′⁢(x)=−2⁢x⁢e−x2.

E. 3.8.3.

Calcule as seguintes derivadas

  1. a)

    [ln⁡(x2−1)]′

  2. b)

    dd⁢x⁢[log2⁡(x−1)+log2⁡(x+1)]


a) 2⁢xx2−1; b) 2⁢x(x2−1)⁢ln⁡2

E. 3.8.4.

Calcule a derivada em relação a x das seguintes funções

  1. a)

    f⁢(x)=sen⁡(π⁢x)

  2. b)

    g⁢(x)=cos⁡(x)

  3. c)

    h⁢(x)=tg⁡(2⁢x)

  4. d)

    u⁢(x)=cotg⁡(3−x)

  5. e)

    v⁢(x)=sec⁡(1x2)

  6. f)

    z⁢(x)=cossec⁡(5⁢x+x2)


a) f′⁢(x)=π⁢cos⁡(π⁢x); b) g′⁢(x)=−12⁢x⁢sen⁡(x); c) h′⁢(x)=2⁢sec2⁡(2⁢x); d) u′⁢(x)=cossec2⁡(3−x); e) v′⁢(x)=−2x2⁢sec⁡(1x2)⁢tg⁡(1x2);
f) z′⁢(x)=−(5+2⁢x)⁢cossec⁡(5⁢x+x2)⁢cotg⁡(5⁢x+x2)

E. 3.8.5.

Calcule a derivada em relação a x das seguintes funções

  1. a)

    f⁢(x)=sen⁡(cos⁡(x2))

  2. b)

    g⁢(x)=e−(x−1)2

  3. c)

    h⁢(x)=1+e2⁢x


a) f′⁢(x)=−2⁢x⁢cos⁡(cos⁡(x2))⁢sen⁡(x2); b) g′⁢(x)=−2⁢(x−1)⁢e−(x−1)2; c) h′⁢(x)=e2⁢x1+e2⁢x.

E. 3.8.6.

Calcule a derivada em relação a x das seguintes funções

  1. a)

    f⁢(x)=ln⁡(cos2⁡(tg⁡(x)))

  2. b)

    g⁢(x)=sen⁡(1+e2⁢x)


a) f′⁢(x)=−2⁢sec2⁡(x)⁢tan⁡(x)⁢cotg⁡(tg⁡(x)); b) g′⁢(x)=e2⁢x1+e2⁢x⁢cos⁡(1+e2⁢x).

E. 3.8.7.

Encontre a equação da reta tangente ao gráfico da função

f⁢(x)=ex+1 (3.526)

no ponto x=3.


y=e24⁢x+e24

E. 3.8.8.

Calcule a linearização de f⁢(x)=1+x em x0=0. Então, use-a para aproximar o valor de 1.1.


l⁢(x)=x2+1, l⁢(0.1)=1.05.

E. 3.8.9.

Use de diferenciais para estimar a variação do valor de f⁢(x)=1+x2 quando x varia de 1 para 1.1.


0.07

E. 3.8.10.

Mostre que (1+x)k≈1+k⁢x para x próximo de 0.


Basta calcular a linearização de f⁢(x)=(1+x)k em x0=0: l⁢(x)=k⁢x+1.


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Pedro H A Konzen
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