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Equações Diferenciais Ordinárias

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4.1 Sistema de equações homogêneas

Nesta seção, discutimos sobre um método de solução para sistemas de EDOs de primeira ordem, lineares, com coeficientes constantes e homogêneas. Ou seja, sistema da forma

𝒚(t)=A𝒚(t), (4.5)

onde 𝒚(t)=(y1(t),y2(t),,yn(t)), n>1, é o vetor das incógnitas e A=[aij]i,j=1n,n é a matriz dos coeficientes.

O método consiste em buscar soluções da forma

𝒚=𝒗ert, (4.6)

onde r e o vetor constante 𝒗=(v1,v2,,vn) devem ser determinados.

Substituindo em (4.5), obtemos1616endnote: 160¯=(0,0,0).

r𝒗ert=A𝒗ert (4.7)
A𝒗ertr𝒗ert=0¯ (4.8)
(ArI)𝒗ert>0=0¯, (4.9)

ou seja, temos que r e 𝒗 devem tais que

(ArI)𝒗=0¯. (4.10)

Em outras palavras, r é autovalor e 𝒗 é autovetor da matriz A.

Com isso, concluímos que se r1 autovalor e 𝒗1 autovetor de A, então

𝒚1(t)=𝒗1er1t (4.11)

é solução particular de (4.5). A solução geral tem a forma

𝒚(t)=c1𝒚𝟏(t)+c2𝒚𝟐(t)++cn𝒚𝒏(t), (4.12)

onde 𝒚𝟏, 𝒚𝟐, , 𝒚n formam um conjunto fundamental de soluções de (4.5), i.e. são soluções linearmente independentes.

4.1.1 Autovalores reais distintos

No caso da matriz dos coeficientes A ter apenas todos os autovalores reais e dois a dois distintos, então a solução geral de (4.5) é

𝒚(t)=c1𝒗1er1t+c2𝒗2er2t++cn𝒗nernt, (4.13)

onde ri e 𝒗i é autovalor e autovetor de A respectivamente e i=1,2,,n. A independência linear das soluções é garantida pelo wronskiano

W(er1t,,ernt;t)0. (4.14)
Exemplo 4.1.1.

Vamos resolver o seguinte sistema

y1(t) =2y1(t)+2y2(t) (4.15)
y2(t) =2y1(t)+3y2(t). (4.16)

Primeiramente, reescrevemos o sistema na sua forma matricial

𝒚=[2223]A𝒚, (4.17)

onde 𝒚:t𝒚(t)=(y1(t),y2(t)). Então, calculamos os autovalores da matriz dos coeficientes A. Para tanto, resolvemos sua equação característica

|ArI|=0 (4.18)
|[2223]r[1001]|=0 (4.19)
|2r223r|=0 (4.20)
(2r)(3r)+4=0 (4.21)
r2r2=0, (4.22)
r=1±92 (4.23)
r1=1,r2=2. (4.24)

Obtidos os autovalores, calculamos os autovetores 𝒗1 e 𝒗2. Começamos calculando o autovetor associado a r1.

(Ar1I)𝒗1=0¯ (4.25)
[2r1223r1][v11v21]=[00] (4.26)
[1224][v11v21]=[00] (4.27)
[12|024|0]×2 (4.28)
[12|000|0] (4.29)

Assim, temos

v11+2v21=0 (4.30)
v11=2v21, (4.31)

donde escolhemos

𝒗1=[21]. (4.32)

Com isso, temos obtido a solução particular

𝒚1(t) =𝒗1er1t (4.33)
=[21]et (4.34)

Agora, de forma análoga, calculamos 𝒗2, um autovetor associado a r2.

(Ar2I)𝒗2=0¯ (4.35)
[2r22|023r2|0] (4.36)
[42|021|0]×2 (4.37)
[00|021|0] (4.38)
2v12+v22=0 (4.39)
𝒗2=[12] (4.40)

Com isso, temos a solução particular

𝒚2(t) =𝒗2er2t (4.41)
=[12]e2t (4.42)

De tudo isso, concluímos que a solução geral de (4.15) é

𝒚(t) =c1𝒚1(t)+c2𝒚2 (4.43)
=c1[21]et+c2[12]e2t (4.44)

ou, ainda,

y1(t) =2c1et+c2e2t (4.45)
y2(t) =c1et+2c2e2t (4.46)

No Python, podemos computar os autovalores e autovetores da matriz A com os seguintes comandos1717endnote: 17Veja mais informações em SymPy: Matrices.:

1 In : from sympy import *
2 In : A = Matrix([[-2,2],[-2,3]])
3 In : A.eigenvects()
4 Out:
5 [(-1, 1, [Matrix([
6 [2],
7 [1]])]), (2, 1, [Matrix([
8 [1/2],
9 [ 1]])])]

Então, a solução do sistema (4.15) pode ser computada com os comandos:

1 In : t,C1,C2 = symbols('t,C1,C2')
2 In : y1,y2 = symbols('y1,y2', cls=Function)
3 In : se = (Eq(diff(y1(t),t),-2*y1(t)+2*y2(t)), \
4 ...: Eq(diff(y2(t),t),-2*y1(t)+3*y2(t)))
5 ...:
6 In : dsolve(se,[y1(t),y2(t)])
7 Out:
8 [Eq(y1(t), 2*C1*exp(-t) + 2*C2*exp(2*t)),
9 Eq(y2(t), C1*exp(-t) + 4*C2*exp(2*t))]

4.1.2 Autovalores reais repetidos

Um autovalor real duplo r da matriz de coeficientes A nos fornece duas soluções particulares para (4.5), a saber

𝒚1(t) =𝒗1ert, (4.47)
𝒚2(t) =𝒗1tert+𝒗2ert, (4.48)

onde 𝒗1 é autovetor associado a r. Para encontrar 𝒗2, substituímos 𝒚2 em (4.5), donde

𝒚2=A𝒚2 (4.49)
𝒗1ert+r𝒗1tert+r𝒗2ert=A𝒗1tert+A𝒗2ert (4.50)
(ArI)𝒗1t+(ArI)𝒗2=𝒗1 (4.51)

Segue que

(ArI)𝒗1 =0¯ (4.52)
(ArI)𝒗2 =𝒗1 (4.53)
Exemplo 4.1.2.

Vamos calcular a solução geral de

𝒚=[110011001]𝒚. (4.54)

Neste caso, temos que r1,2=1 é autovalor duplo e r3=1 é autovalor simples da matriz de coeficientes do sistema (4.54).

Associadas a r1,2 buscamos por soluções particulares da forma

𝒚1=𝒗1er1,2t, (4.55)
𝒚2=𝒗1ter1,2t+𝒗2er1,2t. (4.56)

Calculamos 𝒗1 resolvendo

(Ar1,2I)𝒗1=0¯ (4.57)
[1r1,210|001r1,21|0001r1,2|0] (4.58)
[010|0001|0002|0] (4.59)

Com isso, podemos escolher

𝒗1=[100]. (4.60)

Determinado 𝒗1, calculamos 𝒗2 com

(Ar1,2I)𝒗2=𝒗1 (4.61)
[010|1001|0002|0] (4.62)

donde escolhemos

𝒗2=[110]. (4.63)

Agora, associada a r3 temos uma solução particular da forma

𝒚3=𝒗3er3t, (4.64)

onde

(Ar3I)𝒗3=0¯ (4.65)
[1r310|001r31|0001r3|0] (4.66)
[210|0021|0000|0] (4.67)

Com isso, temos 2v13+v23=0, 2v23v33=0. Ou seja, podemos escolher

𝒗𝟑=[124]. (4.68)

Com tudo isso, podemos concluir que a solução geral de (4.54) é

𝒚(t) =c1𝒗1er1,2t+c2(𝒗1t+𝒗2)er1,2t+c3𝒗3er3t (4.69)
𝒚(t) =c1[100]et+c2([100]t+[110])et+c3[124]et. (4.70)

4.1.3 Autovalores complexos

Vejamos o caso de r=λ±μi serem autovalores complexos da matriz de coeficientes do sistema (4.5). Associados, temos autovetores da forma

𝒗 =𝒗1+𝒗2i, (4.71)
𝒗¯ =𝒗1𝒗2i. (4.72)

Por substituição direta, podemos verificar que

𝒖1(t) =𝒗e(λ+μi)t, (4.73)
𝒖2(t) =𝒗¯e(λμi)t, (4.74)

são soluções de (4.5). Também, verifica-se que as partes real e imaginária de 𝒖1 e u2 são soluções reais de (4.5). A fim determiná-las, usamos a fórmula de Euler1818endnote: 18Leonhard Euler, 1707-1783, matemático suíço. Fonte: Wikipedia., calculamos

𝒖1 =(𝒗1+𝒗2i)e(λ+μi)t (4.75)
𝒖1 =(𝒗1+𝒗2i)eλt[cos(μt)+isen(μt)] (4.76)
𝒖1 =eλt[𝒗𝟏cos(μt)𝒗2sen(μt)] (4.77)
=ieλt[𝒗𝟏sen(μt)+𝒗2cos(μt)]. (4.78)

De forma análoga, verifica-se que 𝒖1=𝒖2¯. Ou seja, as partes reais e imaginárias de 𝒖1 e 𝒖2 são

𝒚1(t) =eλt[𝒗𝟏cos(μt)𝒗2sen(μt)], (4.79)
𝒚2(t) =eλt[𝒗𝟏sen(μt)+𝒗2cos(μt)], (4.80)

as quais são soluções linearmente independentes, particulares de (4.5).

Exemplo 4.1.3.

Vamos calcular a solução geral de

𝒚=[1111]𝒚. (4.81)

Começamos calculando os autovalores associados a matriz de coeficientes do sistema (4.81). Podemos fazer isso como segue

|ArI|=0 (4.82)
|1r111r|=0 (4.83)
(1r)2+1=0 (4.84)
r22r+2=0 (4.85)
r=1±i (4.86)

Um autovetor associado a r=1+i pode ser obtidos resolvendo-se

(ArI)𝒗=0¯[1r1|011r|0] (4.87)
[i1|01i|0]×i+ (4.88)
[i1|000|0] (4.89)
iv1+v2=0. (4.90)

Com isso, podemos escolher o autovetor

𝒗 =[1i] (4.91)
=[10]𝒗1+i[01]𝒗2 (4.92)

Desta forma, identificamos as soluções particulares

𝒚1(t) =et{[10]cos(t)[01]sen(t)} (4.93)
𝒚2(t) =et{[10]sen(t)+[01]cos(t)} (4.94)

Concluímos que a solução geral de (4.81) é

𝒚(t) =c1𝒚1(t)+c2𝒚2(t) (4.95)
=c1et{[10]cos(t)[01]sen(t)} (4.96)
+c2et{[10]sen(t)+[01]cos(t)} (4.97)

Exercícios resolvidos

ER 4.1.1.

Resolva o seguinte PVI

𝒚 =[3113]𝒚, (4.98)
𝒚(0) =[11] (4.99)
Solução 0.

O primeiro passo é encontrar a solução geral de

𝒚=[3113]𝒚. (4.100)

Para tanto, calculamos os autovalores da matriz dos coeficientes.

|ArI|=0 (4.101)
|3r113r|=0 (4.102)
(3r)21=0 (4.103)
r2+6r+8=0 (4.104)
r1=4,r2=2. (4.105)

Então, buscamos por autovetores associados.

(Ar1I)𝒗1=0¯ (4.106)
[11|011|0] (4.107)
v11+v21=0 (4.108)
𝒗1=[11] (4.109)
(Ar2I)𝒗2=0¯ (4.110)
[11|011|0]×1+ (4.111)
[11|000|0]v12+v22=0 (4.112)
𝒗2=[11] (4.113)

Com isso, temos a solução geral da EDO dada por

𝒚(t) =c1𝒗1er1t+c2𝒗2er2t (4.114)
=c1[11]e4t+c2[11]e2t. (4.115)

Agora, aplicamos a condição inicial.

𝒚(0)=[11] (4.116)
c1[11]+c2[11]=[11] (4.117)
[11|111|1]×1+ (4.118)
[11|102|0] (4.119)

Segue que

c1+c2 =1 (4.120)
2c2 =0 (4.121)

donde, c1=1 e c2=0.

Concluímos que a solução do PVI é

𝒚(t)=[11]e4t. (4.122)

No Python, podemos computar a solução deste exercício com os seguintes comandos:

1 In : from sympy import *
2 In : t,C1,C2 = symbols('t,C1,C2')
3 In : y1,y2 = symbols('y1,y2', cls=Function)
4 In : ed = (Eq(diff(y1(t),t),-3*y1(t)+y2(t)),\
5 ...: Eq(diff(y2(t),t),y1(t)-3*y2(t)))
6 ...:
7 In : ds = dsolve(ed,[y1(t),y2(t)])
8 In : cs = solve((Eq(ds[0].rhs.subs(t,0),-1), \
9 ...: Eq(ds[1].rhs.subs(t,0),1)),[C1,C2])
10 ...:
11 In : ds[0].subs(cs)
12 Out: Eq(y1(t), -exp(-4*t))
13
14 In : ds[1].subs(cs)
15 Out: Eq(y2(t), exp(-4*t))
ER 4.1.2.

Calcule a solução geral do seguinte sistema

y1 =y1+2y2 (4.123)
y2 =2y1y2+y3 (4.124)
y3 =y3+y4 (4.125)
y4 =y4 (4.126)
Solução 0.

Vamos reescrever o sistema na sua forma matricial.

𝒚=[1200211000110001]𝒚 (4.127)

Calculamos os autovalores da matriz dos coeficientes.

|ArI|=0 (4.128)
|1r20021r10001r10001r|=0 (4.129)
r4+4r3+10r2+12r+5=0 (4.130)

Resolvendo esta equação característica, obtemos os autovalores r1,2=1 e r3,r4=1±2i.

  1. a)

    r1,r2=1:

    Soluções particulares associadas.

    𝒚1=𝒗1er1,2t, (4.131)
    𝒚2=𝒗1ter1,2t+𝒗2er1,2t (4.132)

    O vetor 𝒗1 é autovetor associado a r1,2.

    (Ar1I)𝒗1=0¯ (4.133)
    [0200|02010|00001|00000|0] (4.134)
    𝒗1=[1020] (4.135)

    O vetor 𝒗2 é calculado como segue.

    (Ar1,2I)𝒗2=𝒗1 (4.136)
    [0200|12010|00001|20000|0] (4.137)
    𝒗2=[11222] (4.138)
  2. b)

    r3,r4=1+2i:

    Soluções particulares associadas.

    𝒚3 =et[𝒗𝟑cos(2t)𝒗4sen(2t)] (4.139)
    𝒚4 =et[𝒗𝟑sen(2t)+𝒗4sen(2t)] (4.140)

    Os vetores 𝒗3 e 𝒗4 são, respectivamente, as partes real e imaginária de autovetor associado a r3 ou r4. Usando r3 e denotando o autovetor por 𝒗, calculamos como segue.

    (Ar3I)𝒗=0¯ (4.141)
    [2i200|022i10|0002i1|00002i|0] (4.142)
    𝒗=[1i00]=[1000]𝒗𝟏+i[0100]𝒗2 (4.143)

De tudo isso, temos a solução geral

𝒚(t) =c1𝒚1(t)+c2𝒚2+c3𝒚3(t)+c4𝒚4 (4.144)
=c1[1020]et (4.145)
+c2{[1020]t+[11222]}et (4.146)
+c3{[1000]cos(2t)[0100]sen(2t)} (4.147)
+c4{[1000]sen(2t)+[0100]cos(2t)} (4.148)

ou, equivalentemente,

y1(t) =c1et+c2(t+1)et (4.149)
+c3cos(2t)+c4sen(2t) (4.150)
y2(t) =c22etc3sen(2t)+c4cos(2t) (4.151)
y3(t) =2c1et+c2(2t+2)et (4.152)
y4(t) =2c2et (4.153)

Exercícios

E. 4.1.1.

Calcule a solução geral de

y1(t) =y1(t)+2y2(t) (4.154)
y2(t) =4y1(t)+y2(t) (4.155)
Resposta 0.

y1(t)=c1e3t+c2e3t, y2(t)=c1e3t+2c2e3t

E. 4.1.2.

Calcule a solução do PVI

y1(t) =2y1(t)+y2(t),y1(0)=0 (4.156)
y2(t) =4y1(t)y2(t),y2(0)=5 (4.157)
Resposta 0.

y1(t)=e3te2t, y2(t)=e3t+4e2t

E. 4.1.3.

Calcule a solução geral de

𝒚=[1113]𝒚 (4.158)
Resposta 0.

𝒚(t)=c1[11]e2t+c2[11]te2t+c2[10]e2t

E. 4.1.4.

Calcule a solução do PVI

y1(t) =3y1(t)+y2(t),y1(0)=2 (4.159)
y2(t) =y1(t)y2(t),y2(0)=1 (4.160)
Resposta 0.

y1(t)=(t+2)e2t, y2(t)=(t+1)e2t

E. 4.1.5.

Encontre a solução geral de

y1 =2y1y2 (4.161)
y2 =5y12y2 (4.162)
Resposta 0.

y1(t)=c1sen(t)c2cos(t), y2(t)=(2c1c2)sen(t)+(c12c2)cos(t)

E. 4.1.6.

Encontre a solução geral de

y1 =y1+4y26y3 (4.163)
y2 =y13y2+3y3 (4.164)
y3 =y12y2+2y3 (4.165)
Resposta 0.

y1(t)=2c1et2c2tet+3c2et2c3e2t, y2(t)=c1et+c2tet+c3e2t, y3(t)=c2et+c3e2t


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4.1 Sistema de equações homogêneas

Nesta seção, discutimos sobre um método de solução para sistemas de EDOs de primeira ordem, lineares, com coeficientes constantes e homogêneas. Ou seja, sistema da forma

𝒚(t)=A𝒚(t), (4.5)

onde 𝒚(t)=(y1(t),y2(t),,yn(t)), n>1, é o vetor das incógnitas e A=[aij]i,j=1n,n é a matriz dos coeficientes.

O método consiste em buscar soluções da forma

𝒚=𝒗ert, (4.6)

onde r e o vetor constante 𝒗=(v1,v2,,vn) devem ser determinados.

Substituindo em (4.5), obtemos1616endnote: 160¯=(0,0,0).

r𝒗ert=A𝒗ert (4.7)
A𝒗ertr𝒗ert=0¯ (4.8)
(ArI)𝒗ert>0=0¯, (4.9)

ou seja, temos que r e 𝒗 devem tais que

(ArI)𝒗=0¯. (4.10)

Em outras palavras, r é autovalor e 𝒗 é autovetor da matriz A.

Com isso, concluímos que se r1 autovalor e 𝒗1 autovetor de A, então

𝒚1(t)=𝒗1er1t (4.11)

é solução particular de (4.5). A solução geral tem a forma

𝒚(t)=c1𝒚𝟏(t)+c2𝒚𝟐(t)++cn𝒚𝒏(t), (4.12)

onde 𝒚𝟏, 𝒚𝟐, , 𝒚n formam um conjunto fundamental de soluções de (4.5), i.e. são soluções linearmente independentes.

4.1.1 Autovalores reais distintos

No caso da matriz dos coeficientes A ter apenas todos os autovalores reais e dois a dois distintos, então a solução geral de (4.5) é

𝒚(t)=c1𝒗1er1t+c2𝒗2er2t++cn𝒗nernt, (4.13)

onde ri e 𝒗i é autovalor e autovetor de A respectivamente e i=1,2,,n. A independência linear das soluções é garantida pelo wronskiano

W(er1t,,ernt;t)0. (4.14)
Exemplo 4.1.1.

Vamos resolver o seguinte sistema

y1(t) =2y1(t)+2y2(t) (4.15)
y2(t) =2y1(t)+3y2(t). (4.16)

Primeiramente, reescrevemos o sistema na sua forma matricial

𝒚=[2223]A𝒚, (4.17)

onde 𝒚:t𝒚(t)=(y1(t),y2(t)). Então, calculamos os autovalores da matriz dos coeficientes A. Para tanto, resolvemos sua equação característica

|ArI|=0 (4.18)
|[2223]r[1001]|=0 (4.19)
|2r223r|=0 (4.20)
(2r)(3r)+4=0 (4.21)
r2r2=0, (4.22)
r=1±92 (4.23)
r1=1,r2=2. (4.24)

Obtidos os autovalores, calculamos os autovetores 𝒗1 e 𝒗2. Começamos calculando o autovetor associado a r1.

(Ar1I)𝒗1=0¯ (4.25)
[2r1223r1][v11v21]=[00] (4.26)
[1224][v11v21]=[00] (4.27)
[12|024|0]×2 (4.28)
[12|000|0] (4.29)

Assim, temos

v11+2v21=0 (4.30)
v11=2v21, (4.31)

donde escolhemos

𝒗1=[21]. (4.32)

Com isso, temos obtido a solução particular

𝒚1(t) =𝒗1er1t (4.33)
=[21]et (4.34)

Agora, de forma análoga, calculamos 𝒗2, um autovetor associado a r2.

(Ar2I)𝒗2=0¯ (4.35)
[2r22|023r2|0] (4.36)
[42|021|0]×2 (4.37)
[00|021|0] (4.38)
2v12+v22=0 (4.39)
𝒗2=[12] (4.40)

Com isso, temos a solução particular

𝒚2(t) =𝒗2er2t (4.41)
=[12]e2t (4.42)

De tudo isso, concluímos que a solução geral de (4.15) é

𝒚(t) =c1𝒚1(t)+c2𝒚2 (4.43)
=c1[21]et+c2[12]e2t (4.44)

ou, ainda,

y1(t) =2c1et+c2e2t (4.45)
y2(t) =c1et+2c2e2t (4.46)

No Python, podemos computar os autovalores e autovetores da matriz A com os seguintes comandos1717endnote: 17Veja mais informações em SymPy: Matrices.:

1 In : from sympy import *
2 In : A = Matrix([[-2,2],[-2,3]])
3 In : A.eigenvects()
4 Out:
5 [(-1, 1, [Matrix([
6 [2],
7 [1]])]), (2, 1, [Matrix([
8 [1/2],
9 [ 1]])])]

Então, a solução do sistema (4.15) pode ser computada com os comandos:

1 In : t,C1,C2 = symbols('t,C1,C2')
2 In : y1,y2 = symbols('y1,y2', cls=Function)
3 In : se = (Eq(diff(y1(t),t),-2*y1(t)+2*y2(t)), \
4 ...: Eq(diff(y2(t),t),-2*y1(t)+3*y2(t)))
5 ...:
6 In : dsolve(se,[y1(t),y2(t)])
7 Out:
8 [Eq(y1(t), 2*C1*exp(-t) + 2*C2*exp(2*t)),
9 Eq(y2(t), C1*exp(-t) + 4*C2*exp(2*t))]

4.1.2 Autovalores reais repetidos

Um autovalor real duplo r da matriz de coeficientes A nos fornece duas soluções particulares para (4.5), a saber

𝒚1(t) =𝒗1ert, (4.47)
𝒚2(t) =𝒗1tert+𝒗2ert, (4.48)

onde 𝒗1 é autovetor associado a r. Para encontrar 𝒗2, substituímos 𝒚2 em (4.5), donde

𝒚2=A𝒚2 (4.49)
𝒗1ert+r𝒗1tert+r𝒗2ert=A𝒗1tert+A𝒗2ert (4.50)
(ArI)𝒗1t+(ArI)𝒗2=𝒗1 (4.51)

Segue que

(ArI)𝒗1 =0¯ (4.52)
(ArI)𝒗2 =𝒗1 (4.53)
Exemplo 4.1.2.

Vamos calcular a solução geral de

𝒚=[110011001]𝒚. (4.54)

Neste caso, temos que r1,2=1 é autovalor duplo e r3=1 é autovalor simples da matriz de coeficientes do sistema (4.54).

Associadas a r1,2 buscamos por soluções particulares da forma

𝒚1=𝒗1er1,2t, (4.55)
𝒚2=𝒗1ter1,2t+𝒗2er1,2t. (4.56)

Calculamos 𝒗1 resolvendo

(Ar1,2I)𝒗1=0¯ (4.57)
[1r1,210|001r1,21|0001r1,2|0] (4.58)
[010|0001|0002|0] (4.59)

Com isso, podemos escolher

𝒗1=[100]. (4.60)

Determinado 𝒗1, calculamos 𝒗2 com

(Ar1,2I)𝒗2=𝒗1 (4.61)
[010|1001|0002|0] (4.62)

donde escolhemos

𝒗2=[110]. (4.63)

Agora, associada a r3 temos uma solução particular da forma

𝒚3=𝒗3er3t, (4.64)

onde

(Ar3I)𝒗3=0¯ (4.65)
[1r310|001r31|0001r3|0] (4.66)
[210|0021|0000|0] (4.67)

Com isso, temos 2v13+v23=0, 2v23v33=0. Ou seja, podemos escolher

𝒗𝟑=[124]. (4.68)

Com tudo isso, podemos concluir que a solução geral de (4.54) é

𝒚(t) =c1𝒗1er1,2t+c2(𝒗1t+𝒗2)×er1,2t+c3𝒗3er3t (4.69)
𝒚(t) =c1[100]et+c2([100]t+[110])et+c3[124]et. (4.70)

4.1.3 Autovalores complexos

Vejamos o caso de r=λ±μi serem autovalores complexos da matriz de coeficientes do sistema (4.5). Associados, temos autovetores da forma

𝒗 =𝒗1+𝒗2i, (4.71)
𝒗¯ =𝒗1𝒗2i. (4.72)

Por substituição direta, podemos verificar que

𝒖1(t) =𝒗e(λ+μi)t, (4.73)
𝒖2(t) =𝒗¯e(λμi)t, (4.74)

são soluções de (4.5). Também, verifica-se que as partes real e imaginária de 𝒖1 e u2 são soluções reais de (4.5). A fim determiná-las, usamos a fórmula de Euler1818endnote: 18Leonhard Euler, 1707-1783, matemático suíço. Fonte: Wikipedia., calculamos

𝒖1 =(𝒗1+𝒗2i)e(λ+μi)t (4.75)
𝒖1 =(𝒗1+𝒗2i)eλt×[cos(μt)+isen(μt)] (4.76)
𝒖1 =eλt[𝒗𝟏cos(μt)𝒗2sen(μt)] (4.77)
=ieλt[𝒗𝟏sen(μt)+𝒗2cos(μt)]. (4.78)

De forma análoga, verifica-se que 𝒖1=𝒖2¯. Ou seja, as partes reais e imaginárias de 𝒖1 e 𝒖2 são

𝒚1(t) =eλt[𝒗𝟏cos(μt)𝒗2sen(μt)], (4.79)
𝒚2(t) =eλt[𝒗𝟏sen(μt)+𝒗2cos(μt)], (4.80)

as quais são soluções linearmente independentes, particulares de (4.5).

Exemplo 4.1.3.

Vamos calcular a solução geral de

𝒚=[1111]𝒚. (4.81)

Começamos calculando os autovalores associados a matriz de coeficientes do sistema (4.81). Podemos fazer isso como segue

|ArI|=0 (4.82)
|1r111r|=0 (4.83)
(1r)2+1=0 (4.84)
r22r+2=0 (4.85)
r=1±i (4.86)

Um autovetor associado a r=1+i pode ser obtidos resolvendo-se

(ArI)𝒗=0¯[1r1|011r|0] (4.87)
[i1|01i|0]×i+ (4.88)
[i1|000|0] (4.89)
iv1+v2=0. (4.90)

Com isso, podemos escolher o autovetor

𝒗 =[1i] (4.91)
=[10]𝒗1+i[01]𝒗2 (4.92)

Desta forma, identificamos as soluções particulares

𝒚1(t) =et{[10]cos(t)[01]sen(t)} (4.93)
𝒚2(t) =et{[10]sen(t)+[01]cos(t)} (4.94)

Concluímos que a solução geral de (4.81) é

𝒚(t) =c1𝒚1(t)+c2𝒚2(t) (4.95)
=c1et{[10]cos(t)[01]sen(t)} (4.96)
+c2et{[10]sen(t)+[01]cos(t)} (4.97)

Exercícios resolvidos

ER 4.1.1.

Resolva o seguinte PVI

𝒚 =[3113]𝒚, (4.98)
𝒚(0) =[11] (4.99)
Solução 0.

O primeiro passo é encontrar a solução geral de

𝒚=[3113]𝒚. (4.100)

Para tanto, calculamos os autovalores da matriz dos coeficientes.

|ArI|=0 (4.101)
|3r113r|=0 (4.102)
(3r)21=0 (4.103)
r2+6r+8=0 (4.104)
r1=4,r2=2. (4.105)

Então, buscamos por autovetores associados.

(Ar1I)𝒗1=0¯ (4.106)
[11|011|0] (4.107)
v11+v21=0 (4.108)
𝒗1=[11] (4.109)
(Ar2I)𝒗2=0¯ (4.110)
[11|011|0]×1+ (4.111)
[11|000|0]v12+v22=0 (4.112)
𝒗2=[11] (4.113)

Com isso, temos a solução geral da EDO dada por

𝒚(t) =c1𝒗1er1t+c2𝒗2er2t (4.114)
=c1[11]e4t+c2[11]e2t. (4.115)

Agora, aplicamos a condição inicial.

𝒚(0)=[11] (4.116)
c1[11]+c2[11]=[11] (4.117)
[11|111|1]×1+ (4.118)
[11|102|0] (4.119)

Segue que

c1+c2 =1 (4.120)
2c2 =0 (4.121)

donde, c1=1 e c2=0.

Concluímos que a solução do PVI é

𝒚(t)=[11]e4t. (4.122)

No Python, podemos computar a solução deste exercício com os seguintes comandos:

1 In : from sympy import *
2 In : t,C1,C2 = symbols('t,C1,C2')
3 In : y1,y2 = symbols('y1,y2', cls=Function)
4 In : ed = (Eq(diff(y1(t),t),-3*y1(t)+y2(t)),\
5 ...: Eq(diff(y2(t),t),y1(t)-3*y2(t)))
6 ...:
7 In : ds = dsolve(ed,[y1(t),y2(t)])
8 In : cs = solve((Eq(ds[0].rhs.subs(t,0),-1), \
9 ...: Eq(ds[1].rhs.subs(t,0),1)),[C1,C2])
10 ...:
11 In : ds[0].subs(cs)
12 Out: Eq(y1(t), -exp(-4*t))
13
14 In : ds[1].subs(cs)
15 Out: Eq(y2(t), exp(-4*t))
ER 4.1.2.

Calcule a solução geral do seguinte sistema

y1 =y1+2y2 (4.123)
y2 =2y1y2+y3 (4.124)
y3 =y3+y4 (4.125)
y4 =y4 (4.126)
Solução 0.

Vamos reescrever o sistema na sua forma matricial.

𝒚=[1200211000110001]𝒚 (4.127)

Calculamos os autovalores da matriz dos coeficientes.

|ArI|=0 (4.128)
|1r20021r10001r10001r|=0 (4.129)
r4+4r3+10r2+12r+5=0 (4.130)

Resolvendo esta equação característica, obtemos os autovalores r1,2=1 e r3,r4=1±2i.

  1. a)

    r1,r2=1:

    Soluções particulares associadas.

    𝒚1=𝒗1er1,2t, (4.131)
    𝒚2=𝒗1ter1,2t+𝒗2er1,2t (4.132)

    O vetor 𝒗1 é autovetor associado a r1,2.

    (Ar1I)𝒗1=0¯ (4.133)
    [0200|02010|00001|00000|0] (4.134)
    𝒗1=[1020] (4.135)

    O vetor 𝒗2 é calculado como segue.

    (Ar1,2I)𝒗2=𝒗1 (4.136)
    [0200|12010|00001|20000|0] (4.137)
    𝒗2=[11222] (4.138)
  2. b)

    r3,r4=1+2i:

    Soluções particulares associadas.

    𝒚3 =et[𝒗𝟑cos(2t)𝒗4sen(2t)] (4.139)
    𝒚4 =et[𝒗𝟑sen(2t)+𝒗4sen(2t)] (4.140)

    Os vetores 𝒗3 e 𝒗4 são, respectivamente, as partes real e imaginária de autovetor associado a r3 ou r4. Usando r3 e denotando o autovetor por 𝒗, calculamos como segue.

    (Ar3I)𝒗=0¯ (4.141)
    [2i200|022i10|0002i1|00002i|0] (4.142)
    𝒗=[1i00]=[1000]𝒗𝟏+i[0100]𝒗2 (4.143)

De tudo isso, temos a solução geral

𝒚(t) =c1𝒚1(t)+c2𝒚2+c3𝒚3(t)+c4𝒚4 (4.144)
=c1[1020]et (4.145)
+c2{[1020]t+[11222]}et (4.146)
+c3{[1000]cos(2t)[0100]sen(2t)} (4.147)
+c4{[1000]sen(2t)+[0100]cos(2t)} (4.148)

ou, equivalentemente,

y1(t) =c1et+c2(t+1)et (4.149)
+c3cos(2t)+c4sen(2t) (4.150)
y2(t) =c22etc3sen(2t)+c4cos(2t) (4.151)
y3(t) =2c1et+c2(2t+2)et (4.152)
y4(t) =2c2et (4.153)

Exercícios

E. 4.1.1.

Calcule a solução geral de

y1(t) =y1(t)+2y2(t) (4.154)
y2(t) =4y1(t)+y2(t) (4.155)
Resposta 0.

y1(t)=c1e3t+c2e3t, y2(t)=c1e3t+2c2e3t

E. 4.1.2.

Calcule a solução do PVI

y1(t) =2y1(t)+y2(t),y1(0)=0 (4.156)
y2(t) =4y1(t)y2(t),y2(0)=5 (4.157)
Resposta 0.

y1(t)=e3te2t, y2(t)=e3t+4e2t

E. 4.1.3.

Calcule a solução geral de

𝒚=[1113]𝒚 (4.158)
Resposta 0.

𝒚(t)=c1[11]e2t+c2[11]te2t+c2[10]e2t

E. 4.1.4.

Calcule a solução do PVI

y1(t) =3y1(t)+y2(t),y1(0)=2 (4.159)
y2(t) =y1(t)y2(t),y2(0)=1 (4.160)
Resposta 0.

y1(t)=(t+2)e2t, y2(t)=(t+1)e2t

E. 4.1.5.

Encontre a solução geral de

y1 =2y1y2 (4.161)
y2 =5y12y2 (4.162)
Resposta 0.

y1(t)=c1sen(t)c2cos(t), y2(t)=(2c1c2)sen(t)+(c12c2)cos(t)

E. 4.1.6.

Encontre a solução geral de

y1 =y1+4y26y3 (4.163)
y2 =y13y2+3y3 (4.164)
y3 =y12y2+2y3 (4.165)
Resposta 0.

y1(t)=2c1et2c2tet+3c2et2c3e2t, y2(t)=c1et+c2tet+c3e2t, y3(t)=c2et+c3e2t


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Pedro H A Konzen
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