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3.2 Função afim

Uma função afim é uma função da forma

f⁢(x)=m⁢x+b, (3.37)

sendo m e b parâmetros222números reais. dados. O parâmetro m é chamado de coeficiente angular e o parâmetro b é chamado de coeficiente constante333Em função afim y=m⁢x+b, b é mais corretamente chamado de coeficiente do termo constante..

Quando m=0, temos uma função constante f⁢(x)=b. Esta tem domínio (−∞,∞) e imagem {b}.

Quando m≠0 e b=0, temos uma função linear f⁢(x)=m⁢x, cujo domínio é (−∞,∞) e imagem é (−∞,∞). De forma geral, toda função afim com m≠0 tem (−∞,∞) como domínio e imagem.

Refer to caption
Figura 3.6: Gráfico de funções afins y=m⁢x+b. Linha contínua: m≠0. Linha tracejada: m=0 (função constante).
Exemplo 3.2.1.

A Figura 3.7 mostra esboços dos gráficos das funções afins f⁢(x)=−5/2, g⁢(x)=2 e h⁢(x)=2⁢x−1.

Refer to caption
Figura 3.7: Gráficos das funções afins f⁢(x)=−5/2, g⁢(x)=2 e h⁢(x)=2⁢x−1.
Código 40: Python
1from sympy import Symbol, plot
2x = Symbol('x')
3# gráficos de f(x)=-5/2, g(x)=2 e h(x)=2x-1
4plot(-5/2, 2, 2*x - 1, (x, -2, 2))

3.2.1 Retas e coeficiente angular

O lugar geométrico do gráfico de uma função afim é uma reta. O coeficiente angular m controla a inclinação da reta em relação ao eixo x. Quando m=0, temos uma reta horizontal. Quando m>0 temos uma reta com inclinação positiva (crescente) e, quando m<0 temos uma reta com inclinação negativa.

Exemplo 3.2.2.

A Figura 3.8 mostra esboços dos gráficos das funções lineares f1⁢(x)=12⁢x, f2⁢(x)=x, f3⁢(x)=2⁢x, f4⁢(x)=−2⁢x, f5⁢(x)=−x e f6⁢(x)=−12⁢x.

Refer to caption
Figura 3.8: Gráficos das funções lineares f1⁢(x)=12⁢x, f2⁢(x)=x, f3⁢(x)=2⁢x, f4⁢(x)=−2⁢x, f5⁢(x)=−x e f6⁢(x)=−12⁢x.
Refer to caption
Figura 3.9: Declividade e o coeficiente angular.

A inclinação de uma reta é, normalmente, medida pelo ângulo de declividade (veja a Figura 3.9). Para definirmos este ângulo, sejam (x0,y0) e (x1,y1), x0<x1, pontos sobre uma dada reta, gráfico da função afim f⁢(x)=m⁢x+b. O ângulo de declividade (ou, simplesmente, a declividade) da reta é, por definição, o ângulo formado pelo segmento que parte de (x0,y0) e termina em (x1,y0) e o segmento que parte de (x0,y0) e termina em (x1,y1). Denotando este ângulo por θ, temos

tg⁡θ=cateto opostocateto adjacente (3.38)
=y1−y0x1−x0 (3.39)
=m⁢x1+b−(m⁢x0+b)x1−x0 (3.40)
tg⁡θ=m. (3.41)

Ou seja, o coeficiente angular m é a tangente do ângulo de declividade da reta.

Quaisquer dois pontos (x0,y0) e (x1,y1), com x0≠x1, determinam uma única função afim (reta) que passa por estes pontos. Para encontrar a expressão desta função, basta resolver o seguinte sistema linear

m⁢x0+b=y0 (3.42)
m⁢x1+b=y1 (3.43)

Subtraindo a primeira equação da segunda, obtemos

m⁢(x0−x1)=y0−y1 (3.44)
m=y0−y1x0−x1 (3.45)

Daí, substituindo o valor de m na primeira equação do sistema, obtemos

y0−y1x0−x1⁢x0+b=y0 (3.46)
b=−y0−y1x0−x1⁢x0+y0 (3.47)

Ou seja, a expressão da função afim (equação da reta) que passa pelos pontos (x0,y0) e (x1,y1) é

y=y0−y1x0−x1⏟m⁢(x−x0)+y0. (3.48)
Exemplo 3.2.3.

Vamos traçar a reta que representa o gráfico da função afim f⁢(x)=−x−1. Para tanto, basta traçarmos a reta que passa por quaisquer dois pontos distintos de seu gráfico. Por exemplo, no caso da função f⁢(x)=−x−1, temos

x y=−x−1
-1 0
1 -2

Assim sendo, marcamos os pontos (−1,0) e (1,−2) em um plano cartesiano e traçamos a reta que passa por eles. Consulte a Figura 3.10.

Refer to caption
Figura 3.10: Gráfico da função afim f⁢(x)=−x−1.
Exemplo 3.2.4.

Vamos determinar a função afim f⁢(x)=m⁢x+b, cujo gráfico contém os pontos (1,−1) e (2,1). Para tanto, vamos usar (3.48). Tomamos

(x0,y0)=(1,−1) (3.49)
(x1,y1)=(2,1) (3.50)

Então, substituindo em (3.48) temos

m=y1−y0x1−x0=1−(−1)2−1=2. (3.51)

De (3.48), temos

f⁢(x)=m⁢(x−x0)+y0 (3.52)
=2(x−1)+(−1) (3.53)
=2x−3. (3.54)

Ou seja, a função afim desejada é f⁢(x)=2⁢x−3. Agora, faça o gráfico desta função para verificar o resultado!

Código 41: Python
1from sympy import Symbol, Lambda, plot
2x = Symbol('x')
3x0, y0 = 1, -1
4x1, y1 = 2, 1
5m = (y1 - y0) / (x1 - x0)
6f = Lambda(x, m*(x-x0) + y0)
7print('f(x) =', f(x))
8plot(f(x), (x, -3, 3))
f(x) = 2*x - 3
Exemplo 3.2.5.(Região entre retas)

Vamos identificar (hachurar) a região do plano cartesiano delimitada pelas retas y=x+1, y=−3⁢x+5, x=0 e x=2.

A reta y=0 corresponde ao eixo das ordenadas e y=2 é a reta perpendicular ao eixo das abscissas que passa pelo ponto (2,0). Fazemos os esboços das retas em um único gráfico e então identificamos a região que está simultaneamente entre todas as retas dadas. Obtemos, assim, o gráfico da região delimitada pelas retas, consultemos a Figura 3.11.

Refer to caption
Figura 3.11: Região hachurada entre as retas y=x+1, y=−3⁢x+5, x=0 e x=2.

3.2.2 Estudo de sinal

O estudo de sinal de uma função consiste em determinar as regiões de seu domínio em que seus valores de saída são negativos, zero ou positivos. Para funções afins (não constantes), o estudo de sinal é feito a partir do zero da função e do coeficiente angular. O zero de uma função f⁢(x)=m⁢x+b é o valor de x tal que f⁢(x)=0 (valor de x em que a reta cruza o eixo x), i.e.

m⁢x+b=0. (3.55)

Resolvendo para x, temos

m⁢x=−b (3.56)
x=−bm. (3.57)

Como vimos até aqui, o coeficiente angular m controla a inclinação da reta. Consultemos a Figura 3.12, temos que

  • •

    se m>0, a reta é crescente e, portanto, a função é positiva para x maior que seu zero e negativa para x menor que seu zero;

  • •

    se m<0, a reta é decrescente e, portanto, a função é negativa para x maior que seu zero e positiva para x menor que seu zero;

  • •

    se m=0, a função é constante e, portanto, é positiva ou negativa em toda parte, dependendo do valor de b.

Refer to caption
Figura 3.12: Estudo de sinal de uma função afim. Linha contínua: m<0 reta decrescente; linha tracejada: m>0, reta crescente.
Exemplo 3.2.6.

Façamos o estudo de sinal da função

f⁢(x)=2⁢x+1 (3.58)

Lembramos que uma função afim com coeficiente angular positivo é crescente em toda parte. Ainda, temos que ela corta o eixo das abscissas em seu zero, i.e.

2⁢x+1=0 (3.59)
2⁢x=−1 (3.60)
x=−12 (3.61)

Por tanto, concluímos que

x<−12 x=−12 x>−12
f⁢(x) - 0 +

Ou seja, f⁢(x) é negativo para x∈(−∞,−12), f⁢(x)=0 para x=−12 e f⁢(x) é positivo para x∈(−12,∞). Faça o esboço do gráfico de f para verificar o resultado!

3.2.3 Exercícios

E. 3.2.1.

Determine o domínio e a imagem de cada uma das seguintes funções afins:

  1. a)

    f⁢(x)=−100⁢x+1

  2. b)

    y=−π

  3. c)

    h⁢(v)=2+x


a) D=ℝ; I=ℝ; b) D=ℝ, I={π}; c) D=ℝ; I=ℝ

E. 3.2.2.

Faça um esboço do gráfico de cada uma das seguintes funções:

  1. a)

    f1⁢(x)=x

  2. b)

    f2⁢(x)=−x

  3. c)

    f3⁢(x)=x−1

  4. d)

    f4⁢(x)=−x+1

E. 3.2.3.

Determine a função afim f⁢(x)=m⁢x+b, cujo gráfico contém os pontos (−2,1) e (0,−2).


f⁢(x)=−32⁢x−2

E. 3.2.4.

Faça o estudo de sinal das seguintes funções:

  1. a)

    f⁢(x)=−2⁢x−2

  2. b)

    f⁢(x)=−2

  3. c)

    f⁢(x)=2⁢x−2


  1. a)

    x<−1 x=−1 x>−1
    f⁢(x) + 0 -
  2. b)

    f⁢(x)<0 em toda parte

  3. c)

    x<1 x=1 x>1
    f⁢(x) - 0 +
E. 3.2.5.

Verifique se as retas y=−x−1 e y=2⁢x−3 se interceptam e, caso afirmativo, determine o ponto de interseção.


(2/3,−5/3)

E. 3.2.6.

Determine o ponto de interseção dos gráficos das funções afins f⁢(x)=2⁢x+1 e g⁢(x)=2⁢x−1.


não há

E. 3.2.7.

Faça o esboço e hachure a região do plano cartesiano que fica delimitada pelas retas y=0, y=2⁢x+2 e x=1.

E. 3.2.8.

Na mecânica clássica, a energia cinética Ec de um objeto não rotativo de massa m [kg] movimentando-se com uma velocidade v [m/s] é dada por

Ec=m2⁢v2 (3.62)

Assumindo v>0 constante, temos que Ec é função apenas de m, i.e. Ec=Ec⁢(m). Responda cada um dos seguintes itens:

  1. a)

    Qual a classe da função Ec=Ec⁢(m)?

  2. b)

    Qual o domínio da função Ec=Ec⁢(m).

  3. c)

    Qual a imagem da função Ec=Ec⁢(m).

  4. d)

    Ec=Ec⁢(m) é uma função crescente ou decresce?

  5. e)

    Se Ec⁢(1)=50, qual a velocidade do objeto?


a) Função linear. b) D⁢(Ec)={m∈ℝ:m≥0}. c) I⁢m⁢(Ec)={e∈ℝ:e≥0}. d) Crescente. e) v=10.


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Pedro H A Konzen
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