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Geometria analítica

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2.1 Equações da reta

Vamos estudar a representação de retas no espaço tridimensional.

2.1.1 Equação vetorial de uma reta

Uma reta é determinada por um ponto e uma direção. De fato, seja r uma reta, v→ um vetor paralelo a r e A um ponto de r (consultemos a Figura 2.1). Assim sendo, P⁢(x,y,z) é um ponto de r se, e somente se, o vetor A⁢P→ tem a mesma direção de v→. I.e., existe λ∈ℝ tal que

A⁢P→=λ⁢v→. (2.1)

Esta é chamada equação vetorial da reta r.

Refer to caption
Figura 2.1: Equação vetorial de uma reta.

Observe que para obtermos uma equação vetorial da reta, podemos escolher qualquer ponto A∈r e qualquer vetor v→∥r, v→≠0→. O vetor v→ escolhido é chamado de vetor diretor.

Exemplo 2.1.1.

Seja r a reta que passa pelos pontos A⁢(−1,−1,−2) e B⁢(2,1,3) (consultemos a Figura 2.2). O vetor

v→=A⁢B→=(2−(−1)⁢,1−(−1)⁢,3−(−2))=(3,2,5) (2.2)

é um vetor diretor de r. Desta forma, uma equação vetorial da reta r é

A⁢P→=λ⁢v→. (2.3)
Refer to caption
Figura 2.2: Reta que passa pelos pontos A⁢(−1,−1,−2) e B⁢(2,1,3) (Exemplo 2.1.1).

2.1.2 Equações paramétricas de uma reta

Seja r uma reta que passa pelo ponto A⁢(xA,yA,zA) e tenha vetor diretor v→=(v1,v2,v3). Da equação vetorial, temos que P⁢(x,y,z)∈r se, e somente se, existe λ∈ℝ tal que

A⁢P→=λ⁢v→. (2.4)

Equivalentemente,

(x−xA,y−yA,z−zA)⏟A⁢P→=λ⁢(v1,v2,v3)⏟v→. (2.5)

Então,

x−xA=λ⁢v1, (2.6)
y−yA=λ⁢v2, (2.7)
z−zA=λ⁢v3, (2.8)

donde

x=xA+λ⁢v1, (2.9)
y=yA+λ⁢v2, (2.10)
z=zA+λ⁢v3, (2.11)

as quais são chamadas de equações paramétricas da reta r.

Exemplo 2.1.2.

A reta r discutida no Exemplo 2.1.1 tem equações paramétricas

x=−1+3⁢λ, (2.12)
y=−1+2⁢λ, (2.13)
z=−2+5⁢λ. (2.14)

De fato, tomando λ=0, temos (x,y,z)=(−1,−1,−2)=A∈r. E, tomando λ=1, temos (x,y,z)=(2,1,3)=B∈r. Ou seja, as equações paramétricas acima representam a reta que passa pelos pontos A e B (Figura 2.2).

2.1.3 Equações da reta na forma simétrica

Seja r uma reta que passa pelo ponto A⁢(xA,yA,zA) e tem v→=(v1,v2,v3)≠0→ como vetor diretor. Então, r tem as equações paramétricas

x=xA+v1⁢λ, (2.15)
y=yA+v2⁢λ, (2.16)
z=zA+v3⁢λ. (2.17)

Isolando λ em cada uma das equações, obtemos

λ=x−xAv1, (2.18)
λ=y−yAv2, (2.19)
λ=z−zAv3. (2.20)

Daí, temos

x−xAv1=y−yAv2=z−zAv3, (2.21)

as quais são as equações da reta na forma simétrica.

Exemplo 2.1.3.

No Exemplo 2.1.2, consideramos a reta r de equações paramétricas

x=−1+3⁢λ, (2.22)
y=−1+2⁢λ, (2.23)
z=−2+5⁢λ. (2.24)

Consultemos também a Figura 2.2. Para obtermos as equações de r na forma simétrica, basta isolarmos λ em cada equação. Com isso, obtemos

x+13=y+12=z+25. (2.25)

2.1.4 Distância de um ponto a uma reta

Definimos a distância entre um ponto P e uma reta r como a menor distância entre P e qualquer ponto de r. Consultemos a Figura 2.3. Assim, a distância entre P e r é a distância entre P e o ponto Q∈r tal que P⁢Q→⟂r. Ou seja, P⁢Q→⟂v→, onde v→ é um vetor diretor de r.

Refer to caption
Figura 2.3: Distância entre um ponto e uma reta.

Assim sendo, a distância entre o ponto P e a reta r é dada por

d⁢(P,r)=‖A⁢P→×v→‖‖v→‖, (2.26)

onde A∈r é um ponto qualquer da reta r e v→ é um vetor diretor de r. Com efeito, ‖A⁢P→×v→‖ é a área do paralelogramo determinado pelos vetores A⁢P→ e v→. Dividir a área pela base ‖v→‖ nos fornece a altura do paralelogramo, que é a distância entre o ponto P e a reta r.

Exemplo 2.1.4.

Vamos calcular a distância entre o ponto P⁢(1,−12,12) e a reta r de equações simétricas

x+12=2−y3=1−2⁢z2. (2.27)

Para usar a (2.26) precisamos de um ponto A∈r e de um vetor diretor v→ de r. Da equação simétrica da reta, temos que

A⁢(−1,2,12)∈r, (2.28)
v→=(2,−3,−4) (2.29)

Logo, temos

dist⁡(P,r)=‖A⁢P→×v→‖‖v→‖ (2.30)
=‖(2,−52⁢,0)‖‖(2,−3,−4)‖ (2.31)
=‖(10,8,−1)‖22+(−3)2+(−4)2 (2.32)
=102+82+(−1)229 (2.33)
=16529. (2.34)

2.1.5 Exercícios resolvidos

ER 2.1.1.

Seja r a reta que passa pelo ponto A⁢(−1,−1,−2) e tem v→=(3,2,5) como vetor diretor. Determine o valor de x de forma que P⁢(x⁢,0,12) seja um ponto de r.

Resolução.

Da equação vetorial da reta r, temos que P⁢(x⁢,0,12) é um ponto de r se, e somente se, existe λ∈ℝ tal que

A⁢P→=λ⁢v→. (2.35)

Ou seja,

(x−(−1)⁢,0−(−1),12−(−2))=λ⁢(3,2,5). (2.36)

Ou, equivalentemente,

(x+1,1,52)=λ⁢(3,2,5). (2.37)

Usando a segunda coordenada destes vetores, temos

1=λ⋅2 (2.38)
λ=12. (2.39)

Assim, da primeira coordenada dos vetores, temos

x+1=λ⋅3 (2.40)
x+1=12⋅3 (2.41)
x=32−1 (2.42)
x=12. (2.43)
ER 2.1.2.

Seja r a reta de equações paramétricas

x=1−λ, (2.44)
y=λ, (2.45)
z=−3. (2.46)

Determine uma equação vetorial de r.

Resolução.

Nas equações paramétricas de uma reta, temos que os coeficientes constantes estão associados a um ponto da reta. Os coeficientes do parâmetro λ estão associados a um vetor diretor. Assim sendo, das equações paramétricas da reta r, temos que

A⁢(1,0,−3)∈r (2.47)

e

v→=(−1,1,0) (2.48)

é um vetor diretor. Logo, temos que a reta r tem equação vetorial

A⁢P→=λ⁢v→, (2.49)

com A⁢(1,0,−3) e v→=(−1,1,0).

ER 2.1.3.

Sabendo que r é uma reta que passa pelos pontos A⁢(2,−3,1) e B⁢(−1,1,0), determine o valor de t tal que

x=2+t⁢λ, (2.50)
y=−3+4⁢λ, (2.51)
z=1−λ, (2.52)

sejam equações paramétricas de r.

Resolução.

Para que estas sejam equações paramétricas de r, é necessário que v→=(t⁢,4,−1) seja um vetor diretor de r. Em particular, v→∥A⁢B→. Logo, existe β∈ℝ tal que

v→=β⁢A⁢B→ (2.53)
(t⁢,4,−1)=β⁢(−1−2,1−(−3)⁢,0−1) (2.54)
(t⁢,4,−1)=β⁢(−3,4,−1). (2.55)

Da segunda e da terceira coordenadas, temos β=1. Daí, comparando pela primeira coordenada, temos

t=−3⁢β (2.56)
t=−3. (2.57)
ER 2.1.4.

Seja r uma reta de equações na forma simétrica

x+12=y−23=1−z2. (2.58)

Determine equações paramétricas para esta reta e faça um esboço de seu gráfico.

Resolução.

Podemos obter equações paramétricas desta reta a partir de suas equações na forma simétrica. Para tanto, basta tomar o parâmetro λ tal que

λ=x+12, (2.59)
λ=y−23, (2.60)
λ=1−z2. (2.61)

Daí, isolando x, y e z em cada uma destas equações, obtemos

x=−1+2⁢λ, (2.62)
y=2+3⁢λ, (2.63)
z=1−2⁢λ. (2.64)

Para fazermos um esboço do gráfico desta reta, basta traçarmos a reta que passa por dois de seus pontos. Por exemplo, tomando λ=0, temos A⁢(−1,2,1)∈r. Agora, tomando λ=1, temos B⁢(1,5,−1)∈r. Desta forma, obtemos o esboço dado na Figura 2.4.

Refer to caption
Figura 2.4: Reta r do ER.2.1.4.

2.1.6 Exercícios

E. 2.1.1.

Seja a reta que passa pelos pontos A⁢(1,−2,0) e B⁢(−1,−1,1). Determine:

  1. a)

    sua equação vetorial.

  2. b)

    suas equações paramétricas.

  3. c)

    suas equações na forma simétrica.


a) A⁢P→=λ⁢v→, v→=(−2,1,1); b) x=1−2⁢λ, y=−2+λ, z=λ; c) x−1−2=y+2=z

E. 2.1.2.

Seja a reta que passa pelo ponto A⁢(0,1,−1) e tem vetor diretor v→=(2,−1,1). Determine x tal que B⁢(1,x,−12).


x=12

E. 2.1.3.

Considere a reta de equações na forma simétrica

x−1−2=y+13=z−1. (2.65)

Encontre um ponto e um vetor diretor desta reta.


A⁢(1,−1,1), v→=(−2,3,1)

E. 2.1.4.

Seja a reta r de equações paramétricas

x=λ (2.66)
y=2−λ (2.67)
z=−1+λ (2.68)

Determine as equações na forma simétrica da reta que passa pelo ponto A⁢(1,−1,0) e é paralela a reta r.


x−1=y+1−1=z

E. 2.1.5.

Seja a reta r de equações paramétricas

x=λ (2.69)
y=2−λ (2.70)
z=−1+λ (2.71)

Determine as equações paramétricas da reta que passa pelo ponto A⁢(1,−1,0) e é perpendicular a reta r.


x=1−λ, y=−1−2⁢λ, z=−λ


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Pedro H A Konzen
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