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Geometria analítica

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2.2 Equações do plano

Um plano π fica unicamente determinado por um ponto A∈π e dois vetores linearmente independentes u→,v→∈π111Dois vetores não nulos u→ e v→ são l.i. quando têm direções diferentes.. Consultemos a Figura 2.5.

Refer to caption
Figura 2.5: Um plano no espaço tridimensional.

Os chamados vetores diretores u→ e v→ determinam infinitos planos paralelos entre si. O chamado ponto de ancoragem A fixa um desses planos.

2.2.1 Equação vetorial do plano

Seja um plano π determinado pelo ponto de ancoragem A e pelos vetores diretores u→ e v→ (Figura 2.5). Então, um ponto P∈π se, e somente se, A⁢P→ é coplanar a u→ e v→, i.e., A⁢P→, u→ e v→ são linearmente dependentes. Em outras palavras, P∈π se, e somente se, A⁢P→ pode ser escrito como combinação linear de u→ e v→. Isso nos fornece a chamada equação vetorial do plano

A⁢P→=λ⁢u→+β⁢v→, (2.72)

com λ,β∈ℝ.

Refer to caption
Figura 2.6: Equação vetorial de um plano.
Exemplo 2.2.1.

Consideremos o plano π determinado pelo ponto A⁢(1,−1,1) e pelos vetores u→=(2,−1,0) e v→=(0,1,1). Consultemos a Figura 2.7. Assim, uma equação vetorial para este plano é

A⁢P→=λ⁢u→+β⁢v→, (2.73)

com λ,β∈ℝ.

Refer to caption
Figura 2.7: Esboço do plano π discutido no Exemplo 2.2.1.

Tomando, por exemplo, λ=−1 e β=1, obtemos

A⁢P→=λ⁢u→+β⁢v→ (2.74)
=−(2,−1,0)+(0,1,1) (2.75)
=(−2,2,1). (2.76)

Observando que as coordenadas do ponto P coincidem com as coordenadas do vetor O⁢P→, temos

O⁢P→=O⁢A→+A⁢P→ (2.77)
=(1,−1,1)+(−2,2,1) (2.78)
=(−1,1,2). (2.79)

Portanto, P⁢(−1,1,2)∈π.

2.2.2 Equações paramétricas do plano

Seja um plano π com ponto de ancoragem A⁢(xA,yA,zA)∈π e vetores diretores u→=(u1,u2,u3) e v→=(v1,v2,v3). Então, todo ponto P⁢(x,y,z) desse plano satisfaz a equação vetorial

A⁢P→=λ⁢u→+β⁢v→, (2.80)

com λ,β∈ℝ. Assim, temos

(x−xA,y−yA,z−zA)=λ⁢(u1,u2,u3)+β⁢(v1,v2,v3) (2.81)
=(λu1+βv1,λu2+βv2,λu3+βv3). (2.82)

Portanto,

x−xA=λ⁢u1+β⁢v1, (2.83)
y−yA=λ⁢u2+β⁢v2, (2.84)
z−zA=λ⁢u3+β⁢v3. (2.85)

Equivalentemente,

x=xA+λ⁢u1+β⁢v1, (2.86)
y=yA+λ⁢u2+β⁢v2, (2.87)
z=zA+λ⁢u3+β⁢v3, (2.88)

que são chamadas de equações paramétricas do plano.

Exemplo 2.2.2.

No Exemplo 2.2.1, discutimos o plano π determinado pelo ponto A⁢(1,−1,1) e pelos vetores u→=(2,−1,0) e v→=(0,1,1) (Figura 2.7). Assim, temos

x=1+2⁢λ, (2.89)
y=−1−λ+β, (2.90)
z=1+β, (2.91)

que são equações paramétricas desse plano.

2.2.3 Equação geral do plano

Seja π o plano determinado pelo ponto de ancoragem A⁢(xA,yA,zA) e pelos vetores diretores u→=(u1,u2,u3) e v→=(v1,v2,v3). Sabemos que P⁢(x,y,z)∈π se, e somente se, A⁢P→, u→ e v→ são linearmente dependentes. Equivalentemente, o produto misto [A⁢P→,u→,v→]=0. Logo,

0=[A⁢P→,u→,v→] (2.92)
=|x−xAy−yAz−zAu1u2u3v1v2v3| (2.93)
=−u1v2zA+u1v3yA+u2v1zA
−u2⁢v3⁢xA−u3⁢v1⁢yA+u3⁢v2⁢xA
+x⁢(u2⁢v3−u3⁢v2)+y⁢(−u1⁢v3+u3⁢v1)+z⁢(u1⁢v2−u2⁢v1). (2.94)

Observamos que a equação acima tem a forma geral

a⁢x+b⁢y+c⁢z+d=0, (2.95)

com a,b,c,d não todos nulos; equivalentemente, a2+b2+c2+d2≠0. Esta última é chamada equação geral do plano.

Exemplo 2.2.3.

No Exemplo 2.2.1, discutimos o plano π determinado pelo ponto A⁢(1,−1,1) e pelos vetores u→=(2,−1,0) e v→=(0,1,1) (Figura 2.7). Para encontrar sua equação geral, tomamos P⁢(x,y,z) e calculamos

0=[A⁢P→,u→,v→] (2.96)
=|x−1y+1z−12−10011| (2.97)
=−x−2y+2z−3. (2.98)

Logo, a equação geral desse plano é

−x−2⁢y+2⁢z−3=0. (2.99)

2.2.4 Vetor normal a um plano

Seja π um plano de equação geral

a⁢x+b⁢y+c⁢z+d=0, (2.100)

com a2+b2+c2≠0. Sejam P⁢(xP,yP,zP)∈π e Q⁢(xQ,yQ,zQ)∈π (consultemos a Figura 2.8).

Refer to caption
Figura 2.8: Vetor normal a um plano.

Então, temos

a⁢xP+b⁢yP+c⁢zP+d=0, (2.101)
a⁢xQ+b⁢yQ+c⁢zQ+d=0. (2.102)

Subtraindo a segunda equação da primeira, obtemos

a⁢(xP−xQ)+b⁢(yP−yQ)+c⁢(zP−zQ)=0. (2.103)

Equivalentemente,

(a,b,c)⋅(xP−xQ,yP−yQ,zP−zQ)=0. (2.104)

Ou seja, o vetor n→=(a,b,c) é ortogonal a qualquer vetor P⁢Q→, com P,Q∈π. Logo, n→=(a,b,c) é ortogonal a π e é chamado de vetor normal a π.

Exemplo 2.2.4.

No Exemplo 2.2.3, consideramos o plano de equação geral

−x−2⁢y+2⁢z−3=0. (2.105)

Portanto, o vetor normal a esse plano é

n→=(−1,−2,2). (2.106)
Observação 2.2.1.(Planos paralelos)

Dois planos π1 e π2 são paralelos se, e somente se, possuem vetores normais de mesma direção. Em outras palavras, planos de equações gerais

a1⁢x+b1⁢y+c1⁢z+d1=0, (2.107)
a2⁢x+b2⁢y+c2⁢z+d2=0, (2.108)

são paralelos se, e somente se, o vetor normal n→1=(a1,b1,c1) é múltiplo escalar do vetor normal n→2=(a2,b2,c2).

2.2.5 Distância de um ponto a um plano

A distância entre um ponto P⁢(xP,yP,zP) e um plano π é a menor distância entre P e qualquer ponto de π. Essa distância é atingida no ponto Q∈π tal que P⁢Q→⟂π. Em outras palavras, P⁢Q→∥n→, onde n→ é um vetor normal a π. Consultemos a Figura 2.9.

Refer to caption
Figura 2.9: Distância entre um ponto e um plano.

Observemos que, dado um ponto A⁢(xA,yA,zA)∈π qualquer, temos

dist⁡(P,π)=‖projn→⁡A⁢P→‖ (2.109)
=|A⁢P→⋅n→|‖n→‖ (2.110)
=|a⁢(xP−xA)+b⁢(yP−yA)+c⁢(zP−zA)|a2+b2+c2 (2.111)
=|a⁢xP+b⁢yP+c⁢zP+d|a2+b2+c2. (2.112)

Ou seja, a distância entre o ponto P e o plano π é dada por

dist⁡(P,π)=|a⁢xP+b⁢yP+c⁢zP+d|a2+b2+c2, (2.113)

onde a⁢x+b⁢y+c⁢z+d=0 é a equação geral do plano π e n→=(a,b,c) é um vetor normal a π.

Exemplo 2.2.5.

Vamos calcular a distância entre o ponto P⁢(1,−1,2) e o plano π de equação geral

−x−2⁢y+2⁢z−3=0. (2.114)

Aplicando a fórmula da distância entre um ponto e um plano, obtemos

dist⁡(P,π)=|−1⋅1−2⋅(−1)+2⋅2−3|(−1)2+(−2)2+(2)2 (2.115)
=|−1+2+4−3|1+4+4 (2.116)
=|−2|9 (2.117)
=23. (2.118)

2.2.6 Exercícios resolvidos

ER 2.2.1.

Seja π um plano tal que A⁢(2,0,−1)∈π, P⁢(0,1,−1)∈π e u→=(1,0,1)∈π. Determine uma equação vetorial para π.

Resolução.

Para obtermos uma equação vetorial do plano π, precisamos de um ponto e dois vetores l.i. em π. Do enunciado, temos o ponto A⁢(2,0,−1)∈π e o vetor u→. Portanto, precisamos encontrar um vetor v→∈π tal que u→ e v→ sejam l.i.. Por sorte, temos P⁢(0,1,−1)∈π e, portanto A⁢P→∈π. Podemos tomar

v→=A⁢P→ (2.119)
=(−2,1,0), (2.120)

pois v→ e u→ são l.i.. Logo, uma equação vetorial do plano π é

A⁢P→=λ⁢u→+β⁢v→, (2.121)
=λ(1,0,1)+β(−2,1,0), (2.122)

com λ,β∈ℝ.

ER 2.2.2.

Seja π o plano de equações paramétricas

x=−1+λ, (2.123)
y=β, (2.124)
z=1−λ+β. (2.125)

Determine o valor de zP de forma que P⁢(−1,2,zP)∈π.

Resolução.

Para que P⁢(−1,2,zP) pertença ao plano, devemos ter

−1=−1+λ, (2.126)
2=β, (2.127)
zP=1−λ+β. (2.128)

Das duas primeiras equações, obtemos λ=0 e β=2. Daí, da terceira equação, temos

zP=1−0+2=3. (2.129)

2.2.7 Exercícios

E. 2.2.1.

Determine a equação vetorial do plano com ponto de ancoragem A⁢(−1,0,2) e vetores diretores u→=(2,−1,1) e v→=(−1,1,2).


A⁢P→=λ⁢(2,−1,1)+β⁢(−1,1,2),λ,β∈ℝ

E. 2.2.2.

Seja o plano de equação vetorial A⁢P→=λ⁢(2,−1,1)+β⁢(−1,1,2), λ,β∈ℝ, com ponto de ancoragem A⁢(−1,0,2). Determine x tal que P⁢(x⁢,3,0) pertença a este plano.


x=−203

E. 2.2.3.

Determine as equações paramétricas do plano com ponto de ancoragem A⁢(−1,0,2) e vetores diretores u→=(2,−1,1) e v→=(−1,1,2).


x=−1+2⁢λ−β, y=−λ+β, z=2+λ+2⁢β

E. 2.2.4.

Considere o plano de equações paramétricas

x=−1+2⁢λ−β, (2.130)
y=−λ+β, (2.131)
z=2+λ+2⁢β. (2.132)

Determine y tal que P⁢(−6,y⁢,2) pertença a este plano.


y=3

E. 2.2.5.

Determine a equação geral do plano com ponto de ancoragem A⁢(−1,0,2) e vetores diretores u→=(2,−1,1) e v→=(−1,1,2).


−3⁢x−5⁢y+z−5=0

E. 2.2.6.

Considere o plano de equação geral −3⁢x−5⁢y+z−5=0. Determine z tal que o ponto P⁢(0,0,z) pertença a este plano.


z=5

E. 2.2.7.

Considere o plano π de equações paramétricas

x=−1+λ (2.133)
y=β (2.134)
z=1−λ+β (2.135)

A reta r de equação paramétricas

x=2 (2.136)
y=−1+2⁢λ (2.137)
z=2⁢λ (2.138)

é paralela ao plano π? Justifique sua resposta.


sim

E. 2.2.8.

Considere o plano π de equação geral

6⁢x−7⁢y−5⁢z=−6. (2.139)

Determine uma equação paramétrica para a reta r que é perpendicular ao plano π e passa pelo ponto A⁢(2,−1,0).


x=2+6⁢λ, y=−1−7⁢λ, z=−5⁢λ


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Pedro H A Konzen
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