| | | |

Equações diferenciais ordinárias

Ajude a manter o site livre, gratuito e sem propagandas. Colabore!

2.3 Equação exata

Uma EDO

M⁢(x,y)+N⁢(x,y)⁢d⁢yd⁢x=0 (2.211)

é uma equação exata quando

∂∂y⁢M⁢(x,y)=∂∂x⁢N⁢(x,y). (2.212)

Neste caso, pode-se calcular uma função Ψ=Ψ⁢(x,y) tal que

∂Ψ∂x=M⁢(x,y),∂Ψ∂y=N⁢(x,y). (2.213)

Com isso, e lembrando que y:↦y(x), a EDO (2.211) é equivalente a333∂∂x⁢f⁢(y⁢(x))=∂f∂y⁢d⁢yd⁢x

dd⁢x⁢Ψ⁢(x,y)=∂Ψ∂x+∂Ψ∂y⁢d⁢yd⁢x (2.214)
=M(x,y)+N(x,y)d⁢yd⁢x (2.215)
=0. (2.216)

Logo, temos a solução geral

Ψ⁢(x,y)=c. (2.217)
Exemplo 2.3.1.

Vamos resolver a seguinte EDO

(3⁢x2−2⁢x⁢y+2)+(6⁢y2−x2+3)⁢d⁢yd⁢x=0. (2.218)

Denotamos

M⁢(x,y)=3⁢x2−2⁢x⁢y+2, (2.219)
N⁢(x,y)=6⁢y2−x2+3. (2.220)

Calculando as derivadas parciais

∂∂y⁢M⁢(x,y)=−2⁢x, (2.221)
∂∂x⁢N⁢(x,y)=−2⁢x, (2.222)

vemos que (2.218) é uma equação exata. Desta forma, buscamos por uma função Ψ=Ψ⁢(x,y) tal que

∂Ψ∂x=M⁢(x,y),∂Ψ∂y=N⁢(x,y). (2.223)
  1. a)

    Método 1. Podemos calcular Ψ a partir de

    ∂Ψ∂x=M⁢(x,y). (2.224)

    Integrando em relação a x, obtemos

    Ψ⁢(x,y)=∫M⁢(x,y)⁢𝑑x+f⁢(y) (2.225)
    =∫3x2−2xy+2dx+f(y) (2.226)
    =x3−x2y+2x+f(y). (2.227)

    Para encontrar f⁢(y), usamos

    ∂Ψ∂y=N⁢(x,y). (2.228)

    No caso, temos

    −x2+f′⁢(y)=6⁢y2−x2+3, (2.229)

    donde

    f′⁢(y)=6⁢y2+3. (2.230)

    Integrando em relação a y, obtemos

    f⁢(y)=∫6⁢y2+3⁢d⁢y (2.231)
    =2y3+3y+c. (2.232)

    Concluímos que

    Ψ⁢(x,y)=x3−x2⁢y+2⁢x+2⁢y3+3⁢y+c. (2.233)

    A solução geral da EDO é dada pela equação implícita

    x3−x2⁢y+2⁢x+2⁢y3+3⁢y=c. (2.234)
  2. b)

    Método 2. Partimos da equação

    ∂Ψ∂y=N⁢(x,y). (2.235)

    Integrando em relação a y, obtemos

    Ψ⁢(x,y)=∫N⁢(x,y)⁢𝑑y+g⁢(x) (2.236)
    =∫6y2−x2+3dy+g(x) (2.237)
    =2y3−x2y+3y+g(x). (2.238)

    Agora, usando

    ∂Ψ∂x=M⁢(x,y), (2.239)

    temos

    −2⁢x⁢y+g′⁢(x)=3⁢x2−2⁢x⁢y+2 (2.240)
    g′⁢(x)=3⁢x2+2. (2.241)

    Integrando em relação a x, obtemos

    g⁢(x)=∫3⁢x2+2⁢d⁢x+c (2.242)
    =x3+2x+c. (2.243)

    Ou seja, obtivemos

    Ψ⁢(x,y)=2⁢y3−x2⁢y+3⁢y+x3+2⁢x+c, (2.244)

    o que nos fornece a solução geral

    2⁢y3−x2⁢y+3⁢y+x3+2⁢x=c. (2.245)

Na figura abaixo, temos esboços da solução geral para diferentes valores de c.

Refer to caption
Figura 2.5: Exemplo 2.3.1. Esboços da solução geral para: (azul) c=−10, (preto) c=−5, (verde) c=5.

2.3.1 Método dos fatores integrantes

Para algumas equações

M⁢(x,y)+N⁢(x,y)⁢d⁢yd⁢x=0 (2.246)

não exatas é possível aplicar o método dos fatores integrantes para convertê-las em equações exatas.

A ideia é buscar por um fator integrante μ=μ⁢(x,y) tal que

μ⁢M⁢(x,y)+μ⁢N⁢(x,y)⁢d⁢yd⁢x=0 (2.247)

seja uma equação exata, i.e.

∂∂y⁢(μ⁢M⁢(x,y))=∂∂x⁢(μ⁢N⁢(x,y)). (2.248)

Ou seja, μ deve ser tal que

∂∂y⁢(μ⁢M⁢(x,y))−∂∂x⁢(μ⁢N⁢(x,y))=0 (2.249)
μy⁢M+μ⁢My−μx⁢N−μ⁢Nx=0. (2.250)

Com isso, pode-se concluir que μ=μ⁢(x,y) deve satisfazer

M⁢μy−N⁢μx+(My−Nx)⁢μ=0. (2.251)

Em geral, resolver (2.251) pode ser tão ou mais difícil que resolver a EDO original (2.246). Vejamos alguns casos em que é possível encontrar o fator μ.

𝝁=𝝁⁢(𝒙)

No caso de μ=μ⁢(x) (função de x apenas), a equação (2.251) resume-se a

d⁢μd⁢x=My−NxN⁢μ. (2.252)

Ou seja, se

My−NxN (2.253)

é função apenas de x, então podemos calcular um fator integrante μ=μ⁢(x) resolvendo a EDO linear (2.252).

Exemplo 2.3.2.

Vamos resolver a EDO

(x+2)⁢sen⁡(y)+x⁢cos⁡(y)⁢d⁢yd⁢x=0. (2.254)

Denotando

M⁢(x,y)=(x+2)⁢sen⁡(y) (2.255)
N⁢(x,y)=x⁢cos⁡(y) (2.256)

vemos que

∂∂y⁢M⁢(x,y)=(x+2)⁢cos⁡(y)≠cos⁡(y)=∂∂x⁢N⁢(x,y). (2.257)

Ou seja, não é uma equação exata. Por outro lado,

My−NxN=(x+2)⁢cos⁡(y)−cos⁡(y)x⁢cos⁡(y) (2.258)
=x+1x (2.259)

é função apenas de x, o que nos indica a existência de um fator integrante μ=μ⁢(x) satisfazendo a seguinte EDO linear

dd⁢x⁢μ=My−NxN⁢μ. (2.260)

Ou seja, resolvemos

d⁢μd⁢x=x+1x⁢μ (2.261)
1μ⁢d⁢μ=x+1x⁢d⁢x (2.262)
ln⁡|μ|=x+ln⁡|x|+c (2.263)
μ=c⁢x⁢ex. (2.264)

Com isso, escolhendo o fator integrante μ=x⁢ex a equação

μ⁢M+μ⁢N⁢d⁢yd⁢x=0 (2.265)

é exata e é equivalente a EDO (2.254). De fato, temos

∂∂y⁢(μ⁢M)=∂∂y⁢[(x2+2⁢x)⁢ex⁢sen⁡(y)] (2.266)
=(x2+2x)excos(y) (2.267)
=∂∂x[x2excos(y)] (2.268)
=∂∂x(μN). (2.269)

Para resolver (2.265), buscamos por uma função Ψ=Ψ⁢(x,y) tal que

∂∂y⁢Ψ⁢(x,y)=μ⁢N (2.270)
Ψ⁢(x,y)=∫x2⁢ex⁢cos⁡(y)⁢𝑑y+f⁢(x) (2.271)
Ψ⁢(x,y)=x2⁢ex⁢sen⁡(y)+f⁢(x). (2.272)

Bem como, Ψ deve satisfazer

∂∂x⁢Ψ⁢(x,y)=μ⁢M (2.273)
(x2+2⁢x)⁢ex⁢sen⁡(y)+f′⁢(x)=(x2+2⁢x)⁢ex⁢sen⁡(y) (2.274)
f′⁢(x)=0 (2.275)
f⁢(x)=c. (2.276)

Logo, podemos concluir que a solução geral de (2.254) é dada por

x2⁢ex⁢sen⁡(y)=c. (2.277)
1from sympy import *
2y = Function('y')
3x,C1 = symbols('x,C1')
4edo = (x+2)*sin(y(x))+x*cos(y(x))*diff(y(x),x)
5dsolve(edo, y(x), simplify=False)
[Eq(y(x), pi - asin(C1*exp(-x)/x**2)), Eq(y(x), asin(C1*exp(-x)/x**2))]
Observação 2.3.1.(Verificação de soluções com Python)

A função checkodesol do SymPypermite verificar se uma expressão/equação é solução de uma dada EDO. No caso de exemplo anterior (Exemplo 2.3.2), podemos verificar a solução (2.277) com o seguinte código:

1from sympy import *
2y = Function('y')
3x,C1 = symbols('x,C1')
4edo = (x+2)*sin(y(x))+x*cos(y(x))*diff(y(x),x)
5sol = Eq(x**2*exp(x)*sin(y(x)),C1)
6checkodesol(edo, sol)
[(True, 0), (True, 0)]

𝝁=𝝁⁢(𝒚)

No caso de μ=μ⁢(y) (função de y apenas), a equação (2.251) resume-se a

d⁢μd⁢y=Nx−MyM⁢μ. (2.278)

Ou seja, se

Nx−MyM (2.279)

é função apenas de y, então podemos calcular um fator integrante μ=μ⁢(y) resolvendo a EDO linear (2.278).

Exemplo 2.3.3.

Vamos resolver a EDO

y+(2⁢x−y⁢ey)⁢d⁢yd⁢x=0. (2.280)

Denotando

M⁢(x,y)=y (2.281)
N⁢(x,y)=2⁢x−y⁢ey (2.282)

vemos que

∂∂y⁢M⁢(x,y)=1≠2=∂∂x⁢N⁢(x,y). (2.283)

Ou seja, não é uma equação exata. Por outro lado,

Nx−MyM=1y (2.284)

é função apenas de y. Com isso, podemos obter um fator integrante μ=μ⁢(y) resolvendo a seguinte EDO linear

d⁢μd⁢y=Nx−MyM⁢μ (2.285)
d⁢μd⁢y=1y⁢μ (2.286)
1μ⁢d⁢μ=1y⁢d⁢y (2.287)
ln⁡|μ|=ln⁡|y|+c (2.288)
μ=c⁢y. (2.289)

Desta forma, podemos escolher o fator integrante μ=y de forma que a equação

μ⁢M+μ⁢N⁢d⁢yd⁢x=0 (2.290)

é exata e equivalente a EDO (2.280). De fato, temos

∂∂y⁢(μ⁢M)=∂∂y⁢(y2) (2.291)
=2y (2.292)
=∂∂x[(2x−yey)y] (2.293)
=∂∂x(μN). (2.294)

Sendo (2.290) uma equação exata, buscamos por uma função Ψ=Ψ⁢(x,y) tal que

∂∂x⁢Ψ⁢(x,y)=μ⁢M⁢(x,y) (2.295)
Ψ⁢(x,y)=∫y2⁢𝑑x+f⁢(y) (2.296)
Ψ⁢(x,y)=x⁢y2+f⁢(y). (2.297)

Bem como,

∂∂y⁢Ψ⁢(x,y)=μ⁢N⁢(x,y) (2.298)
2⁢x⁢y+f′⁢(y)=2⁢x⁢y−y2⁢ey (2.299)
f′⁢(y)=−y2⁢ey (2.300)
f⁢(y)=−(y2−2⁢y+2)⁢ey+c. (2.301)

Logo, concluímos que a solução geral da EDO (2.280) é

x⁢y2−(y2−2⁢y+2)⁢ey=c. (2.302)

2.3.2 Exercícios resolvidos

ER 2.3.1.

Verifique se a EDO

x2+(2⁢x⁢y−y2)⁢d⁢yd⁢x=−y2 (2.303)

é exata. Caso não seja, busque por um fator integrante para reescrevê-la como uma equação exata.

Resolução.

Para verificarmos se a equação é exata, vamos colocá-la reescrevê-la na seguinte forma

x2+y2+(2⁢x⁢y−y2)⁢d⁢yd⁢x=0. (2.304)

Com isso, identificamos

M⁢(x,y)=x2+y2, (2.305)
N⁢(x,y)=2⁢x⁢y−y2. (2.306)

Ainda, temos

∂M∂y=2⁢y (2.307)

e

∂N∂x=2⁢y. (2.308)

Como

∂M∂y=∂N∂x, (2.309)

concluímos que a EDO é exata.

ER 2.3.2.

Resolva o seguinte PVI:

s⁢e⁢n⁢(y)+(x⁢cos⁡(y)+1)⁢d⁢yd⁢x=0, (2.310)
y⁢(0)=π. (2.311)
Resolução.

Denotando

M⁢(x,y)=sen⁡(y),N⁢(x,y)=x⁢cos⁡(y)+1, (2.312)

vemos que a EDO associada ao PVI é uma equação exata. Logo, para resolvê-la buscamos por uma função Ψ=Ψ⁢(x,y) tal que

∂Ψ∂x=M⁢(x,y) (2.313)
Ψ=∫M⁢(x,y)⁢𝑑x+f⁢(y) (2.314)
Ψ=x⁢sen⁡(y)+f⁢(y). (2.315)

Bem como, Ψ deve ser tal que

∂∂y⁢Ψ⁢(x,y)=N⁢(x,y) (2.316)
x⁢cos⁡(y)+f′⁢(y)=x⁢cos⁡(y)+1 (2.317)
f′⁢(y)=1 (2.318)
f⁢(y)=y+c. (2.319)

Logo, a solução geral da EDO associada é dada por

x⁢sen⁡(y)+y=c. (2.320)

Por fim, aplicando a condição inicial y⁢(0)=1, obtemos

0⋅sen⁡(1)+1=c (2.321)
c=1. (2.322)

Concluímos que a solução do PVI é dada por

x⁢sen⁡(y)+y=1. (2.323)

2.3.3 Exercícios

E. 2.3.1.

Verifique se a seguinte EDO é exata. Justifique sua resposta.

d⁢yd⁢x=cos⁡(y)1+x⁢sen⁡(y). (2.324)

Exata

E. 2.3.2.

Resolva a seguinte EDO

cos⁡(y)+(1−x⁢sen⁡(y))⁢d⁢yd⁢x=0. (2.325)

x⁢cos⁡(y)+y=c

E. 2.3.3.

Mostre que a seguinte EDO não é exata

x⁢y2+1−x2⁢y⁢d⁢yd⁢x=0. (2.326)

Ainda, mostre que o fator integrante μ=x−4 pode ser usado para transformar esta em uma equação exata. Por fim, resolva-a.


−x−2⁢y22−x33=c

E. 2.3.4.

Resolva a seguinte EDO

6⁢x⁢y+y2+(2⁢x2+x⁢y)⁢d⁢yd⁢x=0. (2.327)

(x⁢y+2⁢x2)2−4⁢x4=c

E. 2.3.5.

Resolva o seguinte PVI

y+(y−3⁢x)⁢d⁢yd⁢x=0,y⁢(1)=1 (2.328)

x⁢y−3−y−22=12


Envie seu comentário

Aproveito para agradecer a todas/os que de forma assídua ou esporádica contribuem enviando correções, sugestões e críticas!

Opcional. Preencha seu nome para que eu possa lhe contatar.
Opcional. Preencha seu e-mail para que eu possa lhe contatar.
As informações preenchidas são enviadas por e-mail para o desenvolvedor do site e tratadas de forma privada. Consulte a política de uso de dados para mais informações.

Licença Creative Commons
Este texto é disponibilizado nos termos da Licença Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional. Ícones e elementos gráficos podem estar sujeitos a condições adicionais.

Pedro H A Konzen
| | | |