| | | |

Cálculo I

Material disponível para compra: apostila. Consulte outras formas de colaboração aqui!

5.8 Integrais impróprias

A integral

∫abf⁢(x)⁢𝑑x (5.660)

é chamada de integral imprópria quando a,b→±∞ ou f tem uma descontinuidade infinita no intervalo [a,b]. Quando a integral existe, dizemos que ela é convergente, noutro caso, dizemos que ela é divergente.

Exemplo 5.8.1.

Estudemos os seguintes casos:

  1. a)

    ∫−2∞1x2⁢𝑑x

    É uma integral imprópria, pois o intervalo de integração [−2,∞) é infinito.

  2. b)

    ∫−∞1ex⁢𝑑x

    É uma integral imprópria, pois o intervalo de integração (−∞⁢,1] é infinito.

  3. c)

    ∫−111x+1⁢𝑑x

    É uma integral imprópria, pois o integrando 1/(x+1) tem uma assíntota vertical no extremo esquerdo do intervalo de integração.

  4. d)

    ∫02x−1x2−1⁢𝑑x

    Não é uma integral imprópria, pois o integrando é contínuo por partes no intervalo [0,2].

  5. e)

    ∫−22x−1x2−1⁢𝑑x

    É uma integral imprópria, pois o integrando tem uma descontinuidade infinita em x=−1.

5.8.1 Limites de integração infinitos

No caso de integrais impróprias da forma

∫a∞f⁢(x)⁢𝑑x (5.661)

calculamos

∫a∞f⁢(x)⁢𝑑x=limb→∞∫abf⁢(x)⁢𝑑x. (5.662)
Exemplo 5.8.2.

Vamos calcular

∫1∞1x2⁢𝑑x (5.663)

Temos

∫1∞1x2⁢𝑑x=limb→∞∫1b1x2⁢𝑑x (5.664)
=limb→∞[−1x]1b (5.665)
=limb→∞[−1b0+11] (5.666)
=1 (5.667)

Analogamente, calculamos

∫−∞bf⁢(x)⁢𝑑x=lima→−∞∫abf⁢(x)⁢𝑑x. (5.668)
Exemplo 5.8.3.

Vamos calcular

∫−∞2ex⁢𝑑x. (5.669)

Temos

∫−∞2ex⁢𝑑x=lima→−∞∫a2ex⁢𝑑x (5.670)
=lima→−∞[ex]a2 (5.671)
=lima→−∞e2−ea0 (5.672)
=e2 (5.673)

No caso de integrais impróprias da forma

∫−∞∞f⁢(x)⁢𝑑x (5.674)

escolhemos um c qualquer e calculamos

∫−∞∞f⁢(x)⁢𝑑x=∫−∞cf⁢(x)⁢𝑑x+∫c∞f⁢(x)⁢𝑑x (5.675)

Dizemos que a integral é divergente no caso de ao menos uma das integrais à direita ser divergente.

Exemplo 5.8.4.

Vamos calcular

∫−∞∞2⁢d⁢x1+4⁢x2 (5.676)

Escolhendo c=0, temos

∫−∞∞2⁢d⁢x1+4⁢x2=∫−∞02⁢d⁢x1+4⁢x2+∫0∞2⁢d⁢x1+4⁢x2 (5.677)
=lima→−∞∫a02⁢d⁢x1+4⁢x2+limb→∞∫0b2⁢d⁢x1+4⁢x2 (5.678)
=lima→−∞[arctg(2x)]a0+limb→∞[arctg(2x)]0b (5.679)
=lima→−∞[arctg(0)−arc⁡tg⁡(a)−π2]a0
+limb→∞[arc⁡tg⁡(b)π2−arc⁡tg⁡(0)]0b (5.680)
=π2+π2=π (5.681)

5.8.2 Integrandos com descontinuidade infinita

No caso de integrais impróprias em que o integrando tem descontinuidade infinita no limite de integração inferior, calculamos

∫abf⁢(x)⁢𝑑x=limc→a+∫cbf⁢(x)⁢𝑑x. (5.682)

Se a descontinuidade for no limite superior, então calculamos

∫abf⁢(x)⁢𝑑x=limc→b−∫acf⁢(x)⁢𝑑x. (5.683)
Exemplo 5.8.5.

Vamos calcular

∫122⁢x−2(x−1)2⁢𝑑x (5.684)

Temos

∫122⁢x−2(x−1)2⁢𝑑x=limc→1+∫c22⁢x−2(x−1)2⁢𝑑x (5.685)
=limc→1+2∫x=c2d⁢xx−1 (5.686)
=limc→1+2∫x=c2d⁢uu (5.687)

onde, usamos a substituição u=x−1 e d⁢u=d⁢x. Segue que,

∫122⁢x−2(x−1)2⁢𝑑x=limc→1+2⁢[ln⁡|u|]x=c2 (5.688)
=limc→1+2[ln|x−1|]c2 (5.689)
=limc→1+2[0−ln⁡|c−1|−∞] (5.690)
=∞ (5.691)

No caso do integrando ter descontinuidade infinita em um ponto interno do intervalo de integração, calculamos

∫abf⁢(x)⁢𝑑x=∫acf⁢(x)⁢𝑑x+∫cbf⁢(x)⁢𝑑x, (5.692)

onde, x=c é o ponto de descontinuidade de f.

Exemplo 5.8.6.

Vamos calcular

∫03d⁢xx−2 (5.693)

Fazemos

∫03d⁢xx−2=∫02d⁢xx−2+∫23d⁢xx−2 (5.694)
=limc→2−∫0cd⁢xx−2+limc→2+∫c3d⁢xx−2 (5.695)
=limc→2−[ln|x−2|]0c+limx→2+[ln|x−2|]c3 (5.696)
=limc→2−[ln⁡|c−2|−∞+ln|−2|]0c+limx→2+[ln|1|−ln⁡|c−2|−∞]c3 (5.697)
=−∞+∞ (5.698)

no que concluímos que a integral é divergente.

5.8.3 Teste de comparação

Sejam f e g funções contínuas em [a,∞) com 0≤f⁢(x)≤g⁢(x) para todo x≥a. Então:

  1. a)

    Se ∫a∞g⁢(x)⁢𝑑x é convergente, então ∫a∞f⁢(x)⁢𝑑x também é convergente.

  2. b)

    Se ∫a∞f⁢(x)⁢𝑑x é divergente, então ∫a∞g⁢(x)⁢𝑑x também é divergente.

Exemplo 5.8.7.

É convergente a integral

∫−∞∞e−x2⁢𝑑x. (5.699)

De fato, temos que

∫−∞∞e−x2⁢𝑑x=∫−∞0e−x2⁢𝑑x
+∫0∞e−x2⁢𝑑x (5.700)

Para x≥0, temos que e−x2≤e−x. Logo, como

∫0∞e−x⁢𝑑x<∞, (5.701)

concluímos, pelo teste de comparação, que

∫0∞e−x2⁢𝑑x<∞. (5.702)

Por raciocínio análogo131313Consulte o E.5.8.10, o teste de comparação nos permite concluir que

∫−∞0e−x2⁢𝑑x<∞. (5.703)

O que mostra que a integral ∫−∞∞e−x2⁢𝑑x é convergente.

Exemplo 5.8.8.

É divergente a integral

∫1∞d⁢xx2−1. (5.704)

De fato, para x≥1, temos que x2−1≤x e, por tanto,

1x2−1≥1x. (5.705)

Logo, como

∫1∞d⁢xx=∞, (5.706)

concluímos, pelo teste de comparação, que

∫1∞d⁢xx2−1 (5.707)

é divergente.

5.8.4 Exercícios resolvidos

ER 5.8.1.

Para quais valores de p a integral

∫1∞d⁢xxp (5.708)

é convergente.

Resolução.

Por definição

∫1∞d⁢xxp=limb→∞∫1bd⁢xxp (5.709)

Para p=1, temos

∫1∞d⁢xx=limb→∞∫1bd⁢xx (5.710)
=limb→∞[ln|x|]1b (5.711)
=limb→∞[ln⁡|b|∞−ln|1|] (5.712)
=∞ (5.713)

Ou seja, para p=1 a integral é divergente. Agora, para p≠1, temos

∫1∞d⁢xxp=limb→∞∫1bd⁢xxp (5.714)
=limb→∞[x1−p1−p]1b (5.715)
=limb→∞[b1−p1−p−11−p] (5.716)

Para p<1, temos que b1−p→∞ quando b→∞. Agora, para p>1, temos que b1−p→0 quando b→∞. Logo, concluímos que a integral é convergente para p>1 e

∫1∞d⁢xxp=1p−1,p>1. (5.717)
ER 5.8.2.

Calcule

∫1∞d⁢x(x−1)2 (5.718)
Resolução.

Notamos que, além do limite de integração infinito, o integrando tem uma descontinuidade infinita em x=1. Logo, calculamos

∫1∞d⁢x(x−1)2=limb→∞∫1bd⁢x(x−1)2 (5.719)
=limb→∞[lima→1+∫abd⁢x(x−1)2] (5.720)
=limb→∞[lima→1+[11−x]ab] (5.721)
=limb→∞lima→1+(11−b0−11−a−∞) (5.722)
=+∞ (5.723)

5.8.5 Exercícios

E. 5.8.1.

Calcule

  1. a)

    ∫1∞d⁢xx3

  2. b)

    ∫−∞−12d⁢xx3


a) 12; b) −2

E. 5.8.2.

Calcule

  1. a)

    ∫−∞∞x⁢d⁢xx2+1

  2. b)

    ∫−∞∞e−x1+e−2⁢x⁢𝑑x


a) divergente; b) −π2

E. 5.8.3.

Calcule

∫2∞ln⁡(x−1)x2−2⁢x+1⁢𝑑x (5.724)

1

E. 5.8.4.

Calcule

  1. a)

    ∫01d⁢xx2

  2. b)

    ∫−12d⁢xx−2⁢𝑑x


a) divergente; b) divergente

E. 5.8.5.

Calcule

  1. a)

    ∫01d⁢x1−x

  2. b)

    ∫01x1−x⁢𝑑x


a) 2; b) 43

E. 5.8.6.

Calcule

∫−22d⁢xx2 (5.725)

divergente

E. 5.8.7.

Calcule

∫02d⁢xx2−2⁢x+13⁢𝑑x (5.726)

6

E. 5.8.8.

Calcule

∫−∞∞d⁢xx3 (5.727)

divergente

E. 5.8.9.

Em cada item, use o teste de comparação para determinar se a integral é convergente ou divergente.

  1. a)

    ∫1∞d⁢xx2+1

  2. b)

    ∫π∞cos2⁡(x)x2⁢𝑑x

  3. c)

    ∫2∞d⁢xx2+sen2⁡(x)


a) convergente; b) convergente; c) divergente

E. 5.8.10.

Use o teste de comparação para determinar se a integral

∫−∞0e−x2⁢𝑑x (5.728)

é convergente ou divergente.


convergente


Envie seu comentário

Aproveito para agradecer a todas/os que de forma assídua ou esporádica contribuem enviando correções, sugestões e críticas!

Opcional. Preencha seu nome para que eu possa lhe contatar.
Opcional. Preencha seu e-mail para que eu possa lhe contatar.
As informações preenchidas são enviadas por e-mail para o desenvolvedor do site e tratadas de forma privada. Consulte a política de uso de dados para mais informações.

Licença Creative Commons
Este texto é disponibilizado nos termos da Licença Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional. Ícones e elementos gráficos podem estar sujeitos a condições adicionais.

Pedro H A Konzen
| | | |