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Cálculo I

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3.10 Derivação implícita

Seja y=y⁢(x) definida implicitamente por

g⁢(y⁢(x))=0. (3.603)

A derivada d⁢y/d⁢x pode ser calculada via regra da cadeia

dd⁢x⁢g⁢(y⁢(x))=d⁢0d⁢x (3.604)
g′⁢(y⁢(x))⁢d⁢yd⁢x=0. (3.605)
Exemplo 3.10.1.

Considere a equação da circunferência unitária (Figura 3.13)

x2+y2=1. (3.606)

Aqui, vamos calcular d⁢y/d⁢x de duas maneiras diferentes.

Refer to caption
Figura 3.13: Gráfico da circunferência unitária x2+y2=1.
  1. a)

    Por derivação direta. Isolando y em (3.606), temos

    y=±1−x2 (3.607)

    o que está bem definido para −1≤x≤1. Calculando a derivada, obtemos

    d⁢yd⁢x=dd⁢x⁢(±1−x2) (3.608)
    =±−2⁢x2⁢1−x2 (3.609)
    =∓xy (3.610)

    Ou seja, para y<0, temos y′=x/y e, para y>0, temos y′=−x/y. Logo, concluímos que

    d⁢yd⁢x=−xy. (3.611)
  2. b)

    Por derivação implícita. Derivamos ambos os lados da (3.606) em relação a x

    dd⁢x⁢(x2+y2)=d⁢1d⁢x (3.612)
    dd⁢x⁢(x2)+dd⁢x⁢(y2⁢(x))=0 (3.613)
    2⁢x+d⁢y2d⁢y⁢d⁢yd⁢x=0 (3.614)
    2⁢x+2⁢y⁢d⁢yd⁢x=0 (3.615)
    d⁢yd⁢x=−xy. (3.616)
Observação 3.10.1.(Derivadas de potências racionais de x)

Vamos mostrar que

dd⁢x⁢xr=r⁢xr−1, (3.617)

para qualquer número racional r≠0. Denotando r=m/n, m,n∈ℕ, temos

y=xm/n (3.618)
⇔ (3.619)
yn=xm (3.620)

Da derivação de função potência com exponente inteiro, temos

dd⁢x⁢yn=dd⁢x⁢xm (3.621)
n⁢yn−1⁢d⁢yd⁢x=m⁢xm−1 (3.622)
d⁢yd⁢x=mn⁢xm−1⁢y1−n (3.623)
d⁢yd⁢x=mn⁢xm−1⁢(xmn)1−n (3.624)
d⁢yd⁢x=mn⁢xm−1⁢xmn⁢(1−n) (3.625)
d⁢yd⁢x=mn⁢xm−1+mn⁢(1−n) (3.626)
d⁢yd⁢x=mn⁢xmn−1. (3.627)

Logo, segue o resultados que queríamos demonstrar.

Exemplo 3.10.2.

Vamos calcular d2⁢yd⁢x2 para

x2+y2=1. (3.628)

Primeiramente, precisamos calcular d⁢y/d⁢x. Isso foi feito no Exemplo 3.10.1, onde obtivemos

d⁢yd⁢x=−xy. (3.629)

Antes de derivarmos novamente, vamos reescrever essa última expressão da seguinte forma

y⁢d⁢yd⁢x=−x (3.630)

Derivando

dd⁢x⁢[y⁢d⁢yd⁢x]=dd⁢x⁢[−x] (3.631)
1⁢d⁢yd⁢x⁢d⁢yd⁢x+dd⁢x⁢d⁢yd⁢x=−1 (3.632)
(d⁢yd⁢x)2+d2⁢yd⁢x2=−1 (3.633)
d2⁢yd⁢x2=−x2y2−1. (3.634)

3.10.1 Exercícios resolvidos

ER 3.10.1.

Calcule d⁢y/d⁢x para a lemniscata de Bernoulli101010Jacob Bernoulli, 1655-1705, matemático suíço. Fonte: Wikipédia: Jakob Bernoulli.

(x2+y2)2=x2−y2. (3.635)

Consulte o gráfico da lemniscata na Figura 3.14.

Refer to caption
Figura 3.14: Gráfico da lemniscata de Bernoulli (x2+y2)2=x2−y2.
Resolução.
dd⁢x⁢[(x2+y2)2]=dd⁢x⁢[x2−y2] (3.636)
2⁢(x2+y2)⁢(2⁢x+2⁢y⁢d⁢yd⁢x)=2⁢x−2⁢y⁢d⁢yd⁢x (3.637)

Rearranjando os termos, obtemos

2⁢(y+2⁢x2⁢y+2⁢y2)⁢d⁢yd⁢x=2⁢x−4⁢x⁢y2−4⁢x3 (3.638)

ou ainda

d⁢yd⁢x=x−2⁢x3−2⁢x⁢y2y+2⁢x2⁢y+2⁢y3 (3.639)
ER 3.10.2.

Calcule a equação da reta tangente ao gráfico da circunferência unitária

x2+y2=1 (3.640)

no ponto (22,22).

Resolução.

A equação da reta tangente ao gráfico de uma função y=y⁢(x) no ponto (x0,y⁢(x0)) é dada por

y=y′⁢(x0)⁢(x−x0)+y⁢(x0) (3.641)

onde, nesse caso, x0=22, y⁢(x0)=22

y′⁢(x0)=d⁢yd⁢x|x=x0. (3.642)

Calculamos d⁢y/d⁢x como segue

dd⁢x⁢(x2+y2)=d⁢1d⁢x (3.643)
dd⁢x⁢(x2)+dd⁢x⁢(y2⁢(x))=0 (3.644)
2⁢x+d⁢y2d⁢y⁢d⁢yd⁢x=0 (3.645)
2⁢x+2⁢y⁢d⁢yd⁢x=0 (3.646)
d⁢yd⁢x=−xy. (3.647)

Com isso, temos

y′⁢(x0)=−x0y⁢(x0) (3.648)
=−2222 (3.649)
=−1. (3.650)

Concluímos que a equação da reta tangente é

y=−1⋅(x−22)+22 (3.651)
y=−x+2. (3.652)
ER 3.10.3.

Calcule

dd⁢x⁢xx. (3.653)
Resolução.

Observamos que

y=xx (3.654)
ln⁡y=ln⁡xx (3.655)
ln⁡y=x⁢ln⁡x. (3.656)

Agora, derivando em relação a x ambos os lados desta equação, obtemos

dd⁢x⁢ln⁡y=dd⁢x⁢(x⁢ln⁡x) (3.657)
1y⁢d⁢yd⁢x=ln⁡(x)+1 (3.658)
d⁢yd⁢x=y⁢(1+ln⁡x) (3.659)
d⁢xxd⁢x=xx⁢(1+ln⁡x). (3.660)

3.10.2 Exercícios

E. 3.10.1.

Calcule d⁢y/d⁢x para:

  1. a)

    x+2⁢x⁢y−x3=3

  2. b)

    x2+y2=x⁢y


a) d⁢yd⁢x=3⁢x2−2⁢y−12⁢x b) d⁢yd⁢x=y−2⁢x2⁢y−x

E. 3.10.2.

Calcule d2⁢y/d⁢x2 para

x+2⁢x⁢y−x3=3 (3.661)

d2⁢yd⁢x2=2⁢y+1x2

E. 3.10.3.

Encontre o ponto de interseção das retas tangentes ao gráfico de

y2=x−1 (3.662)

nos pontos (2,−1) e (2,1).


(0, 0)

E. 3.10.4.

Encontre a equação da reta tangente ao gráfico da circunferência de centro C=(1,1) e raio r=2 que passa pela origem O=(0,0).


y=−x

E. 3.10.5.

Seja c a circunferência de raio r>0

x2+y2=r2. (3.663)

Mostra que a reta tangente ao gráfico de c em qualquer ponto arbitrário P=(x0,y0)∈c é perpendicular a reta O⁢P¯, i.e. a reta que passa pela origem O=(0,0) e pelo ponto P.

E. 3.10.6.

Calcule

dd⁢x⁢(1+x)x. (3.664)

x⁢(1+x)x−1+(1+x)x⁢ln⁡(1+x)


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Pedro H A Konzen
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