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Matemática numérica II

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1.3 Diferenças finitas por polinômios interpoladores

Vamos estudar como obter fórmulas de diferenças finitas por polinômios interpoladores. Seja p⁢(x) o polinômio interpolador dos pontos {(xi,f⁢(xi))}i=1n+1 de uma dada função f⁢(x), com x1<x2<⋯<xn+1. Então, pelo teorema de Lagrange temos

f⁢(x)=p⁢(x)+Rn+1⁢(x), (1.40)

onde R⁢(x) é o erro na aproximação de f⁢(x) por p⁢(x) e tem a forma

Rn+1⁢(x)=f(n+1)⁢(ξ)(n+1)!⁢∏j=1n+1(x−xj). (1.41)

onde ξ=ξ⁢(x).

Deste modo, a ideia para obtermos as fórmulas de diferenças é aproximarmos f′⁢(x) por p′⁢(x). Entretanto, isto nos coloca a questão de estimarmos o erro |f′⁢(x)−p′⁢(x)|. Por sorte temos os seguinte teorema.

Teorema 1.3.1.

Seja p⁢(x) o polinômio interpolador de uma dada função f⁢(x) pelo pontos {(xi,f⁢(xi))}i=1n+1, com x1<x2<⋯<xn+1. Se f⁢(x) é (n+1) continuamente diferenciável, então o resíduo Rn+1(k)⁢(x)=f(k)⁢(x)−p(k)⁢(x) é

Rn+1(k)=f(n+1)⁢(η)(n+1−k)!⁢∏j=1n+1−k(x−ξj), (1.42)

onde ξj é um ponto tal que xj<ξj<xj+k, j=1,2,…,n+1+k, e η=η⁢(x) é algum ponto no intervalo de extremos x e ξj.

Demonstração.

Veja [3, Ch.6, Sec.5]. ∎

1.3.1 Fórmulas de dois pontos

Para obtermos fórmulas de diferenças finitas de dois pontos consideramos p⁢(x) o polinômio interpolador de Lagrange de f⁢(x) pelos pontos (x1,f⁢(x1)) e (x2,f⁢(x2)), com x1<x2, i.e.

f⁢(x)=p⁢(x)+R2⁢(x) (1.43)
=f(x1)x−x2x1−x2+f(x2)x−x1x2−x1+R2(x). (1.44)

Denotando h=x2−x1, temos

f⁢(x)=f⁢(x1)⁢x−x2−h+f⁢(x2)⁢x−x1h+R2⁢(x). (1.45)

e, derivando com respeito a x

f′⁢(x)=f⁢(x2)−f⁢(x1)h+R2(1)⁢(x), (1.46)

onde R2(1)⁢(x) é dado conforme o Teorema 1.3.1.

Agora, escolhendo x=x1, temos x2=x1+h=x+h e, obtemos a fórmula de diferenças finitas progressiva de ordem h

f⁢(x)=f⁢(x+h)−f⁢(x)h⏟D+,h⁢f⁢(x)+O⁢(h). (1.47)

Se escolhermos x=x2, temos x1=x2−h=x−h, obtemos a fórmula de diferenças finitas regressiva de ordem h

f⁢(x)=f⁢(x)−f⁢(x−h)h⏟D−,h⁢f⁢(x)+O⁢(h). (1.48)

Fórmulas de três pontos

Para obtermos fórmulas de diferenças finitas de três pontos consideramos o polinômio interpolador de Lagrange de f⁢(x) pelos pontos (x1,f⁢(x1)), (x2,f⁢(x2)) e (x3,f⁢(x3)), x1<x2<x3, i.e.

f⁢(x)=f⁢(x1)⁢(x−x2)⁢(x−x3)(x1−x2)⁢(x1−x3)
+f⁢(x2)⁢(x−x1)⁢(x−x3)(x2−x1)⁢(x2−x3)
+f⁢(x3)⁢(x−x1)⁢(x−x2)(x3−x1)⁢(x3−x2)+R3⁢(x). (1.49)

Derivando em relação a x, obtemos

f′⁢(x)=f⁢(x1)⁢(x2−x3)⁢(2⁢x−x2−x3)(x1−x2)⁢(x1−x3)⁢(x2−x3)
+f⁢(x2)⁢(x1−x3)⁢(−2⁢x+x1+x3)(x1−x2)⁢(x1−x3)⁢(x2−x3)
+f⁢(x3)⁢(x1−x2)⁢(2⁢x−x1−x2)(x1−x2)⁢(x1−x3)⁢(x2−x3)+R3(1)⁢(x). (1.50)

Aqui, podemos escolher por obter fórmulas de diferenças com passo constante ou não. Por exemplo, denotando h1=x2−x1 e h2=x3−x2 e escolhendo x=x1, temos x2=x+h1 e x3=x+h1+h2. Fazendo estas substituições na expressão acima, obtemos seguinte fórmula de diferenças finitas progressiva

D+,h⁢1,h⁢2f(x)=1h1⁢h2⁢(h1+h2)(−h2(2h1+h2)f(x) (1.51)
+(h1+h2)2⁢f⁢(x+h1) (1.52)
−h12f(x+h1+h2)). (1.53)

Agora, assumindo um passo constante h=h1=h2, obtemos a fórmula de diferenças progressiva de ordem h2

D+,h2⁢f⁢(x)=12⁢h⁢[−3⁢f⁢(x)+4⁢f⁢(x+h)−f⁢(x+2⁢h)]. (1.54)

Escolhendo x=x2, x1=x−h e x3=x+h na equação (1.50), obtemos a fórmula de diferenças finitas central de ordem h2

D0,h2=12⁢h⁢[f⁢(x+h)−f⁢(x−h)]. (1.55)

Por fim, escolhendo x=x3, x1=x−2⁢h e x2=x−h na equação (1.50), obtemos a fórmula de diferenças finitas regressiva de ordem h2

D−,h2=12⁢h⁢[3⁢f⁢(x)−4⁢f⁢(x−h)+f⁢(x−2⁢h)]. (1.56)

1.3.2 Fórmulas de cinco pontos

Aqui, usamos o polinômio interpolador de Lagrange da função f⁢(x) pelos pontos (x1,f(x1), (x2,f⁢(x2)), (x3,f⁢(x3)) e (x5,f⁢(x5)), com x1<x2<x3<x4<x5. Isto nos fornece

f⁢(x)=∑i=15f⁢(xi)⁢(∏j=1,j≠i5x−xjxi−xj)+R5⁢(x). (1.57)

Calculando a derivada em relação a x, temos

f′⁢(x)=∑i=15f⁢(xi)⁢(∑j≠ij=15∏k≠i,k≠jk=15x−xkxi−xk)+R5(1)⁢(x). (1.58)

Por exemplo, substituindo x1=x−2⁢h, x2=x−h, x3=x, x4=x+h e x5=x+2⁢h na equação acima, obtemos fórmula de diferenças finitas central de ordem h4

D+,h4f(x):=112⁢h[f(x−2h)−8f(x−h)
+8f(x+h)−f(x+2h)]. (1.59)

1.3.3 Exercícios

E. 1.3.1.

Use a fórmula de diferenças finitas central de ordem h4 para computar a aproximação da derivada de

f⁢(x)=sen⁡(x+2)−e−x2x2+ln⁡(x+2)+x (1.60)

no ponto x=2,5 com passo h=0,1.


1.05913

E. 1.3.2.

Obtenha as seguintes fórmulas de diferenças finitas de 5 pontos com passo h constante e com:

  1. a)

    4 pontos para frente.

  2. b)

    1 ponto para traz e 3 pontos para frente.

  3. c)

    2 pontos para traz e 2 pontos para frente.

  4. d)

    3 pontos para traz e 1 pontos para frente.

  5. e)

    4 pontos para traz.


a) 112⁢h⁢[3⁢f⁢(x−4⁢h)−16⁢f⁢(x−3⁢h)+36⁢f⁢(x−2⁢h)−48⁢f⁢(x−h)+25⁢f⁢(x)] (1.61)
b) 112⁢h⁢[−f⁢(x−3⁢h)+6⁢f⁢(x−2⁢h)−18⁢f⁢(x−h)+10⁢f⁢(x)+3⁢f⁢(x+h)] (1.62)
c) 112⁢h⁢[f⁢(x−2⁢h)−8⁢f⁢(x−h)+8⁢f⁢(x+h)−f⁢(x+2⁢h)] (1.63)
d) 112⁢h⁢[−3⁢f⁢(x−h)−10⁢f⁢(x)+18⁢f⁢(x+h)−6⁢f⁢(x+2⁢h)+f⁢(x+3⁢h)] (1.64)
d) 112⁢h⁢[−25⁢f⁢(x)+48⁢f⁢(x+h)−36⁢f⁢(x+2⁢h)+16⁢f⁢(x+3⁢h)−3⁢f⁢(x+4⁢h)] (1.65)
E. 1.3.3.

Considere a seguinte tabela de pontos

i 1 2 3 4 5 6
xi 2,0 2,1 2,2 2,3 2,4 2,5
yi 1,86 1,90 2,01 2,16 2,23 2,31

Calcule a aproximação d⁢y/d⁢x nos pontos tabelados usando as fórmulas de diferenças finitas obtidas no exercício anteriores (E.1.3.2). Para tanto, dê preferência para fórmulas centrais sempre que possível.


i 1 2 3 4 5 6
d⁢y/d⁢x 1,7500⁢e−1 7,2500⁢e−1 1,4250⁢e+0 1,1250⁢e+0 4,2500⁢e−1 1,6750⁢e+0

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Pedro H A Konzen
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