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Equações a diferenças

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3.1 Equações lineares de ordem 2

Aqui, vamos considerar equações lineares de ordem 2 com coeficientes constantes e homogêneas, i.e. equações da forma

y⁢(n+2)+p1⁢y⁢(n+1)+p2⁢y⁢(n)=0, (3.1)

onde p1,p2∈ℝ.

A ideia para resolver uma tal equação é de buscar por soluções da forma

y⁢(n)=λn, (3.2)

onde λ é um escalar não nulo (número real ou complexo). Substituindo em (3.1), obtemos

λn+2+p1⁢λn+1+p2⁢λn=0 (3.3)
λn⁢(λ2+p1⁢λ+p2)=0. (3.4)

Ou seja, λ deve satisfazer a equação característica

λ2+p1⁢λ+p2=0. (3.5)

3.1.1 Caso de raízes reais distintas

Aqui, vamos encontrar a solução geral para (3.1) quando a equação característica associada (3.5) tem raízes reais distintas. As raízes podem ser obtidas da fórmula de Bhaskara, i.e.

λ1,λ2=−p1±p12−4⁢p22, (3.6)

onde p12−4⁢p2>0. Com isso, temos as soluções

y1⁢(n)=λ1n, (3.7)
y2⁢(n)=λ2n. (3.8)

Estas são chamadas de soluções fundamentais, pois pode-se mostrar que qualquer solução da equação a diferenças (3.1) pode ser escrita como combinação linear de y1⁢(n) e y2⁢(n). Ou seja, a solução geral de (3.1) é

y⁢(n)=c1⁢λ1n⏟y1⁢(n)+c2⁢λ2n⏟y2⁢(n), (3.9)

onde c1 e c2 são constantes indeterminadas.

Exemplo 3.1.1.

Vamos encontrar a solução geral de

y⁢(n+2)−4⁢y⁢(n)=0. (3.10)

Para tanto, resolvemos a equação característica associada

λ2−4=0 (3.11)
λ2=4 (3.12)
λ=±2 (3.13)

Com isso, temos as soluções fundamentais y1⁢(n)=(−2)n e y2⁢(n)=2n. A solução geral é

y⁢(n)=c1⋅(−2)n+c2⋅2n. (3.14)

3.1.2 Caso de raízes reais duplas

Agora, vamos encontrar a solução geral para (3.1) quando a equação característica associada (3.5) tem raízes reais duplas, i.e.

λ1,2=−p12. (3.15)

Neste caso, múltiplos de

y1⁢(n)=λ1,2n (3.16)

não nos fornecem todas as soluções possíveis da equação a diferenças. Entretanto, temos que

y2⁢(n)=n⁢λ1,2n−1, (3.17)

também é solução. De fato, substituindo em (3.1), obtemos

y2⁢(n+2)+p1⁢y2⁢(n+1)+p2⁢y2⁢(n)=0 (3.18)
(n+2)⁢λ1,2n+1+p1⋅(n+1)⁢λ1,2n+p2⋅n⁢λ1,2n−1=0 (3.19)
n⁢λ1,2−1⁢(λ1,2n+2+p1⋅λ1,2n+1+p2⁢λ1,2n⏟=0)+2⁢λ1,2n+1+p1⁢λ1,2n=0 (3.20)
2⁢(−p12)n+1+p1⁢(−p12)n=0 (3.21)
(−1)n+1⁢p1n+12n+(−1)n⁢p1n+12n=0 (3.22)
0=0. (3.23)

Com isso, temos que a solução geral da equação a diferenças é dada por

y⁢(n)=c1⁢λ1,2n+c2⁢n⁢λ1,2n−1. (3.24)
Exemplo 3.1.2.

Vamos encontrar a solução geral de

y⁢(n+2)+4⁢y⁢(n+1)+4⁢y⁢(n)=0. (3.25)

Começamos encontrando as soluções da equação característica associada

λ2+4⁢λ+4=0 (3.26)
(λ+2)2=0 (3.27)
λ1,2=−2. (3.28)

Desta forma, temos as soluções fundamentais

y1⁢(n)=(−2)n (3.29)
y2⁢(n)=n⋅(−2)n−1 (3.30)

e a solução geral

y⁢(n)=c1⋅(−2)n+c2⋅n⋅(−2)n−1 (3.31)
y⁢(n)=c1⋅(−2)n+c2⋅n⋅(−2)n−2 (3.32)
y⁢(n)=c1⋅(−2)n+c2⋅n⋅(−2)n (3.33)
y⁢(n)=(−2)n⋅(c1+c2⋅n) (3.34)

3.1.3 Caso de raízes complexas

Agora, vamos encontrar a solução geral para (3.1) quando a equação característica associada (3.5) tem raízes complexas, i.e.

λ1,2=α±i⁢β. (3.35)

Neste caso, temos a solução geral

y⁢(n)=c1⁢(α−i⁢β)n+c2⁢(α+i⁢β)n. (3.36)
Exemplo 3.1.3.

Vamos encontrar a solução geral de

y⁢(n+2)+4⁢y⁢(n)=0. (3.37)

Resolvemos a equação característica associada.

λ2+4=0 (3.38)
λ2=−4 (3.39)
λ1,2=±2⁢i (3.40)

Com isso, temos a solução geral

y⁢(n)=c1⋅(−2⁢i)n+c2⋅(2⁢i)n. (3.41)

3.1.4 Exercícios resolvidos

ER 3.1.1.

A sequência de Fibonacci111Leonardo Fibonacci, 1170 - 1250, matemático italiano. Fonte: Wikipédia: Leonardo Fibonacci.

1,1,2,3,5,8,13,… (3.42)

tem valores iniciais y⁢(1)=1, y⁢(2)=1 e os demais valores y⁢(n+2)=y⁢(n+1)+y⁢(n). Logo, a sequência é solução da equação a diferenças

y⁢(n+2)−y⁢(n+1)−y⁢(n)=0,n≥1, (3.43)
y⁢(1)=1,y⁢(2)=1. (3.44)

Resolva esta equação a diferença de forma a obter uma forma fechada para y⁢(n), i.e. o n-ésimo valor na sequência de Fibonacci.

Resolução.

A equação a diferenças

y⁢(n+2)−y⁢(n+1)−y⁢(n)=0 (3.45)

é linear e com coeficientes constantes. Desta forma, temos a equação característica associada

λ2−λ−1=0 (3.46)

a qual tem raízes reais distintas

λ1=1−52, (3.47)
λ2=1+52. (3.48)

Logo, a solução geral desta equação é

y⁢(n)=c1⁢(1−52)n+c2⁢(1+52)n,n≥1. (3.49)

Agora, aplicando os valores iniciais y⁢(1)=1 e y⁢(2)=2, obtemos

y⁢(1)=1 (3.50)
⇒c1(1−52)+c2(1+52)=1 (3.51)
y⁢(2)=1 (3.52)
⇒c1(1−52)2+c2(1+52)2=1 (3.53)

Resolvendo, obtemos

c1=−15, (3.54)
c2=15. (3.55)

Concluímos que a solução é

y⁢(n)=−15⁢(1−52)n+15⁢(1+52)n,n≥1. (3.56)
ER 3.1.2.

Entre a solução da seguinte equações a diferenças

y⁢(n+2)−2⁢y⁢(n+1)+y⁢(n)=0,n≥0, (3.57)
y⁢(0)=1,y⁢(1)=1. (3.58)
Resolução.

Trata-se de uma equação a diferenças de ordem 2 com coeficientes constantes e homogênea. A equação característica associada é

λ2−2⁢λ+1=0 (3.59)

com raízes reais duplas λ1,2=1. Assim sendo, a solução geral é

y⁢(n)=c1⋅1n+c2⋅n⋅1n (3.60)
=c1+c2⋅n. (3.61)

Aplicando os valores iniciais, obtemos

y⁢(0)=1⇒c1=1 (3.62)
y⁢(1)=1⇒1+c2=1 (3.63)

Logo, temos c1=1 e c2=0. Concluímos que a solução é a sequência constante

y⁢(n)=1. (3.64)
ER 3.1.3.

Resolva a seguinte equação a diferenças

y⁢(n+2)−2⁢y⁢(n+1)+2=0. (3.65)
Resolução.

Sendo a equação a diferenças linear homogênea com coeficientes constantes, resolvemos a equação característica

λ2−2⁢λ+2=0 (3.66)
λ1,2=2±22−4⋅22 (3.67)
λ1,2=1±i (3.68)

Sendo estas as raízes, temos a solução geral

y⁢(n)=c1⁢(1−i)n+c2⁢(1+i)n. (3.69)

3.1.5 Exercícios

E. 3.1.1.

Calcule a solução geral de

y⁢(n+2)−5⁢y⁢(n+1)+6⁢y⁢(n)=0 (3.70)

y⁢(n)=c1⋅2n+c2⋅3n

E. 3.1.2.

Calcule a solução geral de

y⁢(n+2)−4⁢y⁢(n+1)+4⁢y⁢(n)=0 (3.71)

y⁢(n)=2n⁢(c1+c2⋅n)

E. 3.1.3.

Calcule a solução geral de

y⁢(n+2)+4⁢y⁢(n+1)+13⁢y⁢(n)=0 (3.72)

y⁢(n)=c1⁢(−2−3⁢i)n+c2⁢(−2+3⁢i)n

E. 3.1.4.

Resolva

y⁢(n+2)−2⁢y⁢(n+1)−8⁢y⁢(n)=0,n≥0, (3.73)
y⁢(0)=2,y⁢(1)=−1. (3.74)

y⁢(n)=32⁢(−2)n+12⁢4n


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Pedro H A Konzen
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